EBD: 01/2008

EBD: 05/2008 – A teologia do sofrimento

Sofrimento causado por escolhas erradas

O sofrimento pode ser fruto da escolha do indivíduo. Isto porque todo ser humano é responsável por suas próprias decisões. O Senhor dissera pelo profeta Ezequiel:

“Eis que todas as almas são minhas; como o é a alma do pai, assim também a alma do filho é minha: a alma que pecar, essa morrerá.” (Ez 18:4)

“A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a iniqüidade do pai, nem o pai levará a iniqüidade do filho, A justiça do justo ficará sobre ele, e a impiedade do ímpio cairá sobre ele.” (Ez 18:20)

Como os homens são seres racionais, dotados da capacidade volitiva, precisam ponderar seus passos. Alias, o livro de provérbios visa capacitar o indivíduo a adquirir prudência, conhecimento e bom senso (Pv 1:4). A palavra de Deus, como um todo, é apta “para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça” (II Tm 3:16). E uma de suas advertências consiste na menção do tempo em que as pessoas não mais haveriam de suportar a sã doutrina (II Tm 4:3).

Não se pretende aqui estabelecer a lei da causa e efeitos como padrão para definir as conseqüências dos atos, mesmo porque o fato de alguém dar início a uma seqüência de ação não implica que a outra parte vai responder na mesma moeda, ou seja, com base na lei da vingança, também conhecida como a do olho por olho e dente por dente (Ex 21:24). Isto porque o Senhor instituiu a lei da graça quando instruiu a multidão que se alguém for agredido em sua face deveria oferecer a outra em resposta (Mt 5:39), colocando deste modo, em prática, o amor a seus inimigos (Mt 5:44). Voltando àquele que dá curso em suas atitudes sem refletir, esta pessoa é responsável por seus atos conforme está escrito:

“Não vos enganeis; Deus não se deixa escarnecer; pois tudo o que o homem semear, isso também ceifará. Porque quem semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; mas quem semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna.” (Gl 6:7,8)

Um exemplo desta verdade se encontra na cura de um enfermo próximo ao tanque de Betesda. Depois deste enfermo ter sido curado pelo Senhor, veio a encontrá-Lo novamente. Foi quando o Senhor lhe disse:

“Olha, já estás curado; não peques mais, para que não te suceda coisa pior”  (Jo 5:14)

Por esta palavra o Senhor demonstra que há sofrimentos que são acarretados pelos pecados cometidos pelo indivíduo. Tiago faz menção desta circunstância quando aconselha a chamar os anciãos da igreja para atender aos enfermos. Ao orientar a aplicação de óleo e a oração, faz ressalva de possíveis pecados que este enfermo possa ter cometido, para, em seguida, acrescentar:

“Confessai, portanto, os vossos pecados uns aos outros, e orai uns pelos outros, para serdes curados. A súplica de um justo pode muito na sua atuação.” (Tg 5:16)

Não é só o pecado, no sentido estrito, que pode causar o sofrimento, mas toda obra da carne ou seja, toda atitude decorrente das escolhas egocêntricas. As decisões fundadas na carne estão em inimizades contra Deus e Sua lei (Rm 8:7) e resultam em morte (Rm 8:6), expressa pelo salmista como um andar pelo vale da sombra da morte (Sl 23:4). É o caso da opção pela vida sedentária ou obesa, que acarretam problemas de saúde, das respostas duras que suscitam a ira (Pv 15:1), da busca desenfreada pelos deleites deste mundo que instigam a cobiça e a inveja (Tg 4:2,3) e tantos outros.

Sofrimento causado por calamidades

Com a queda o mundo foi entregue a corrupção (Rm 8:20,21), por conseqüência ficou sujeito a toda sorte de calamidades, sejam aquelas provenientes da chuva, da estiagem, dos tremores de terra, das erupções vulcânicas, dos tsunamis e tantas outras formas de calamidades. Diante da força da natureza o homem se sente impotente e muitas vezes são assaltados por medos e angustias, isso quando não sofre os prejuízos diretos das devastações.

Foi o caso dos discípulos ao atravessarem o mar. Num dado momento o mar ficou revolto e o barco atirado de um lado para o outro, quase indo a pique. Os discípulos, assustados, acordaram o Senhor e clamara por socorro (Mc 4:38). O Senhor postou-se de pé e ordenou a quietude do mar, demonstrando que as forças da natureza estão debaixo de Seu senhorio, conforme está escrito:

“… e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder …” (Hb 1:3b).

Se por um lado todas as coisas concorrem para o bem dos que amam a Deus (Rm 8:28), por outro chegará o dia em que as calamidades aterrorizarão as nações:

“E haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas; e sobre a terra haverá angústia das nações em perplexidade pelo bramido do mar e das ondas. os homens desfalecerão de terror, e pela expectação das coisas que sobrevirão ao mundo; porquanto os poderes do céu serão abalados.” (Lc 21:25,26)

Sofrimento por causa de enfermidades

Jesus encontrou-se com uma mulher que a 14 anos padecia de hemorragia (Mc 5:25). Esta mulher gastara todo seu recurso com os médicos sem encontrar a cura. Assim como ela, multidão incontável sofre por doenças sem cura, por erros em procedimentos médicos, por impossibilidade de acesso aos recursos de saúde.

Algumas doenças foram decorrentes da imprudência consigo mesmo, outras por fatores alheio a vontade da pessoa. O fato é que o ser humano é passivel de ficar doente, sofrendo com a debilidade de seu organismo, mesmo porque o homem é pó, e ao pó voltará (Gn 3:19)

Sofrimento por causa da justiça

Uma outra forma de sofrimento é aquela que decorre do testemunho da fé em Deus e em Jesus Cristo. Este mundo jaz no Maligno (I Jo 5:19), que é o deus deste século (II Co 4:4), portanto inimigo pertinaz do cristão (I Pd 5:8). Dar testemunho de Cristo significa emitir uma declaração de guerra contra estas forças invisíveis (Ef 6:12), por conseqüência algum tipo de retaliação surge, conforme está escrito:

“Amados, não estranheis a ardente provação que vem sobre vós para vos experimentar, como se coisa estranha vos acontecesse; mas regozijai-vos por serdes participantes das aflições de Cristo; para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e exulteis. Se pelo nome de Cristo sois vituperados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória, o Espírito de Deus.” (I Pd 4:12-14)

No sermão do Monte o Senhor preparou Seus discípulos para esta eventualidade quando declarou ser bem aventurado todo aquele que é perseguido por causa da justiça, pois terá como ganho o reino dos céus (Mt 5:10). Há uma percepção no meio cristão que seguir a Cristo é uma garantia contra o sofrimento, todavia ledo engano, visto que o mesmo Senhor declarou que no mundo o cristão haveria de padecer tribulações (Jo 16:33), sendo elas necessárias para provar a fé (I Pd 1:7). Paulo foi enfático quando declarou:

“E na verdade todos os que querem viver piamente em Cristo Jesus padecerão perseguições.” (II Tm 3:12)

Sofrimento disciplinar

Uma outra forma de sofrimento é aquela em razão do cristão estar sendo moldado por Deus. Este tipo de sofrimento visa aperfeiçoar o caráter cristão, corrigindo tudo que não está em conformidade com a vontade de Deus, conforme está escrito:

“pois o Senhor corrige ao que ama, e açoita a todo o que recebe por filho. É para disciplina que sofreis; Deus vos trata como a filhos; pois qual é o filho a quem o pai não corrija?” (Hb 12:6,7)

Este tipo de disciplina visa conduzir o cristão a se tornar participante da santidade divina (Hb 12:10). Esta santidade já foi obtida quando da justificação visto que tudo quanto necessário foi dado para a vida e a piedade (II Pd 1:3), sendo revelada à medida que o cristão é submetido a experiências existenciais (II Co 4:11) pela ação soberana do Espírito Santo no seu interior (II Co 3:18).

Sofrimento por causa da cruz

O cristão pode sofrer também por optar seguir a Cristo assumindo para si a sua cruz (Mt 16:24). Este tipo de sofrimento é proveniente do cristão recusar a se permitir os prazeres da carne (Gl 5:16), por exercer domínio próprio, subjugando seu corpo (I Co 9:27) para apresentar ao Senhor como instrumento de justiça (Rm 6:13), para conhecer experimentalmente a vontade de Deus para sua vida (Rm 12:1,2). Foi esta a visão que o apóstolo Paulo teve de seu ministério já no início de sua jornada:

“Disse-lhe, porém, o Senhor: Vai, porque este é para mim um vaso escolhido, para levar o meu nome perante os gentios, e os reis, e os filhos de Israel; pois eu lhe mostrarei quanto lhe cumpre padecer pelo meu nome.” (At 9:15,16)

pensador

    http://cezarazevedo.com.br/plano-de-salvacao-por-pergunta/

    http://cezarazevedo.com.br/estudo-para-novo-convertido-0110/

    http://cezarazevedo.com.br/estudo-para-batismo-0110/

    http://cezarazevedo.com.br/ministracao-para-libertacao-interior-e-perdao/

“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Rm 6:23)

Leave a Comment