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Como se deixar liderar pelo Espirito Santo

Disse Deus: Haja luz; e houve luz. E viu Deus que a luz era boa; e fez separação entre a luz e as trevas. (Gn 1.3,4)

Porque Deus, que disse: Das trevas resplandecerá a luz, ele mesmo resplandeceu em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo. (II Co 4.6)

Caro amigo! Dileta amiga! Neste texto vou tratar de um tema que nos é vital enquanto cristãos. Creio que você concorda comigo que devemos fazer Cristo resplandecer na totalidade daquilo que somos. Por isso vamos refletir sobre como nos tornarmos a imagem de Cristo.

O desejo de imitar a Cristo é compartilhado por muitos cristãos que buscam seu próprio amadurecimento. Por tudo que lêem nas escrituras, pelo anseio de sua própria alma, pela necessidade de ganhar vidas para Cristo, pela conjuntura adversa percebida no seio da sociedade, por estes e outros fatores, aquele que segue a Cristo sabe que o evangelho é a resposta. Mas não um evangelho de boca, senão aquele que é pregado com a vida e com a verdade. Uma frase expressa este tipo de sentimento: – sua vida fala tão alto que não ouço o que diz.

Se há um anseio para imitar a Cristo, então subjacente a este anseio, há uma compreensão que imitar a Cristo não é tão simples assim. Muitos concluem que não basta tão somente um ato de vontade, necessário se faz um critério, um principio, uma norma reguladora. Estes que pensam deste modo geralmente advogam que devemos aplicar em tudo quanto fazemos uma única pergunta, popularizada em um livro que leva como nome a própria pergunta formulada. Eis a pergunta que buscam como reguladora do processo de imitação de Cristo: “em seus passos o que faria Jesus?”.

Para determinar se esta pergunta em si é suficiente para imitarmos a Cristo, quero levar você a uma da mais extraordinária batalha travada no Antigo Testamento. Primeiro vamos conhecer a batalha em si e qual era o objetivo a ser alcançado. Depois vamos ver em que condições a vitória foi conseguida e, depois de compreendermos os princípios espirituais embutidos nesta batalha, haveremos de verificar como podemos imitar a Cristo baseado nas condicionantes desta batalha.

Em certo tempo na travessia do Êxodo Israel acampou em Refidim. Neste lugar Amaleque armou batalha contra Israel, exigindo que Moisés, juntamente com Arão e Hur, ficasse no alto do monte intercedendo, enquanto Josué lutasse na planície contra o exército de Amaleque. A batalha só foi decidida a favor de Israel quando Moisés conseguiu manter suas mãos levantadas, tendo Arão e Hur ajudado na sustentação dos braços de Moisés. Assim a vitória foi alcançada próximo ao final da tarde, quando o sol já estava se pondo. O que faz esta batalha ter vital importância nas escrituras não foi o modo em si como ela foi travada, mas a palavra profética lançada por Deus acerca desta batalha. Disse Deus: “- eu hei de riscar totalmente a memória de Amaleque de debaixo do céu” (Ex 17.14). Então Moisés edificou um altar naquele local e o chamou “O SENHOR É Minha Bandeira” (Ex 17.15).

Para entendermos porque Deus foi radical em Seu veredicto contra Amalaque, precisamos conhecer qual a relação deste personagem com o povo de Deus. Amaleque era neto de Esaú, sendo Esaú irmão de Jacó (Gn 36.12). Esaú se tornou na Bíblia a tipificação do homem impuro ou profano, pois ele vendera seu direito de progenitura, sendo por isto rejeitado por Deus (Hb 12.16,17). O que chama atenção acerca de Esaú em relação a Jacó era o fato de ser irmão gêmeo um do outro. Ainda que no caso destes dois a diferença fosse marcante, precisamos levar em conta que sempre há uma dificuldade de distinguir um gêmeo do outro. Só quem os conhece intimamente consegue de pronto perceber a diferença.

Se você já teve oportunidade de conhecer gêmeos muito parecidos, traga-o a sua memória agora. Qual a sensação mais provável que se tem diante dos dois: de ser fácil reconhecer ou, neste caso exige observação aguçada? Creio que concorda comigo que muitos se confundem e erram em distinguir um gêmeo de outro. Agora vou tornar a pergunta mais difícil ainda: E em relação a você, é fácil perceber qual a diferença significativa entre seu velho homem e seu homem interior regenerado? Se antes você era alcoólatra e hoje sóbrio, se antes ladrão e hoje honesto, se antes homicida e agora amoroso, a resposta parece simples, tão simples quanto saber a diferença entre Esaú e Jacó.

Agora, se você ainda traz consigo traços do velho homem em atitudes que são plasmadas pela inimizade, pelo ciúme, pela ira, pela inveja e coisas semelhantes, o discernimento entre o novo e o velho fica um tanto mais complicado. Agora faça esta análise de si mesmo com muito vagar. Para ajudar, pense quando passou por qualquer destes sentimentos. Trazendo ele a memória como você declarou seu comportamento? Você disse a si mesmo: – naquela situação eu fiquei com ciúmes; eu fiquei irado, e assim por diante – ou você diz a si mesmo: naquela situação meu velho homem manifestou com ciúmes e ira, não permitindo que o fruto do Espírito proveniente do homem interior regenerado se manifestasse.

Você me pergunta: – mas qual a diferença de eu reconhecer que eu fiquei irado ou de que meu velho homem irou-se? É para perceber a importância a distinção entre uma e outra abordagem que precisamos nos ver como Deus nos enxerga. Uma vez que alcancemos este discernimento haveremos de compreender porque somente a luz de Deus faz brilhar o conhecimento da glória de Deus em Cristo em nós. E, se isso acontecer, haveremos de saber como podemos imitar a Cristo em nosso viver.

Vamos então retroceder esta batalha contra Amaleque até percebermos a diferença que existe entre lz e trevas. Amaleque, neto de Esaú lutou contra os netos de Jacó. Como Esaú representa o profano e Jacó o santo, então temos que esta batalha foi entre o impuro e profano contra o puro e o santo. Tanto é verdade que, para Josué ganhar a batalha, Moisés teve de interceder durante todo o tempo até a vitória final.

Já que conseguimos perceber o cenário espiritual em que se travou esta batalha, vamos examinar agora, mais de perto, a relação entre Esaú e Jacó, ainda no ventre da mãe. Acerca dos dois está escrito “Amei Jacó, porém me aborreci de Esaú” (Rm 9.13). Assim, do mesmo modo como Deus aborreceu-se de Esaú, este veredicto atingiu seu neto, porquanto o Senhor falou que haveria de riscar Amaleque de debaixo do céu. Portanto Deus ama a quem escolhe e rejeita a quem aborrece. Simples assim.

Agora, assim como no ventre de Rebeca havia dois gêmeos lutando entre si, buscando a primazia, a palavra de Deus nos releva que este mesmo tipo de batalha é travada no íntimo de cada um de nós. Leia por você mesmo:

Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer. (Gl 5.17)

E Jesus foi radical em Seu veredicto acerca desta batalha:

O espírito é o que vivifica; a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida. (Jo 6.63)

E Paulo fecha este entendimento com selo de ouro:

Porque o que semeia para a sua própria carne da carne colherá corrupção; mas o que semeia para o Espírito do Espírito colherá vida eterna. (Gl 6.8)

O que estamos a afirmar é que a batalha contra Amaleque é figura daquela que trava em nosso interior. Se agirmos na carne, vamos colher corrupção, se no Espírito, vida eterna. Esaú é nossa carne, Israel o agir do Espírito em nosso interior. Do mesmo modo como aquela batalha entre os netos só foi vencida mediante intercessão, a supremacia do Espírito de Deus sobre nossa carne só acontece se cedermos completamente a liderança de nossa vida ao próprio Espirito Santo como lemos: “Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne” (Gl 5.16).

Assim, andar em Espirito ou, imitar a Cristo em nosso viver, não é uma questão que se resolve pela simples pergunta: – Em seus passos o que faria Jesus? Antes exige que tenhamos a firme determinação interior de permitir o próprio Espirito Santo agir em nós para que por meio de nós seja manifestada a vida de Cristo. Se você entendeu minha proposição deve estar se perguntando: – e como podemos ceder nosso ser à liderança do Espirito Santo para manifestarmos a imagem de Cristo?

Voltando a instrução de Paulo e fazendo um paralelo com a criação da luz, para que Cristo possa resplandecer em nós precisamos primeiro distinguir quem é a luz e onde estão as trevas, pois a luz sobressai das trevas. Sabemos que Jesus é a luz e, quando Ele declarou que somos a luz do mundo, não o fez no sentido de que somos a fonte originaria, mas canal condutor desta luz. Com isso queremos dizer que não temos nada em nós mesmo, senão a Cristo, portanto nós em nós mesmos não somos a luz, somos as trevas por onde brota luz. Paulo sintetiza esta verdade nestes termos: “Cristo em vós, a esperança da glória” (Cl 1.27).

Uma vez discernindo que somente em total dependência da graça de Deus, do agir do Senhor em nosso íntimo, da presença consoladora do Espírito Santo em nós, é que podemos gerar fruto do Espirito, então a segunda coisa que temos de aprender diz respeito ao poder operante da palavra de Deus em nós. E isto se responde com uma pergunta básica: – quando você faz algo, em qualquer esfera de sua vida, o faz com base em que promessa de Deus?

Por fim devemos conhecer com profundidade como se manifesta a glória de Deus por meio de nós. Geralmente temos a tendência de pensar que isso depende de força de vontade. Se tão somente nos determinarmos a ter paz, haveremos de ter paz; se forçar nossos pensamentos em coisas boas, haveremos de ter alegria e assim por diante. Contudo o manifestar da presença de Cristo em nós é um fluir que vêm de nosso íntimo, por conta de uma profunda comunhão com o Senhor, pois Josué só venceu a batalha contra Amaleque, por meio da intercessão de Moisés. Então concluo com o seguinte texto:

Graças, porém, a Deus, que, em Cristo, sempre nos conduz em triunfo e, por meio de nós, manifesta em todo lugar a fragrância do seu conhecimento. Porque nós somos para com Deus o bom perfume de Cristo, tanto nos que são salvos como nos que se perdem. Para com estes, cheiro de morte para morte; para com aqueles, aroma de vida para vida. Quem, porém, é suficiente para estas coisas? (II Co 2.14-16)

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