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Coronavírus e a intercessão mundial

O coronavírus impõe uma corrida em favor da vida para toda a humanidade em todas as nações. Esta pandemia mundial está deixando perplexas as pessoas: sistemas de saúde estão entrando em colapso, a economia está caminhando para processos recessivos, governos estão tomando novas medidas a cada minuto em função das circunstâncias impostas de forma dramática. Ninguém sabe como esta crise terminará e nem quando, muito menos como será o dia seguinte a esta epidemia.

Este nível de perplexidade nos faz lembrar a mesma perplexidade com que se deparou o profeta Habacuque. Este profeta viveu em uma época extremamente iníqua de Israel, contudo o que mais chamou sua atenção foi o procedimento dos poderosos. Em essência ele notou o alto índice de corrupção das autoridades em geral, sintetizada nestes termos:

Por que me mostras a iniquidade e me fazes ver a opressão? Pois a destruição e a violência estão diante de mim; há contendas, e o litígio se suscita. Por esta causa, a lei se afrouxa, e a justiça nunca se manifesta, porque o perverso cerca o justo, a justiça é torcida. (Ha 1.3,4)

Diante deste nível de corrupção, ele questionou a Deus como trataria esta questão, porquanto a muito ele estava intercedendo e nada mudava como podemos ler: “Até quando, SENHOR, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritar-te-ei: Violência! E não salvarás?” (Ha 1.2). Desde a operação intitulada Lava Jato, muitos cristãos também estiveram orando a Deus para que este estado de coisa mudasse, em especial, no Brasil. A situação da corrupção havia tomado proporções gigantescas, com denúncias vindas de todas as esferas de governo, de todas as instâncias de poder: executiva, legislativa e judiciária. De certo modo estávamos nas mesmas condicionantes de Habacuque. Então Deus respondeu a Habacuque como ia tratar com a nação de Israel e sua reposta foi avassaladora. O verso que traz a resposta de Deus a oração de Habacuque é usado por muitos pregadores de forma afirmativa, todavia no contexto do profeta, ele entendeu com clareza o agir divino e ficou perplexo com o que ouviu. Leiamos a resposta de Deus a Habacuque:

Vede entre as nações, olhai, maravilhai-vos e desvanecei, porque realizo, em vossos dias, obra tal, que vós não crereis, quando vos for contada. (Ha 1.5)

Este mesmo texto foi resgatado por Paulo no Novo Testamento ao fazer menção da ressurreição de Jesus Cristo. E Paulo usou este texto como uma forma de advertência, porquanto depois de anunciar a remissão dos pecados por intermédio do sacrifício de Jesus Cristo, ele, antes de anunciar este mesmo texto profético, faz a seguinte recomendação: “Notai, pois, que não vos sobrevenha o que está dito nos profetas” (At 13.40). Então, depois desta advertência cita Habacuque 1.5. Basicamente Paulo reposicionou a história no mesmo ponto em que vivenciou o profeta Habacuque. O que Paulo queria demonstrar ao citar Habacuque 1.5. O que este texto estava dizendo nos tempos de Habacuque?

Israel era o povo escolhido por Deus. No entanto havia se desviado da lei de Moisés, deixando a corrupção contaminar todas as formas de relações sociais. Então, em vista do questionamento do profeta, perguntando até quando Deus iria permitir aquele estado de coisas, o Senhor respondeu que a solução divina viria por meio da invasão da Babilônia, o que faria de Israel uma nação subjugada e oprimida por este governo tirano. De certo modo podemos dizer que toda nação da terra cujo endividamento faz sangrar suas finanças públicas estão nas mesmas condições de Israel daquele tempo quando do jugo da Babilônia. Diante desta atitude divina, Habacuque primeiro ficou surpreso, depois se colocou em intercessão procurando entender o que Deus estava fazendo.

A surpresa de Habacuque decorreu do fato de ser Deus Santo e não poder compactuar com o mal, portanto lhe era incompreensível como Deus poderia usar do poder tirânico da Babilônia para tratar com seu povo Israel. Habacuque expressou esta surpresa porque não correspondia ao entendimento que ele tinha do caráter divino.

Então, passam como passa o vento e seguem; fazem-se culpados estes cujo poder é o seu deus. Não és tu desde a eternidade, ó SENHOR, meu Deus, ó meu Santo? Não morreremos. Ó SENHOR, para executar juízo, puseste aquele povo; tu, ó Rocha, o fundaste para servir de disciplina. Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal e a opressão não podes contemplar; por que, pois, toleras os que procedem perfidamente e te calas quando o perverso devora aquele que é mais justo do que ele? (Ha 1.11-13)

Nós podemos contemplar o surto do coronavírus e fazer a mesma pergunta: Como pode o Deus Santo permitir o mal atingir proporções epidêmicas? Esta é uma pergunta resultante da perplexidade que tempos como este nos traz. Habacuque não tinha a resposta e se colocou em oração em busca de compreensão:

Pôr-me-ei na minha torre de vigia, colocar-me-ei sobre a fortaleza e vigiarei para ver o que Deus me dirá e que resposta eu terei à minha queixa. (Ha 2.1)

 A situação visualizada por Habacuque era dramática para a história de Israel. De fato quando a Babilônia veio sobre Israel, o templo foi completamente destruído e o povo levado prisioneiro. Foi neste tempo da história que surgiu o profeta Daniel, um jovem que foi levado entre os cativos e veio a se tornar um bem sucedido servidor público no governo da Babilônia e, depois no reino Medo-Persa. Deus usou aquele período de cativeiro para tratar com Israel fazendo ansiar pelo retorno a Israel, como o salmista bem expressou:

Às margens dos rios da Babilônia, nós nos assentávamos e chorávamos, lembrando-nos de Sião… Se eu de ti me esquecer, ó Jerusalém, que se resseque a minha mão direita. (Sl 137.1,5)

O tempo passou e o dia do retorno chegou, não sem antes Neemias clamar em oração a Deus para que o templo de Jerusalém pudesse ser reconstruído:

Tendo eu ouvido estas palavras, assentei-me, e chorei, e lamentei por alguns dias; e estive jejuando e orando perante o Deus dos céus. E disse: ah! SENHOR, Deus dos céus, Deus grande e temível, que guardas a aliança e a misericórdia para com aqueles que te amam e guardam os teus mandamentos! (Ne 1.4,5)

A oração de Neemias fora uma resposta a oração de Habacuque, o profeta visionário que clamou a Deus para agir em meio a crise nacional que se abateria sobre Israel. Naquela época Habacuque orou:

Tenho ouvido, ó SENHOR, as tuas declarações, e me sinto alarmado; aviva a tua obra, ó SENHOR, no decorrer dos anos, e, no decurso dos anos, faze-a conhecida; na tua ira, lembra-te da misericórdia. (Ha 3.2)

Deus havia se lembrado da misericórdia, primeiro por Daniel, que orou pela saída da Babilônia:

no primeiro ano do seu reinado, eu, Daniel, entendi, pelos livros, que o número de anos, de que falara o SENHOR ao profeta Jeremias, que haviam de durar as assolações de Jerusalém, era de setenta anos. Voltei o rosto ao Senhor Deus, para o buscar com oração e súplicas, com jejum, pano de saco e cinza. (Dn 9.2,3)

Daniel orou ainda no cativeiro, Neemias orou findo o cativeiro, já no retorno. Esta oração foi tão poderosa que direcionou a história de Israel para a primeira vinda de Jesus Cristo e sua morte e ressurreição. Note como Deus agiu soberano na história. Usou do cativeiro da Babilônia para que Israel se preparasse para a volta de Jesus Cristo. Para isso era necessário que o templo fosse reconstruído em Israel. Deus usou da intercessão de Daniel para Israel sair da Babilônia e da intercessão de Neemias para que os recursos necessário a reconstrução do templo chegasse em suas mãos. E ambas as orações foram resposta a oração do profeta Habacuque.

Voltemos agora a crise mundial causada pelo coronavírus. O que Deus está fazendo? Do mesmo modo como o Senhor Deus permitiu Israel ser feito cativo pelo poderoso exército da Babilônia, o Senhor permite que o coronavírus abale as estruturas mundiais. O Senhor mesmo prometeu que faria coisa deste tipo, pois está escrito:

Tende cuidado, não recuseis ao que fala. Pois, se não escaparam aqueles que recusaram ouvir quem, divinamente, os advertia sobre a terra, muito menos nós, os que nos desviamos daquele que dos céus nos adverte, aquele, cuja voz abalou, então, a terra; agora, porém, ele promete, dizendo: Ainda uma vez por todas, farei abalar não só a terra, mas também o céu. Ora, esta palavra: Ainda uma vez por todas significa a remoção dessas coisas abaladas, como tinham sido feitas, para que as coisas que não são abaladas permaneçam. Por isso, recebendo nós um reino inabalável, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus de modo agradável, com reverência e santo temor; porque o nosso Deus é fogo consumidor. (Hb 12.25-29)

Diante do modo como o coronavírus está abalando o mundo, os governantes estão fazendo o que é possível ser feito a luz das ferramentas que lhe estão a mão. A questão é saber o que Deus está fazendo por detrás dos bastidores da história. O propósito divino é praticamente o mesmo, só que com a poderosa Babilônia Deus estava preparando o curso da história para a primeira vinda de Jesus Cristo, agora, ao abalar toda a estrutura mundial o Senhor está conduzindo a história para o retorno glorioso de Jesus Cristo.

O evento da volta de Jesus envolve muitos atos, dentre eles a ressurreição dos mortos e o arrebatamento da igreja, bem como a batalha de Armagedon e o retorno triunfal de Jesus Cristo com seu povo. A ênfase aqui não está nos eventos em si, mas o que Deus espera do seu povo nesta hora de crise mundial. O que nos é dado a fazer é o mesmo que fez Habacuque, Daniel e Neemias, cabe a cada um de nós clamarmos a Deus para que a história segue soberanamente em seu término nos termos de Deus. Cabe a nós clamar por salvação em Cristo Jesus, pela paz de Jerusalém, pelo toque da trombeta para nos encontrarmos com o Senhor e pelo retorno triunfal do Senhor para dar fim da história como hoje a conhecemos. O trabalho é gigantesco, por isso precisamos de intercessores em todas as nações da terra. A parte divina já está sendo feita, cabe agora a nós nos colocarmos em intercessão.

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