EBD: 01/2008

EBD: 04/2008 – A teologia do sofrimento

O sofrimento é resultante da queda. Antes o homem vivia em perfeita harmonia com Deus, consigo mesmo, com seu próximo e com o meio ambiente. Com a queda veio a ser escravo do pecado, por conseqüência sua existência passou a primar pelo conflito e pela dor. Todavia não é possível declarar enfaticamente que todo sofrimento tem como origem o pecado. Antes as causas são multiplicas, necessárias discerni-las, ainda que, em certas conjunturas isso seja completamente impossível fazê-lo. Pode-se ter uma noção básica de quais são as causas para o sofrimento, ainda que sua aplicação a um caso específico nem sempre seja possível de ser feita.

A causa do sofrimento

Certa feita os discípulos andavam com Jesus quando viram um cego de nascença. Aquele homem chamou atenção dos discípulos (Jo 9:1), porquanto havia uma discussão teológica na época, que perdura até os dias atuais sobre a hereditariedade do pecado. Quando Deus apresentou o segundo mandamento a Israel, disse:

“Não te encurvarás diante delas, nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam. e uso de misericórdia com milhares dos que me amam e guardam os meus mandamentos.” (Ex 20:5,6)

Baseado nesta perspectiva os discípulos queriam saber do Mestre se o cego de nascença fora em decorrência de algum pecado hereditário. O budismo explicaria esta situação como sendo decorrente do carma de vidas passadas. Para esta religião todo indivíduo carrega consigo as conseqüências de seus atos, sejam eles positivos ou negativos, formando o seu carma. Assim, potencialmente ele se torna passível de sofrer o efeito positivo ou negativo de tudo quanto fez na vida, bastando uma circunstância favorável para manifestar. Este efeito pode ocorrer, segundo o budismo, tanto nesta vida como em sua reencarnação. Deste modo, segundo uma de suas ilustrações, se uma criança nasceu cega, esta só poderia estar trazendo consigo conseqüências de vidas passadas. No budismo este seria um exemplo que comprovaria ser a vida eterna, passando o indivíduo por uma sucessão de nascimentos e mortes até atingir seu estado de perfeição. Para um budista, portanto, a vida é conseqüência de suas atitudes.

A Bíblia, todavia, assevera que não existe possibilidade de reencarnação, antes só há uma vida, depois da morte vem o juízo (Hb 9:27). O Senhor também demonstrou que o pecado não é a causa básica de todo sofrimento ao dar a seguinte resposta a seus discípulos:

“Nem ele pecou nem seus pais; mas foi para que nele se manifestem as obras de Deus.” (Jo 9:3)

O sofrimento pode não ter causa, apenas acontece

O sofrimento em si é resultante da queda, portanto uma condição da existência neste presente século mal imposta pela escolha do homem em rebelar-se contra Deus. Nesta perspectiva o sofrimento é uma condição da existência. Uma demonstração desta perspectiva está no nascimento da criança. Segundo estudiosos, um dos maiores medos associados à gravidez está na intensidade da dor no momento do parto. Diferente de outros tipos de dores, a do parto é intermitente, começando fraca, aumentando de intensidade até findar o parto, variando de mulher para mulher. Esta dor é influenciada por fatores psicológicos, funcionais e emocionais, criando um ciclo de medo, tensão e dor. O interessante, conforme relato das mulheres é que a dor do parto é uma dor “esquecida” tão logo o bebê está no colo. Interessante que o próprio Senhor faz menção a este fato:

“A mulher, quando está para dar à luz, sente tristeza porque é chegada a sua hora; mas, depois de ter dado à luz a criança, já não se lembra da aflição, pelo gozo de haver um homem nascido ao mundo.” (Jo 16:21)

A dor do parto foi uma das conseqüências da queda, quando o Senhor emitira o seguinte juízo:

“Multiplicarei grandemente a dor da tua conceição; em dor darás à luz filhos …” (Gn 3:16)

O juízo emitido pelo Senhor não pode ser visto como um mal em si mesmo, mas uma condição da existência decorrente de anomalia de diferentes fatores causada pelo fato da criação ter ficado submetida à vaidade de suas escolhas, como está escrito:

“Porquanto a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa daquele que a sujeitou” (Rm 8:20)

Ao momento do parto, fazendo uma reflexão sobre as implicações das dores, Ana Cris Duarte faz a seguinte observação:

“O certo é que uma boa experiência de parto significa, entre outras coisas, lidar com a dor normal inerente ao processo de abertura do colo do útero e aliviar ou eliminar as dores desnecessárias, provenientes de tensões, medos, ambientes impróprios, manobras médicas discutíveis ou presença de pessoas indesejadas.(1)”

Em grau muito menor pode ser considerado a dor da fome que surge nas proximidades dos horários regulares da refeição. Também neste mesmo contexto pode-se observar a dor resultante do esforço do trabalho (Gn 3:19). O fato é que dores em seu maior ou menor grau apenas contribuem para que o indivíduo possa refletir sobre a condição de sua existência, como ser impelido a alimentar-se, ou mesmo permitir a manifestação do agir divino sobre sua vida. Àquele cego foi trazido até Jesus, portanto seu “sofrimento” permitiu-lhe não só ser curado como também conhecer o Senhor, crer Nele e o adorar (Jo 9:38).

Sofrimento comum a toda criatura

O sofrimento pode impactar a todo individuo, indistintamente, não importando sexo, raça, cor, religião ou condição geográfica. Não há como buscar uma causa objetiva para este tipo de afetação e, mesmo que ela seja conhecida, como por exemplo, um tsunami que atinge toda uma região, sua afetação e intensidade variam de indivíduo para indivíduo. O sábio Salomão fez a seguinte declaração acerca deste sofrimento que afeta, indistintamente, as pessoas:

“Tudo sucede igualmente a todos: o mesmo sucede ao justo e ao ímpio, ao bom e ao mau, ao puro e ao impuro; assim ao que sacrifica como ao que não sacrifica; assim ao bom como ao pecador; ao que jura como ao que teme o juramento. Este é o mal que há em tudo quanto se faz debaixo do sol: que a todos sucede o mesmo. …” (Ec 9:2,3a)

No contexto do meio ambiente, hoje há uma preocupação exacerbada sobre as conseqüências das escolhas dos homens sobre o planeta terra, manifesto em desertificação, poluição, ruptura da camada de ozônio, etc. O fato é que a terra vem sofrendo reflexo do pecado desde o jardim do Éden, quando Deus declarou que esta seria maldita por causa da rebelião do homem (Gn 2:17). A presença dos espinhos e das pragas, bem como a incerteza da produtividade pela perda de sua fertilidade afetou indistintamente toda a humanidade. Assim o sofrimento se tornou uma experiência comum à todas as gentes em todas as eras, com maior ou menor intensidade no curso do tempo.

Sofrimento por causa dos ímpios

O sofrimento pode ser produzido intencionalmente por homens maus intencionados, como está escrito:

“Os insensatos, por causa do seu caminho de transgressão, e por causa das suas iniqüidades, são afligidos.” (Sl 107:17)

Schopenhauer, um filósofo, vê homem dotado de três graus da moral: egoísmo, piedade e ascetismo. Destes, para o filósofo, o egoísmo é o mais presente na vida do homem, tendo raízes profundas em sua alma e fazendo do homem o inimigo do homem.

Por conta de sua natureza egocêntrica nata, o homem pode causar sofrimento sobre o outro das mais variadas formas, desde a imperícia no exercício de sua profissão até conduzir uma nação em guerra contra outra, passando pela depredação do meio ambiente, pelo alastramento de doenças infecto-contagiosas, por danos físicos, morais, psíquicos e sociais.

Os atos infringidos pelo ímpio geralmente traz como seqüela principal a injustiça e o sofrimento do inocente. E neste aspecto subjaz uma das perguntas fundamentais da filosofia: “o que podem esperar as incontáveis vítimas inocentes da História? Quem lhes fará justiça?” (Ap 6:10).

Esta foi a incisiva interrogação do salmista (Sl 73), quando sentiu seus pés escorregarem e seu coração embrutecer. Ele via a prosperidade dos ímpios, seus atos soberbos e injustos, suas atitudes insensatas e arrogantes. Percebia que o povo colocava estes homens em pedestais e parecia que nem Deus se importava com seus atos. Foi somente quando o salmista ponderou a existência dos ímpios à luz da palavra de Deus pode compreender a justiça divina (Sl 73:17). Realmente haverá o dia acerca do qual está escrito:

“Iraram-se, na verdade, as nações; então veio a tua ira, e o tempo de serem julgados os mortos, e o tempo de dares recompensa aos teus servos, os profetas, e aos santos, e aos que temem o teu nome, a pequenos e a grandes, e o tempo de destruíres os que destroem a terra.” (Ap 19:18)

(1) http://www.amigasdoparto.com.br/dor.html

pensador

    http://cezarazevedo.com.br/plano-de-salvacao-por-pergunta/

    http://cezarazevedo.com.br/estudo-para-novo-convertido-0110/

    http://cezarazevedo.com.br/estudo-para-batismo-0110/

    http://cezarazevedo.com.br/ministracao-para-libertacao-interior-e-perdao/

“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Rm 6:23)

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