EBD: 01/2008

EBD: 06/2008 – A teologia do sofrimento

O limite do sofrimento

Se por um lado o sofrimento é inerente a existência enquanto se vive num mundo afeto à queda, por outro todo sofrimento está restrito à soberania divina. A história de Jó é o exemplo mais marcante desta realidade. Jó era um homem de bem, rico e respeitado entre seus pares até que uma série de catástrofes abateu sobre ele. No primeiro ciclo de seu infortúneo Jó teve de suportar a morte de seus filhos e a perda de seu patrimônio. Como se não bastasse veio ser acometido de uma terrível enfermidade, seu corpo ficou coberto de chagas e exalando um cheiro tão terrivel que afastou todas as pessoas de seu convívio. Jó chegou ao ponto de desejar sua própria morte, sendo ainda importunado por três amigos, que lançavam-lhe em rosto acusações pesadíssimas, culpando-o de sofrer por causa de seus próprios pecados.

O que Jó não sabia, não lhe foi dado a conhecer, mas revelado a todo cristão, é que o infortúnio que abateu sobre ele foi promovido por Satanás. O Senhor Jesus declarou enfaticamente que o objetivo do diabo é roubar, matar e destruir (Jo 10:10), sendo por natureza homicida desde sua queda (Jo 8:44). Por outro lado a maior revelação contida na história de Jó não são as desgraças que possam ser da lavra do diabo, mas o fato que qualquer intenção que Satanás desfira contra o ser humano está delimitada no seu poder pela soberania divina, como está escrito:

“Não vos sobreveio nenhuma tentação, senão humana; mas fiel é Deus, o qual não deixará que sejais tentados acima do que podeis resistir, antes com a tentação dará também o meio de saída, para que a possais suportar.” (I Co 10:13)

O proveito e o valor do sofrimento

O sofrimento atinge, indistintamente ao cristão e ao descrente. Quanto ao descrente, o problema é que, por não compreender os propósitos de Deus por lhe parecer loucura (I Co 2:14), ele não tem como discernir suas causas e consequencias (Pv 4:19).  Muitas vezes o sofrimento que lhe é imposto como resultado de sua própria conduta (Sl 107:17). Já o cristão tem como discernir ou aprender por meio do sofrimento. O conhecidíssimo salmo 23 faz menção a esta capacidade quando diz:

“Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.” (Sl 23:4)

A vara e o cajado são dois instrumentos do pastoreio. A função da vara é corrigir e o do cajado é tirar da situação de aperto, mesmo porque está escrito:

“Pois eu bem sei os planos que estou projetando para vós, diz o Senhor; planos de paz, e não de mal, para vos dar um futuro e uma esperança.” (Jr 29:11)

Foi o que aconteceu com o apóstolo Pedro. Ele dissera ao Senhor, enfaticamente, que jamais o negaria. O Senhor então lhe disse que naquela mesma noite, antes do galo cantar três vezes, ele haveria de negar o Senhor. Então acrescentou:

“Simão, Simão, eis que Satanás vos pediu para vos cirandar como trigo; mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, quando te converteres, fortalece teus irmãos.” (Lc 22:31,32)

O sofrimento de Pedro cumpriu o propósito de fazê-lo achgar-se mais perto de Deus, além de conhecer sua própria estrutura. Então ele se tornou apto a ajudar outros, escrevendo:

“que pelo poder de Deus sois guardados, mediante a fé, para a salvação que está preparada para se revelar no último tempo; na qual exultais, ainda que agora por um pouco de tempo, sendo necessário, estejais contristados por várias provações, para que a prova da vossa fé, mais preciosa do que o ouro que perece, embora provado pelo fogo, redunde para louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo” (I Pd 5-7)

Pedro agora podia consolar seus irmãos porquanto passara por terriveis provações, contudo permanecera fiel ao Senhor. Paulo fez menção desta capacidade do cristão em aprender com seus infortúnios, transmitando ânimo e graça a seus irmãos na fé quando disse:

“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e Deus de toda a consolação, que nos consola em toda a nossa tribulação, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, pela consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus. Porque, como as aflições de Cristo transbordam para conosco, assim também por meio de Cristo transborda a nossa consolação. Mas, se somos atribulados, é para vossa consolação e salvação; ou, se somos consolados, para vossa consolação é a qual se opera suportando com paciência as mesmas aflições que nós também padecemos” (II Co 1:3-6)

Como lidar com o sofrimento

Se for perguntando a um cristão qual o maior sofrimento que ele passou, sua resposta, se alinhada com as escrituras, teria de ser – o próximo. Isto porque uma das funções básicas do sofrimento é fazer o cristão desenvolver sua confiança em Deus. Este foi o aprendizado do apóstolo Paulo quando escreveu:

“Porque não queremos, irmãos, que ignoreis a tribulação que nos sobreveio na Ásia, pois que fomos sobremaneira oprimidos acima das nossas forças, de modo tal que até da vida desesperamos; portanto já em nós mesmos tínhamos a sentença de morte, para que não confiássemos em nós, mas em Deus, que ressuscita os mortos; o qual nos livrou de tão horrível morte, e livrará; em quem esperamos que também ainda nos livrará” (II Co 1:8,9)

Deve-se observar que o apóstolo Paulo enfatizou que o fim último do desespero foi levá-lo a confiar inteiramente na graça de Deus. Portanto um modo prático de lidar com o sofrimento é compreender que, por mais estranha, dura e dificil que seja a prova, Deus está no controle de tudo e, de algum modo, esta prova resultará no bem do cristão. Esta atitude não deve somente ser considerada em momentos de desespero, mas como uma conduta diária, pois está escrito:

“Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não da nossa parte. Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desesperados; perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos; trazendo sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nossos corpos; pois nós, que vivemos, estamos sempre entregues à morte por amor de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nossa carne mortal.” (II Co 4:7-11)

Paulo enfatiza os seguintes aspectos. Primeiro o cristão é templo do Espírito Santo. Não há como dimensionar a importância desta verdade. O Espírito Santo é a presença do próprio Deus dentro do indivíduo. Por ele o cristão tem assegurado seu destino eterno (Ef 1:13,14), sendo Ele próprio a benção prometida a Abraão, extensiva a todo cristão (Gl 3:14). Esta é a benção, contudo também a natureza básica do problema do sofrimento sobre o cristão.

É um problema porque o mundo não conhece o Espírito Santo (Jo 14:17). Como o descrente poderá conhecer a presença do Espírito no cristão? Paulo responde de um modo bem simples: quebrando o vaso de barro, ou seja, o vaso quebra quando o cristão é submetido a tribulação, perplexidade, perseguição, abatimento. Em situações como esta a tendência natural do indivíduo é desfalecer, contudo o cristão prossegue resoluto para o alvo de sua vocação porquanto confia em Deus. Paulo define esta situação como sendo entregue a morte diariamente. É como se o mundo fosse um abatedor, a cada manhã o cristão levanta com uma única certeza, a qualquer instante o golpe mortal poderá ser desferido sobre sua cabeça, contudo confia que, ao ter sido abatido pelo golpe mortal, a vida de Cristo brota da rachadura do vaso. Com isso o descrente começa a compreender que há algo sobrenatural no cristão. Leia:

“Amados, não estranheis a ardente provação que vem sobre vós para vos experimentar, como se coisa estranha vos acontecesse; mas regozijai-vos por serdes participantes das aflições de Cristo; para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e exulteis. Se pelo nome de Cristo sois vituperados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória, o Espírito de Deus.” (I Pd 4:12-14)

Pode-se dizer que o sofrimento que vem sobre o cristão não é nada pessoal. Ou seja, as coisas acontecem com o cristão não porque ele seja alguém, mas porque ele tem o Espirito Santo. O mundo não sabe disso, mas o diabo sabe e incita o mundo contra o cristão porquanto todos que estão mortos em seus delitos e pecados, estes andam “segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos de desobediência” (Ef 2:2). Portanto, consciente ou incoscientemente, acabam por aflingir o cristão como uma manifestação de sua rebelião contra Deus. Da parte do cristão, este apenas glorifica ao Senhor, confiando inteiramente em Cristo Jesus, seu Salvador.

pensador

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“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Rm 6:23)

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