EBD: 01/2008

EBD: 07/2008 – A teologia do sofrimento

Sabe-se que todas as coisas contribuem conjuntamente para o bem dos que amam a Deus (Rm 8:28), todavia, no dia a dia, sob pressão, estando sofrendo, tem-se a tendência de se esquecer desta verdade. Quando a senda do sofrimento não é cruzado por fé, então uma grande diversidade de sentimentos pode abater o cristão.

As tentações inerentes ao sofrimento

O cristão pode se deixar conduzir pela apatia em meio ao sofrimento. Por apatia entende-se o estado de insensibilidade, indiferença, negligência, preguiça, ociosidade, desleixo ou indolência. Faz-se presente quando o indivíduo sente absoluta falta de energia diante dos fatos que lhe sobrevem, não expressando nenhum tipo de emoção ou entusiasmo. Por conta desta desconexão com a realidade, o apático pode ser diagnosticado, no nível mais moderado como tendo depressão, ou no mais extremo como tendo transtorno de identidade dissociativa.

A expressão “apatia” vem do grego “apatheia”, cujo significado expressa “tudo aquilo que afeta o corpo ou a alma”. Na Grécia antiga um grupo liderado por Zenon (313 a.C.) propagara a doutrina chamada estoicismo, segundo a qual a suprema felicidade estava em se libertar das paixões humanas, isto é, da dor, do medo, do desejo e do prazer. Os que alcançavam esta posição conseguiam a suprema libertação.

Num outro extremo o indivíduo pode se tornar amargurado com o sofrimento. A amargura decorrente do sofrimento tem sua raiz em sentimentos tais como inveja, ciume, revolta, etc. É quando a pessoa, incapaz de aceitar a realidade ou assumir sua parcela de responsabilidade, lança sobre outros a culpa pelo que lhe acontece. O amargurado responde as pressões que a vida lhe impõe por meio da decepção, do ódio, da ira ou da agressividade. Sua nocividade é tão grande que a palavra de Deus pede que ela seja extirpada dentre os cristãos para que aqueles que convivem com tal pessoa não sejam contamidados (Hb 12:15).

No meio do caminho o sofrimento pode induzir a pessoa a uma atitude de fixação mental. É quando a mente se fixa numa idéia, lembrança ou sensação única, geralmente causada por traumas, paixões desenfreadas ou sentimento de culpa. Estes pensamentos foram imagens vívidas na mente, como recriando o momento indefinidamente, num processo contínuo em circuito fechado. A fixação pode ser tornar em obsessão, que são “pensamentos recorrentes que interferem com a consciência, sem que o indivíduo seja capaz de fazer nada a respeito”. Neste estágio o indivíduo produz reações que lhe foge ao seu controle, como sensação de pânico, de medo, de ansiedade extrema.

A esperança em meio ao sofrimento

O sofrimento, de certo modo, é um prenúncio de morte. A morte é o último inimigo a ser vencido (I Co 15:26), portanto o maior antídoto ao sofrimento é a esperança da glória vindoura. Paulo escreveu:

“Pois tenho para mim que as aflições deste tempo presente não se podem comparar com a glória que em nós há de ser revelada.” (Rm 8:18)

Nada pode se comparar com a glória que está reservada ao Cristão, esperança esta que foi anunciada por meio da palavra de Deus (Cl 1:5). Não é uma esperança que surgiu agora, mas está reservada à igreja desde a eternidade passada (Ef 3:11). A essência desta esperança é que os “gentios são co-herdeiros e membros do mesmo corpo e co-participantes da promessa em Cristo Jesus por meio do evangelho” (Ef 3:6). Por causa desta glória está escrito:

“e outros experimentaram escárnios e açoites, e ainda cadeias e prisões. Foram apedrejados e tentados; foram serrados ao meio; morreram ao fio da espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, necessitados, aflitos e maltratados (dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos e montes, e pelas covas e cavernas da terra. E todos estes, embora tendo recebido bom testemunho pela fé, contudo não alcançaram a promessa; visto que Deus provera alguma coisa melhor a nosso respeito, para que eles, sem nós, não fossem aperfeiçoados.” (Hb 11:36-40)

Todo sofrimento vale a pena quando se tem em vista a promessa de Deus. Paulo, escrevendo sobre a relação entre esta bendita esperança e o sofrimento, disse:

“e, se filhos, também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo; se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados” (Rm 8:17)

De algum modo a certeza do sofrimento presente se traduz na esperança vindoura. Como o cristão é a imagem e semelhança de Deus (Gn 1:26), tudo quanto o Senhor passou, também passará o cristão, que segue as pisadas do mestre. Se o sofrimento é certo, também o é o consolo do Senhor, razão porque está escrito:

“Ele enxugará de seus olhos toda lágrima; e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem lamento, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas.” (Ap 21:4)

Sofrimento – uma epopéia com final determinado

Não é possível saber quando o sofrimento terminará, todavia sabe-se que ele chegará ao seu termo, isto porque tudo quanto Deus prometeu há de se cumprir. Se ainda o mundo sofre as consequencias do pecado, isto tem razão de ser:

“O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; porém é longânimo para convosco, não querendo que ninguém se perca, senão que todos venham a arrepender-se.” (II Pd 3:9)

É preciso compreender que Deus é soberano, tem todas as coisas sob seu controle e é amor, faz tudo com o propósito de proporcionar o melhor ao cristão. A grande mentira de Satanás no jardim do Éden foi de incitar o homem a desconfiar do amor de Deus (Gn 3:5). Assim, para vencer mesmo em meio ao sofrimento é preciso:

1. Fortalecer a fé:

Foi o caso do pai que chegou ao Senhor. Seu filho sofria terrivelmente. Endemoniado, ora era lançado ao fogo, ora na água. Angustiado, o pai clamou ao Senhor para ajudar-lhe em sua incredulidade (Mc 9:24). É preciso crer ainda que todas as circunstâncias se mostrem desfavorável. Foi este o tipo de fé que Abraão desenvolveu, sendo ele velho e sua esposa estéril (Rm 4:18-22).

2. Mirar-se no exemplo de Cristo:

O cristão deve considerar atentamente o exemplo de vida do Senhor Jesus (Hb 3:1, 12:1,2). O Senhor suportou toda dor e aflição e venceu, sua vitória é a confirmação que todo cristão pode vencer também (Jo 16:33).

3. Considerar o exemplo dos profetas:

Todo aquele que quiser seguir a Cristo piamente padecerá perseguição (II Tm 3:12) porque assim foi com os profetas (Mt 5:12), razão porque o cristão deve estudar atentamente como eles suportaram o sofrimento, conforme está escrito:

“Irmãos, tomai como exemplo de sofrimento e paciência os profetas que falaram em nome do Senhor. Eis que chamamos bem-aventurados os que suportaram aflições. Ouvistes da paciência de Jó, e vistes o fim que o Senhor lhe deu, porque o Senhor é cheio de misericórdia e compaixão.” (Tg 5:11)

4. Aceitar ser consolado por Deus:

O Senhor manifesta Seu consolo ao cristão em meio ao sofrimento (II Co 1:4). Quando o apóstolo Paulo pediu para ser liberto do espinho na carne recebeu como resposta do Senhor que a graça divina lhe bastaria para suportar aquela prova (II Co 12:9). Isto porque no sofrimento é manisfesto a frraquez ado cristão, contudo ao mesmo tempo, o poder de Deus em sustentá-lo, mesmo em meio as maiores adversidades.

5. Ter percepção dos cuidados do Senhor:

O cristão deve estar consciente que o Senhor é bom e que nada lhe sobrevém senão para seu benefício. Se ainda assim há dúvidas em relação a este aspecto, o próprio Senhor convoca o cristão para colocar Deus a prova (Sl 34:8). O cristão pode confiar no socorro do Senhor (Sl 42:11), sabendo que o Senhor é socorro bem presente no dia da ângústia (Sl 46:1). Ainda cansado é possível refugiar-se no Senhor (Mt 11:28-30).

Do ponto de vista humano o sofrimento é uma medida de presssão sempre acima do que se pode suportar. Esta é a própria natureza do sofrimento. Todavia, à luz da palavra de Deus está no estrito limite da capacidade humana porquanto Deus é fiel e bom.

O que resta ao cristão é saber que escolha opta em meio ao sofrimento. Se vai permitir se abater como quem não tem fé ou se vai se fortalecer no Senhor, convicto que todas as coisas cooperam para o seu próprio bem.

Ningúem deve chamar para si o sofrimento, como também não se deve sofrer por seus próprios erros. Todavia uma vez caminhando pela senda do sofrimento o cristão deve confortar-se no Senhor, sabendo que não importa as razões que o levaram a esta condição, uma certeza ninguém pode lhe tirar – o Senhor está com ele, não o abandonou, conforme está escrito:

“Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.” (Sl 23:4)

Assim, suportar ou vencer o sofrimento é, na verdade, uma questão de fé e relacionamento com Deus.

pensador

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“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Rm 6:23)

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