Mensagens

Como passar por uma provação

Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações, sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança. Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes. (Tg 1.1-4)

Bem-aventurado o homem que suporta, com perseverança, a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam. (Tg 1.12)

Caro amigo! Dileta amiga! Não há nada que perturba mais alguém do que estar em tribulação. Quem enfrenta situações adversas tendem a ter um único objetivo: achar uma solução para sair dela o mais rápido possível. Sentimentos como angústias, tristezas, impotências, complexos, decepções, depressão e coisas semelhantes são rejeitadas de imediato. Nada disso se equipara ao perfil de um vencedor, portanto despertam o sentimento de fracasso, de insucesso, de incapacidade. Via de regra a pessoa têm dificuldade de lidar com estes sentimentos negativos, pois entendem que a vida é feita de alegria, paz e conquistas.

Talvez você tenha esta concepção também. Afinal de contas, como poderia um cristão declarar-se filho de Deus, se é deprimido, por exemplo? Como poderia dizer-se tempo do Espirito Santo se tem o rosto carrancudo? Como poderia Cristo viver nele se diante da tribulação sucumbe a todo tipo de sentimento negativo e contraditório?

Cada uma destas perguntas demonstra uma má compreensão do que seja uma provação. Isto porque a pessoa tem a tendência de visualizar as circunstâncias que vive virando a chave do cérebro no modo fotografia Deixe-me explicar. Digamos que você saia em lua de mel. Quando não havia comunicação instantânea, como ela funcionava? Você escolhia um roteiro de viagem exuberante, como as ilhas do Hawaii, por exemplo. Cumprida a cerimônia de casamento, saia com seu conjugue em lua de mel, ficava trinta dias fora, voltava com lembranças para contar aos seus familiares, amigos e colegas, algumas poucas coisas de sua lua de mel. A maior parte dos acontecimentos ficava unicamente na memória do casal.

E hoje, como se dá a lua de mel? Ela é transformada em uma sucedânea de fotografias e vídeos. Ao invés do casal aproveitar o momento para degustar um ao outro, passam grande parte do tempo olhando-se mutuamente através das lentes de um celular, tirando fotos. Na visão deste casal, eles estão eternizando o momento, quando, na verdade, estão transferindo memórias cognitivas para arquivos digitais. Por detrás deste modo de agir está a tentativa de perpetuar uma circunstância que lhes parece sumamente boa. Ocorre que este tipo de mentalidade se reflete em todo tipo de circunstância e relacionamento.

Deixe-me explicar melhor. Quando alguém passa por uma tribulação e está deprimido, a impressão que esta pessoa tem de si é que a depressão vai perdurar por toda a vida. Assim, ela pega aquele quadro sintomático de abatimento daquele momento e projeta para o seu futuro, vendo um horizonte carregado de chuvas, raios e trovoadas.

Isso também se aplica aos relacionamentos. Uma mulher é duramente criticada por seu marido. Ela grava aquele olhar de reprovação e, à partir daquele dia, ela passa eternizar o tratamento dado por seu esposo com aquelas percepções negativas. Depois disso ele pode mudar da água para o vinho, fazer gato e sapato, mas por mais que expresse seu arrependimento, sua mudança de atitude, sua vontade de fazer diferente, é condenado por aquela mesma foto mental que ficou na memória de sua esposa anos e anos atrás.

E há, nas escrituras, inclusive uma explicação singela para sintetizar este tipo de fotografia mental negativa. Paulo escreveu aos romanos que o salário do pecado é a morte (Rm 6.23). De fato, toda e qualquer tribulação traz em seu seio o cheiro da morte. Qualquer coisa que dê errado, que ande para trás, que traga prejuízo, que faz alguém ficar doente, que produza mágoa, dor e raiva, que gere depressão, traz consigo a semente da morte. Em perpetuando qualquer destas situações, o resultado fatídico é o que Paulo prenuncia ao escrever aos Gálatas: “… o que semeia para a sua própria carne da carne colherá corrupção…” (Gl 6.8).

Talvez você me pergunte: – se a tribulação em si traz a semente da morte, se o quadro deprimente em que a pessoa se encontra precisa ser revertido para que haja fim a todo tipo de sentimento negativo, então como devemos nos portar em meio a uma tribulação?

Convido você a examinar atentamente a proposição de Tiago, em sua carta, no texto acima transcrito. Tiago diz que devemos nos alegrar por passar por várias provações. A primeira coisa que chamo sua atenção é no verbo passar. Quando entro em uma tribulação, tenho profunda consciência que ela não veio para ficar, que é temporária, que vai findar.

Precisamos ter uma dimensão da temporalidade de uma provação. Isaque tinha uma esposa estéril, a Bíblia afirma que ele orou por 20 anos para que ela pudesse ter filho (Gn 25.21 com Gn 25.26). Com isso posso afirmar que tempos provas que duram um dia, outros uma semana, outros alguns meses, outros anos, podendo chegar, como no caso de Isaque, até 20 anos.

Se temos que suportar uma provação por um dado tempo, como fazer para suportá-la? Chamo sua atenção a um segundo aspecto, não é uma provação que passamos, mas são várias, isto é, incontáveis ao longo da vida. E aqui há embutido um segredo. Cada provação dura dado tempo e termina. O fim da provação pode resultar em uma derrota ou vitória. Se cruzarmos pela provação por meio da fé ela gera vitória, caso contrário, ela se repetirá tantas vezes quanto necessário até conseguirmos vencê-la por meio da fé.

Deixe-me explicar melhor este ponto. A função da provação é produzir perseverança para nos fazer perfeitos e íntegros. Eu traduzo este processo do seguinte modo: eu não quero, de modo algum entrar em provação, inclusive oro ao Senhor para que não aconteça. Agora, se eu entrar em uma provação, me recuso, observe bem, me recuso a sair dela enquanto o tempo ordenado por Deus não finde. E por que adoto esta atitude? Digamos que a prova que eu esteja passando seja ser humilhado, que alguém esteja fazendo bulling comigo. Qual é a tendência das pessoas? Tomar satisfação e acabar de imediato com a humilhação.

Eu penso diferente. Como posso mudar o coração da pessoa que me humilha? Não é brigando com ela que conseguirei. Como poderei mudar a opinião das pessoas que são influenciadas por esta que me humilha? Não é tentando provar por A mais B que esta pessoa não tem razão. Então como fazer? Jesus ensina: “Quem acha a sua vida perdê-la-á; quem, todavia, perde a vida por minha causa achá-la-á” (Mt 10.39).

Basicamente traduzo assim em caso de bulling: se eu quiser me defender, Deus cruza os braços, se eu suportar a humilhação, Deus agira em meu favor. E se Deus o fizer, tudo será recolocado no lugar, se eu tentar, terei de passar a vida tentando juntar os cacos da humilhação. Assim, tenho de escolher: ou entro em minha defesa e corro o risco de tornar tudo ainda pior do que já é, ou eu me calo e espero que Deus entre em minha defesa, neste caso, pode passar o tempo que for, mas quando o Senhor ajustar a situação, serei exaltado pelas mãos de Deus, todos saberão o que de fato é.

Você pode me perguntar: mas e todo o prejuízo que você teve no período? Eu respondo: por isso chama provação. Se eu passar por uma tribulação que não reflita em derrota momentânea, então não é prova, é um passeio no parque. E volto então aos sentimentos negativos. Durante a prova não há como não passar por períodos de tristeza ou mesmo, depressão.

Procure entender um ponto. A provação é como um grande túnel negro, com um vislumbre de luz quase imperceptível no fim. Seu objetivo não é sair do túnel, mas seguir em frente. É isso que Tiago chama de desenvolver a perseverança. Ser humilhado, como no exemplo dado, é o entorno deste túnel. Você pode romper o túnel, e sair dele de qualquer maneira, ou continuar caminhando até chegar ao seu final e ver o que Deus reservou ao fim da prova.

Lembra quando Moisés pediu para ver a Deus e o Senhor disse que Moisés só poderia ver a Deus quando o Senhor passasse e estivesse de costas para Moisés? Geralmente só compreendemos o mover de Deus em nossa vida após termos passado pelo túnel e avistarmos a luz ao final. Enquanto estivermos no túnel, tudo que temos de fazer é seguir a instrução dada pelo profeta:

Quem há entre vós que tema ao SENHOR e que ouça a voz do seu Servo? Aquele que andou em trevas, sem nenhuma luz, confie em o nome do SENHOR e se firme sobre o seu Deus. (Is 50.10)

Aqui está o segredo de passar pela provação com perseverança e vencer. Quando você estiver dentro do túnel e não tiver luz, quando sentir seus sentimentos negativos sendo despertando em você, tenha paciência, apenas foque em continuar avançando, andando, sabendo que a prova haverá de terminar e, enquanto tudo isso estiver acontecendo, apenas confie no Senhor. Não tente entender o meio do túnel, apenas confie no Senhor. Não somos obrigados a entender tudo em nossa vida, mas temos de confiar sempre no Senhor. No tempo certo haveremos de termos discernimento do que Deus tem feito conosco, vindo a prova, cruzado o túnel.

Compartilhe com seus amigos e amigas esta mensagem, comente. Até o próximo texto.

Leave a Comment