Mensagens

Compreendendo a correção divina

Porque a ocasião de começar o juízo pela casa de Deus é chegada; ora, se primeiro vem por nós, qual será o fim daqueles que não obedecem ao evangelho de Deus? (I Pd 4.17)

Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e, assim, coma do pão, e beba do cálice; pois quem come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si. Eis a razão por que há entre vós muitos fracos e doentes e não poucos que dormem. (I Co 11.28-30)

Praticamente toda igreja evangélica tem um dia, que se alterna mensalmente, para celebrar a ceia do Senhor. De tempo em tempo, com certa frequência, as instruções do apóstolo Paulo para a ceia do Senhor constante no capítulo 11 da primeira epístola aos Coríntios é lida. Vez ou outra é dada destaque ao texto que se retrata os tipos de juízos vindos de Deus sobre muito daqueles que tomam a ceia sem discernir o corpo do Senhor. Quando lido os juízos são retratados em três categorias: muitos ficam fracos, outros doentes e outros vão a óbito. Geralmente, quando este texto é lido, nenhum comentário é feito por ser considerado um retrato muito duro do juízo divino, ademais, mesmo os mais experientes pastores e presbíteros não estão devidamente equipados para discernir quais são estes cristãos que incorrem nos citados juízos. Realmente não é uma tarefa fácil, porquanto podemos facilmente incorrer em erros, visto ser necessário grande discernimento espiritual para identificar a relação entre a participação indigna da ceia e as consequências causadas por este ato imprudente.

Uma coisa é certa, independente da dificuldade de aplicar o texto bíblico na prática, ele é uma realidade. Para compreendermos o que o Senhor está a falar acerca do juízo sobre quem toma a ceia indignamente, comecemos pela síntese da cosmovisão bíblica que retrata este assunto. Deus criou o homem perfeito, na desobediência incorreriam no juízo da morte. Adão desobedeceu, vindo a incorrer no juízo divino, desde então a morte foi introduzida no seio da humanidade. O diabo, deus deste século, encontrou ambiente fértil para alcançar seu objetivo de roubar, matar e destruir, influenciando gerações e gerações de humanos neste propósito. Deus não ficou impassível diante da queda, antes enviou Seu próprio Filho para morrer na cruz, ao terceiro dia ressuscitou, vindo assentar-se a destra de Deus. A ressurreição de Jesus Cristo produziu uma radical mudança de perspectiva da saga humana, porquanto nenhum dissabor desta vida tem o poder de nos separar do amor de Deus.

Antes de morrer na cruz, o Senhor Jesus deixou-se julgar pelo rei Pilatos. Em dado momento do julgamento o rei quis demonstrar ter autoridade para livrar Jesus da morte, ao que o Senhor respondeu: “Nenhuma autoridade terias sobre mim, se de cima não te fosse dada; por isso, quem me entregou a ti maior pecado tem” (Jo 19.11). O que Jesus declarou, aplicado a nós, é que nenhuma circunstâncias, por mais adversa que seja, virá sobre nós senão for permitida por Deus. É neste contexto que se insere os juízos sobre quem toma a ceia indignamente, eles podem incorrer em fraqueza de toda natureza, muitos tipos de enfermidades e, mesmo, vindo a óbito. E por que estes cristãos estão incorrendo nos juízos divinos? Deixemos que a própria Bíblia responda: “porque o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe” (Hb 12.6). Quer tenhamos ou não consciência, concordemos ou não, Deus está executando juízos em Sua casa, isto é, no seio da igreja, porquanto estes juízos se constituem em correções divinas feitas porque Deus ama Seu povo.

Os estudiosos do Antigo Testamento conhecem de perto como Deus exerce juízo sobre seu povo. Israel, povo de Deus, viveu por 400 anos no Egito, vindo a tornar-se escravos. Libertos, tinham clara instruções de como deveriam ocupar Canaã. Falhando, dividiram em duas tribos, Israel ao norte, formando por dez tribos e Judá ao Sul, por duas tribos. Israel veio a adorar o bezerro de ouro, não se arrependendo, foram subjugados pelos Assírios. Judá, seguindo o mesmo caminho, veio a ser presa da Babilônia. Aqui foi ficando cada vez mais claro que Deus usa homens para tratar com homens, mesmo os ímpios, porquanto, a Assíria, por agir com muita dureza nos juízos perpetrados contra Israel, veio a ser subjugados pelos babilônicos. Os babilônicos, por sua vez, foram destruídos pelos medo-persas, estes pelos gregos e estes pelos romanos.

Jesus nasceu durante o império romano. Os judeus rejeitaram Jesus, os romanos o crucificou, resultado, Jerusalém foi destruída pelos romanos, que, centenas de anos depois, deixou de existir como império. Os judeus perambularam pelas nações por quase 2.000 anos, até que puderam voltar à sua terra, em 1948. Eles são uma prova viva que Deus corrige seu povo, contudo com misericórdia, não se esquecendo deles, antes os resgatando novamente, como podemos ler: “… porque perdoarei aos remanescentes que eu deixar” (Jr 50.20). Precisamos entender que a morte não é problema para Deus, porquanto depois dela vem a ressurreição, assim, se necessidade houver de fazer um filho seu passar por qualquer prova que seja, fraqueza de qualquer espécie, enfermidade dos mais diferentes tipos ou mesmo o óbito, na ressurreição tudo será restaurado, o que fica é o tratamento do caráter deste que entrou em juízo.

Há um caso notável que retrata esta realidade. Paulo encontrou na igreja de Corinto um cristão que era amante de sua madrasta. Paulo imediatamente o sentenciou a exclusão do corpo de Cristo, não sem antes fazer a seguinte afirmação: “em nome do Senhor Jesus, reunidos vós e o meu espírito, com o poder de Jesus, nosso Senhor, entregue a Satanás para a destruição da carne, a fim de que o espírito seja salvo no Dia do Senhor [Jesus]” (I Co 5.4,5). Neste caso podemos observar duas coisas, houve o devido zelo do líder da igreja em tratar do assunto, Deus mesmo iria agir delimitando o poder de Satanás até concluir o tratamento que este filho rebelde estava recebendo, com a garantia que nada lhe faria perder sua salvação, ainda que o juízo viesse a ser duríssimo. Hoje, mesmo que os pastores se abdicaram de levar suas ovelhas à correção, o próprio Deus continua zelando por Sua igreja, não abstendo de exercer a correção, portanto o que está previsto no texto da ceia é uma realidade, ainda que tenhamos dificuldade de discernir ela.

pensador

    http://cezarazevedo.com.br/plano-de-salvacao-por-pergunta/

    http://cezarazevedo.com.br/estudo-para-novo-convertido-0110/

    http://cezarazevedo.com.br/estudo-para-batismo-0110/

    http://cezarazevedo.com.br/ministracao-para-libertacao-interior-e-perdao/

 

“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Rm 6:23)

 

Leave a Comment