Reflexões

Como você vê o outro reflete você

Então, Saul se indignou muito, pois estas palavras lhe desagradaram em extremo; e disse: Dez milhares deram elas a Davi, e a mim somente milhares; na verdade, que lhe falta, senão o reino? Daquele dia em diante, Saul não via a Davi com bons olhos. No dia seguinte, um espírito maligno, da parte de Deus, se apossou de Saul, que teve uma crise de raiva em casa; e Davi, como nos outros dias, dedilhava a harpa; Saul, porém, trazia na mão uma lança, (I Sm 18.8-10)

A perspectiva como temos de outra pessoa afeta profundamente nosso comportamento porque esta perspectiva nada mais é que a projeção de nós mesmo no outro. Nosso problema é que nunca pensamos no outro nestes termos, antes ligamos um piloto automático e, por este mecanismo interno, vamos emitindo juízos sobre nosso semelhante sem questionarmos a razão de o fazermos. Pode parecer estranho, mas incorremos no hábito de julgar uns aos outros com maior frequência do que admitimos para nós mesmo. O que não percebemos é que este hábito afeta profundamente o modo como nos relacionamos com as pessoas. E por que isso ocorre?

Imagine a seguinte cena: você está com fome, se dirige ao restaurante self service e prontamente serve seu prato. Ao final do buffet você lê uma pequena placa dizendo: “ovo frito na hora, só pedir”. Seus olhos se voltam para todo o buffet e, repentinamente você é tomado de ira se perguntando como pode não ter ovo frito para ser servido hora. Seu espírito entrou no restaurante pensando em ter tudo pronto para comer. Não entrou nesta conta temporal o fato de você ter de esperar na fila, servir seu prato, pesar na balança, escolher uma mesa, comer, levantar-se da mesa, seguir para o caixa, aguardar na fila sua vez, fazer o pagamento e sair do restaurante. Aliás, se a fila for maior que o suportável, se ela andar muito devagar, se houver só uma balança e só um caixa que justifica o atraso no atendimento, sua ira assalta você com muita facilidade, reclamando do péssimo atendimento daquele restaurante.

Certa vez entrei em um restaurante em dois momentos, quando havia somente 200 lugares, depois com 400. Em ambos notei algo interessante. Para servir era preciso percorrer uma fila imensa, contudo havia uma certa sincronia entre a fila e o número de cadeiras, isto porque apesar de todas as mesas ocupadas, à medida que o andar da fila prosseguia, as mesas iam sendo esvaziada, gerando o rodizio necessário para que todas as pessoas tivessem uma mesa disponível na sua vez. Se não fosse a fila, se tudo fosse muito mais rápido, por certo não haveria mesa suficiente. O fato é que poucos observam este detalhe, pois cada um quer ser servido o mais rápido possível, comer com toda celeridade e sair tão rápido como entrou.

Não percebemos, mas temos a tendência de esperar tudo pronto e acabado. Temos um senso de endeusamento dentro de nós, queremos ser como Deus o é, ter o poder de falar e tudo ser feito. Nós lemos o modo como Deus criou os céus e a terra e pensamos que foi simples assim, Ele disse: – haja luz, e logo a luz surgiu. Se Deus pode fazer tudo em um estalar de dedo, porque não nós? Assim, percebemos o outro como um ser acabado: o filho mal nasceu, já devia fazer tudo certo, se chora, perturba o ambiente, se está quieto, então não é inconveniente. O adolescente não pode ter crise de identidade, devia ser o que sempre foi; o jovem devia saber que profissão seguir, nem pensar trocar de faculdade; o adulto devia fazer tudo certo, não há lugar para erros. Nós olhamos as pessoas pelo retrovisor, se alguém se dispõe a fazer algo, então devia acertar na primeira vez, caso contrário é um inútil, não aprendeu nada com o passar dos anos.

Saul viu Davi derrotar o gigante Golias. Elevou-o a condição de comandante de suas forças militares. Todavia quando percebeu que a fama de Davi aumentava com o passar do tempo, se irritou profundamente com seu desempenho, revoltando-se contra Davi. A partir daquele momento não importava o que Davi fizesse, todos seus feitos irritava profundamente Saul. Saul não via Davi como alguém que estava crescendo e tinha um futuro promissor, antes como um competidor que estava lhe fazendo sobra. O desejo de Saul era que Davi fosse um produto acabado, manipulado a seu bel prazer, por esta razão, Davi era como o ovo por fazer, mudava a rotina tão acalentada pelo rei, se comportava como o diferente em contraste com todos os demais pratos prontos para serem servidos. O que Saul não percebia era que seu desejo de moldar as coisas à sua volta conforme suas perspectivas lhe impediam de se relacionar com Davi de forma sadia. Por adotar esta perspectiva, Saul abriu a porta para toda sorte de sentimento nefasto, começando pela inveja, culminando na ira irascível ao ponto de querer Davi morto. Pode parecer estranho, mas o modo como vemos o outro reflete em muito quem de fato somos.

pensador

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“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Rm 6:23)

 

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