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Como trocar o velho homem pelo novo

no sentido de que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe segundo as concupiscências do engano, e vos renoveis no espírito do vosso entendimento, e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade. (Ef 4.22-24)

Caro amigo! Dileta amiga! O tema deste texto deveria ser sobre a formação da imagem de Cristo em nós, contudo só haveremos de entender que Cristo precisa ser formado em nós se descobrirmos como somos enganados por nosso velho homem. Para isso precisamos distinguir a diferença entre caráter e personalidade. Enquanto que o caráter corresponde à firmeza moral de nossa natureza interior, a personalidade equipara-se a mascara que optamos por mostrar ao mundo quem somos. Ocorre que podemos viver por tanto tempo sob a égide da máscara que perdemos de vista existir em nós um caráter. Vamos a uma aplicação destas distinções.

Davi era, naquela época, comandante das tropas do rei Saul. Davi fugia de Saul, vindo a ser obrigado passar um tempo junto ao rei Aquis, de Gate. Então, para escapar da morte, Davi “se contrafez diante deles, em cujas mãos se fingia doido, esgravatava nos postigos das portas e deixava correr saliva pela barba” (I Sm 21.13). Gate ficou tão impressionado com aquela expressão de loucura que ignorou Davi, propiciando oportunidade para ele fugir. Davi forjou uma personalidade que não tinha para escapar da prisão eminente. Este tipo de personalidade que não reflete a verdade interior é o que a Bíblia chama de velho homem.

Para compreendermos o velho homem, vamos pensar um pouco em nós mesmos enquanto pessoas. Todos nós temos um estilo de vida, um modo de viver, algo que, quando questionado, damos uma resposta bem simplista daquilo que somos: – eu sou desse jeito mesmo; nasci assim; desde que me conheço por gente faço deste modo; isso já é uma tradição em casa. Se a conversa continuar nesta toada, quase se conclui dizendo: – pau que nasce torto morre torto. Aliás, o sábio Salomão já dizia: “Aquilo que é torto não se pode endireitar…” (Ec 1.15).

Agora, se examinarmos um pouco mais este tipo de percepção de si mesmo, podemos afirmar com certeza ser esta impossibilidade de mudança em certos aspecto uma realidade em nossas vidas. E qual seria a fundamentação para declarar-se imutável? Creio que você há de convir comigo que este tipo de afirmação decorre do fato da pessoa perceber a necessidade de uma mudança radical em certos aspectos de sua personalidade, já ter tentado todos os recursos possíveis para mudar e estar muito frustrado por não conseguir. Então a conclusão é óbvia: “Aquilo que é torto não se pode endireitar…” (Ec 1.15).

Um dos aspectos da personalidade de muitos mais inflexíveis à mudança é, por exemplo, a ira. Quantos votos já não fez quem é iracundo, tentando medir suas reações em uma próxima vez? E quanto mais tenta se conter, maior é a expressão de ira quando surge a oportunidade. Que dizer do ciúme, quando menos se espera percebe ele corroendo por dentro, tirando completamente o equilíbrio da pessoa, fazendo-a dizer coisas absurdamente insensatas. E quem é afetado pela inveja? Basta ver o outro ser bem sucedido em algo que percebe dentro de si brotar todo tipo de amargura e tristeza. O que não dizer do medo? Quem vive em constante opressão sabe quão terrível é fazer e deixar de fazer coisas só por causa do medo das consequências. Namorada que não quer ferir a suscetibilidade do amado, esposa que não pode expressar seus verdadeiros sentimentos ao marido, empregado que só faz o que o chefe manda, mesmo sabendo que está prejudicando a empresa. O medo é um péssimo conselheiro, contudo muitos não conseguem viver sem ouvir suas ameaças.

Todo aquele que tenta tratar deste tipo de sentimento adota basicamente o seguinte procedimento. Imagine que todos estes sentimentos negativos sejam frutos de uma grande árvore. Ali está o fruto da ira, do ciúmes da inveja, do medo e coisas semelhantes. Se esta árvore fosse frutífera, como você colheria os frutos? Subindo uma escada, tomando-o nas mãos e arrancando da árvore. Dependendo da altura do fruto, outra tentativa seria atirar pedras até acertá-lo para derrubá-lo. Agora como estes frutos são prejudiciais a saúde emocional, talvez a pessoa fizesse outra coisa, ao invés de arrancar o fruto, cortaria o galho de onde ele brota. E qual o problema de cortar galhos? É que eles voltam a crescer e produzir frutos. O que quero dizer é o seguinte: – se você está lidando ou com a ira, ou com o ciúme, ou com a inveja, ou com o medo, ou coisas semelhantes e, se você já fez tudo para contê-lo e não conseguido, então você está cortando galhos. Ou seja, está sendo mal sucedido nesta tentativa de conter maus sentimentos porque não consegue achar a raiz do problema, mas lida tão somente com galhos. O diagnóstico é bem simples: – se você fez algo para conter um mau sentimento e não deu certo, você apenas lidou com galhos. Leia por você mesmo como João Batista tratava com a natureza humana:

Já está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois, que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo. (Mt 3.10)

Observe como João trata com árvores. Ele nunca se ocupa com galhos antes vai logo na raiz do problema. Leia isso:

Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? Assim, toda árvore boa produz bons frutos, porém a árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa produzir frutos maus, nem a árvore má produzir frutos bons. Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo. Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis. (Mt 7.16-20)

Se você considerar bem a instrução de Jesus está a declarar que cada tipo de árvore só produz um tipo de fruto, ou é bom ou não é. Se for bom, a árvore deve ser preservada, se não, ela deve ser cortada e lançada ao fogo. Basicamente Jesus diz isso a você: – se você já tentou conter a ira, o ciúme, a inveja, o medo e coisas semelhantes e não deu resultado, então chegou a hora de parar de cortar galhos. Lança logo o machado na raiz. Esta árvore precisa morrer.

Isto parece bem simples se aquele a quem Jesus dirige a palavra não fôssemos nós mesmos. Imagine eu chegando a esta conclusão: – o único jeito de lidar com minha ira é eu morrendo? Que absurdo, eu não posso tirar minha própria vida. De fato, este parece não ser um jeito inteligente de abordar o problema. Mas se reconhecermos que a ira, o ciúme, a inveja, o medo e coisas semelhantes surgem de uma coisa em nós chamado velho homem e que este não pode de fato viver, mas temos de dar lugar ao novo, a coisa se torna um pouco mais clara.

Creio que um raio de luz começa a surgir nesta questão. Penso que o primeiro entendimento que cada um de nós devemos ter a nosso respeito enquanto cristãos é que temos como que duas árvores em nós mesmos, uma gerando maus frutos, outra bons frutos. Então quando você ficar irado de novo, com ciúmes, inveja ou medo, tudo que tem de dizer a si mesmo é: – este não sou eu, é o velho homem se manifestando em mim. Talvez você me diga: – Cezar, se isto for verdade, então como tratar com este velho homem? Bem, penso que terei de escrever um texto para explicar como proceder. Neste que estou escrevendo, se você conseguir discernir esta dualidade dentro de você já terá uma grande vitória. E que vitória seria esta?

Bem, neste caso você há de convir comigo que declarar que nasceu desse jeito e desta forma vai morrer já não faz muito sentido. Isto porque Paulo nos ensina que devemos nos despojar do velho e nos revestir do novo e que, para que isto se suceda, é necessário uma mudança na nossa forma de pensar. E, só de aceitar duas fontes distintas dentro de você uma que precisa ser despojada, outra cultivada, já faz uma grande diferença de percepção.

Quero ainda tratar com você sobre esta questão de se dispor a morrer ou não para o velho, visto que o machado tem de ser lançado sobre a raiz, nunca contra o galho. Você sabe o quão difícil é para cada um de nós fazer a vontade de outra pessoa. Geralmente só nos dispomos a isto se formos obrigado ou se nos trouxer algum ganho. Se estivermos em uma situação de eminente risco em que temos de confiar em alguém, mas se as coisas não forem muito claras, por certo vamos usar de nosso vigor para nos opor. Este não foi o caso de Isaque. Ele subiu ao monte com seu pai Abraão, consciente que haveria um sacrifício. O problema era que não havia nenhum cordeiro com eles. Depois do seu pai arrumar o altar, Isaque olhou para os lados deveras preocupado – nada de cordeiro. Então o pai pediu para ele próprio, Isaque, se colocar sobre o altar. Ele era jovem, vigoroso, Abraão estava com mais de cem anos. Por certo ele poderia correr com todas as suas forças, descendo o monte. Mas ele não o fez, antes deixou seu pai o amarrar sabendo que o fim era eminente. Agora leia por você mesmo:

Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que, estando em mim, não der fruto, ele o corta; e todo o que dá fruto limpa, para que produza mais fruto ainda. (Jo 15.1,2)

Observe que Jesus nos apresenta como sendo o Pai Celestial aquele que é responsável para descer o cutelo. Se Isaque confiou em seu pai e não foi envergonhado, pois na derradeira hora um cordeiro surgiu, quanto mais nós podemos confiar em Deus. Com isso quero dizer que se você de fato entendeu esta palavra sobre mortificar o velho homem e se entendeu que tudo de ruim que sai de você procede do velho, então comece a se amarrar na palavra de Deus. Deixe Deus descer o cutelo e liquidar a questão do velho em sua vida. Por hora apenas se amarre nesta palavra. Depois explico como identificar a raiz para o cutelo descer direto sobre ela.

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