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Como trocar o velho pelo novo (2)

Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena: prostituição, impureza, paixão lasciva, desejo maligno e a avareza, que é idolatria; por estas coisas é que vem a ira de Deus [sobre os filhos da desobediência]. (Cl 3.5,6)

Caro amigo! Dileta amiga! Temos por tema a mortificação da carne. Já havia exposto no texto anterior, sob o título “Como trocar o velho homem pelo novo” da importância de discernimos o velho homem para que o Senhor opere em nós a obra de nos conformar com a imagem de Cristo. Havia comentado que há como identificar a raiz do problema que dá força ao velho homem impor seu engano na expressão de nossa personalidade. Só que antes de entrar neste detalhe, é necessário aprendermos um pouco mais acerca da mortificação da carne.

A expressão “fazer morrer” a nossa natureza terrena como proposto por Paulo é deveras intrigante. Na concordância Strong esta palavra, no grego, nekroó, significa ver a si mesmo como um cadáver, sem vida; se considerar como morto, inoperante, privar de vida ou poder energizante, cortar tudo que energiza. Esta mesma palavra grega é usada em Rm 4.19 e Hb 11.12 para fazer referência ao corpo amortecido de Abraão que, já com 99 anos se via incapaz de ter potência sexual para gerar filho em Sara.

Vamos considerar um pouco mais esta ideia de fazer morrer, exterminar, cortar o poder energizante de alguma coisa. Na carta aos Colossenses, antes de Paulo nos exortar a mortificar nossa carne, ele fizera uma afirmação deverás impressionante: “porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus” (Cl 3.3). Basicamente a instrução de Paulo nos ensina que tudo que se processou em Jesus Cristo, na obra da cruz se aplica de igual modo em nós. Cristo literalmente morreu na cruz, nós, por um processo de identificação, morremos com ele. Como Ele ressuscitou, nós também o fizemos. Assim, podemos afirmar por meio da fé que já morremos para o poder do pecado, ele não mais tem poder sobre nós. Isto é um fato. Leia por você mesmo Paulo ensinando esta mesma verdade em outro lugar:

Porque, se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente, o seremos também na semelhança da sua ressurreição, sabendo isto: que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos; (Rm 6.5-6)

Considere um pouco o sentimento que lhe causa maior transtorno, seja a ira, o ciúme, a inveja, o medo ou coisas semelhantes a esta. Quando você está dominado por este tipo de sentimento, a última coisa que lhe passa pela cabeça é que você esta morto para o poder deste tipo de sentimento, que este sentimento não tem domínio sobre você. É o que Paulo ensina ao declarar que nosso velho homem foi crucificado com Cristo, portanto o corpo do pecado foi destruído na obra da cruz. A consequência desta verdade é que agora não mais precisamos servir ao pecado, portanto nem a ira, nem o ciúme, nem a inveja, nem o medo ou coisas semelhantes a estas pode nos dominar, impor sua vontade, nos fazer agir com base em seus desígnios. Na teoria tudo perfeito, na prática parece muito complicado entender como isso funciona.

Ainda que o exercício da fé nesta verdade seja necessário, não me parece que o entendimento do ato de fazer morrer a natureza terrena esteja sendo entendido corretamente pelos interpretes desta palavra. É certo que Jesus Cristo ofereceu-se a Si mesmo como o Cordeiro de Deus na cruz, obra esta que gerou efeitos eternos para os que crêem. Contudo é certo também que não estamos desassistidos na terra, antes o próprio Senhor havia dito que enviaria outro Consolador para que habitasse em nós. É certo que devemos mortificar nossa natureza terrena por iniciativa nossa, por outro lado é certo também que se nós andarmos no Espírito jamais satisfaremos à concupiscência da carne. (Gl 5.16). Então como entender a obra concomitante que devemos realizar em nós com a que o Espírito Santo gera em nós? Será que devemos mortificar nossa natureza terena por nossa própria força ou será que o Espírito de Deus age de forma contributiva neste processo?

Não me parece coerente reduzir a mortificação da carne em um processo que executamos com base em nossa fé e por meio do exercício de nossa força de vontade. Paulo mesmo já exortara os Gálatas a este respeito dizendo: “Sois assim insensatos que, tendo começado no Espírito, estejais, agora, vos aperfeiçoando na carne?” (Gl 3.3). Portanto qualquer que seja o modo como se dá esta mortificação, percebo a necessidade da participação fundamental do Espírito Santo no processo.

Vamos considerar dada instrução do Senhor: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me” (Mt 16.24). Como Jesus aplicou a si mesmo esta instrução? No Getsemani ele se negou, dizendo: “Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres” (Mt 26.39). Note que a negação de Jesus em Sua vontade o colocava debaixo da vontade do Pai, que era dar a Jesus a cruz. Então quando chegou a hora de tomar a cruz para Si, ele o fez e se dirigiu com ela para o lugar de morte, o Calvário. Então Jesus está crucificado na cruz, preste a morrer. Como foi esta morte? Leia por você mesmo:

Então, Jesus clamou em alta voz: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito! E, dito isto, expirou. (Lc 23.46)

Agora eu pergunto a você: Jesus se suicidou ou se deixou morrer por mãos de Seu Pai celestial? Lendo a afirmação de Lucas, se percebe que Jesus deu de fato sua vida, mas não cometeu um suicídio, antes esperou que o Pai consumasse a obra, recolhendo o Seu espírito. Ou seja, Jesus negou Sua vontade para fazer a vontade do Pai, que era morrer na cruz. Jesus deixou-se crucificar na cruz e, no instante antes de Sua morte, Ele próprio assumiu a liderança sobre Sua vida, entregando o Seu espírito ao Pai. Ocorre que a morte só se consumou quando o Pai recebeu o espirito de Jesus, portanto quem de fato extinguiu a vida de Jesus foi Seu Pai celestial. Então, aplicando a nós, devemos agir contrário a nossa vontade, por exemplo, no caso da ira, do ciúme, da inveja ou do medo. Depois devemos tomar o instrumento de fazer morrer a natureza terrena nestas coisas e, ao final, entregar tudo ao Pai celestial para que o Senhor execute a sentença de morte sobre nós. Com isso quero dizer que fazer morrer nossa natureza terrena existe firme determinação de nossa parte em querer isto para nossa vida e o consequente agir de Deus executando a sentença de morte. É por isso que Jesus declarou que, no caso do ramo na videira verdadeira, quem exerce o papel de cortar o ramo que não dá fruto é o próprio Pai celestial (Jo 15.2). Voltemos então a cena de Isaque, conforme relatei no texto anterior:

Este não foi o caso de Isaque. Ele subiu ao monte com seu pai Abraão, consciente que haveria um sacrifício. O problema era que não havia nenhum cordeiro com eles. Depois do seu pai arrumar o altar, Isaque olhou para os lados deveras preocupado – nada de cordeiro. Então o pai pediu para ele próprio, Isaque, se colocar sobre o altar. Ele era jovem, vigoroso, Abraão estava com mais de cem anos. Por certo ele poderia correr com todas as suas forças, descendo o monte. Mas ele não o fez, antes deixou seu pai o amarrar sabendo que o fim era eminente.

 Aqui vemos Isaque se deixando amarrar, mas o cutelo que haveria de descer sobre ele veio da parte de Abraão, portanto na perspectiva das escrituras, se temos de fazer morrer a nossa natureza terrena, de algum modo temos de impor nossa vontade no processo, por outro, temos de dar lugar para que o Espirito de Deus faça também sua parte, que é executar sobre nossa carne a sentença de morte. Talvez ainda assim você tenha alguma dificuldade de como juntar estas duas coisas aplicáveis em nossa vida, pois como será possível colocar algo diante de Deus para que Ele execute Sua sentença de morte? Para você entender como mortificar sua carne, ou seja, sua natureza terrena, deixe-me terminar este texto apresentando a circuncisão de Cristo. Leia por você mesmo:

Nele, também fostes circuncidados, não por intermédio de mãos, mas no despojamento do corpo da carne, que é a circuncisão de Cristo, (Cl 2.11)

Antes de explicar o texto, cabe-nos uma pergunta: – o que é circuncisão?  Basicamente circuncisão é um procedimento cirúrgico “onde se retirava um pequeno pedaço de pele, chamado prepúcio, do órgão genital masculino”. Esta operação se dava oito dias após o menino ter nascido. Então a primeira coisa que entendemos é que o menino era exposto diante de alguém que executava a operação. Tudo que o menino precisava fazer era ficar quieto até a operação ocorrer. Temos um relato deste ato cirúrgico realizado com toda uma tribo no Antigo Testamento.

E deram ouvidos a Hamor e a Siquém, seu filho, todos os que saíam da porta da cidade; e todo homem foi circuncidado, dos que saíam pela porta da sua cidade. Ao terceiro dia, quando os homens sentiam mais forte a dor, dois filhos de Jacó, Simeão e Levi, irmãos de Diná, tomaram cada um a sua espada, entraram inesperadamente na cidade e mataram os homens todos. (Gn 34.24,25)

Se observar atentamente o texto, haverá de entender que o ato cirúrgico da circuncisão foi feito por alguém, cabendo cada homem apenas expor sua genitália para que tal obra se consumasse. Vamos colocar isso em outra linguagem: o pênis de alguém era exposto, o médico puxava a pele chamada prepúcio, depois que ela passasse por sobre a glande, o bisturi realizava o corte. Desde aquele momento em diante a glande ficava sem nenhum pedaço de carne cobrindo-a. Eu creio que agora você começa a entender como opera a circuncisão de Cristo na nossa carne, isto é, na nossa natureza terrena.

Basicamente, quando Paulo instrui que devemos fazer morrer nossa natureza terrena, por tudo quanto foi exposto, o que de fato devemos fazer é, no caso da ira, reconhecer que somos iracundos, expor diante de Deus toda a extensão de nossa ira, então clamar pela circuncisão de Cristo, isto é, permitir que o próprio Espírito de Deus faça o corte cirúrgico de nossa carne, com isso a ira perde completamente seu poder. Com isso quero dizer que preciso reconhecer que eu não sou a ira, antes a ira é uma obra de carne em mim. Compreendido a completa distinção entre quem eu sou  e quem é a ira em mim, eu oro ao Senhor dizendo:

– Senhor, reconheço que a ira que está em mim é obra de carne e, com base neste reconhecimento, exponho a ira que está em mim diante de ti para que o Senhor realize o ato cirúrgico de cortar o poder da ira de minha carne. Oro em nome de Jesus. Amém.

Ao fazer orações como esta, você esta dando o pleno direito ao Espírito de Deus executar a circuncisão de Cristo, ou seja, cortar o poder da carne em sua vida. Se você me perguntar como o Espírito de Deus fará isso, eu respondo: -usando de todo recurso que seja necessário para que o poder da carne não exerça mais domínio sobre você. Com isso quero dizer que o Espírito Santo poderá afastar pessoas de você ou aproximar, poderá mostrar material escrito que deva ser removido de você ou trará literatura que poderá tratar com sua forma de pensar. Poderá expor você a uma grande humilhação ou o fazer tão sensível a consciência que você simplesmente para de agir conforme a obra da carne. Eu considero esta a oração mais corajosa que se possa fazer diante de Deus, porquanto é impossível saber como Ele agirá para executar a sentença de cortar o poder da carne em nós, mas quando o fizer, temos de aguentar o tranco.

Comente este texto, isto me ajudará a aprofundar pontos que possam não ter ficado caros para você. Compartilhe com seus amigos e amigas. Vejo você no próximo texto.

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