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Evangelizando nos termos de Deus

E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo. Isto dizia, significando de que gênero de morte estava para morrer. (Jo 12.32,33)

Nós precisamos ter correta compreensão sobre o ensino do Senhor sobre como evangelizar para não iniciarmos por uma abordagem negativa, condenatória. Isto porque grande parte dos cristãos entende a verdade sob uma única perspectiva: “somos pecadores, precisamos de um Salvador, Jesus Cristo é a solução”.

Com base nesta perspectiva se inicia o processo de convencimento de outros pecadores para crerem em Jesus. Geralmente se começa apontando a natureza do pecado. Se a pessoa é idólatra, declara que o ídolo nada é senão porta para atuação maligna contra sua vida; se a pessoa comete pecados crassos do tipo: adultério ou prostituição ou crimes contra as leis humanas, lhe é dito que Jesus veio para buscar e salvar o perdido; se a pessoa é apegada ao dinheiro, diz-lhe que ele veio nu para o mundo, assim também será na sua morte, o dinheiro é a raiz de todos os males. Assim, toda argumentação nesta linha tem por objetivo procurar um pecado conhecido na vida da pessoa e confrontar ela de tal modo que ela se preocupe com o juízo divino. Quem assim evangeliza entende que se a pessoa tiver convicção de seu próprio pecado, abrirá o seu coração para ouvir o evangelho. Cristão com esta índole parece ter um radar cujo principal objetivo é identificar o pecado na vida do seu semelhante.

O que estamos a demonstrar é ser um grande erro na evangelização começar com o pecado. Consideremos nossa principal meta neste âmbito, que é levar a alma a Cristo, apresentando-o como único Senhor e Salvador. Se temos clareza desta meta, então como devemos levar alguém a Cristo? Observe que o uso do verbo “levar” implica em tirar a pessoa de onde está para conduzi-la a algum lugar. Se estamos falando literalmente desta ação de “levar”, ao pegar a pessoa pelas mãos poderemos ter um destes cenários: ou ela segue docilmente, ou ela opõe resistência, ou ela age com maior força e, simplesmente, se recusa a ir. Em cada uma destas circunstâncias estamos dependendo totalmente da vontade da pessoa em aceitar o convite. Quem adota este método logo chega a conclusão que este mundo é totalmente refratário ao evangelho, surdo e cego a ele. Se é esta sua conclusão, faça uma pergunta a si mesmo: é possível um morto em relação ao outro ser mais ou menos morto? A resposta é um sonoro não, quem está morto cessou de viver, todos os que estão no cemitério, tem uma só e mesma condição em relação aos vivos, estão mortos.

Creio que você deva estar me perguntando: o que tem a ver o fisicamente morto com a evangelização? Paulo escreveu do nosso estado anterior ao novo nascimento, disse ele: “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados” (Ef 2.1). Se antes estávamos mortos em delitos e pecados, como não existe nem mais morto, nem menos morto, tanto faz a condição existencial de quem não tem a Cristo, permanece o fato dele estar espiritualmente morto. A única condição dele sair deste estado é pela ação poderosa e soberana da parte de Deus, pois lhe é impossível, por si mesmo, mudar seu estado, como o é para todos os que estão enterrados no cemitério. Nesse caso, em particular, quem morreu em Cristo está, na verdade, dormindo, aguardando a hora de sua ressurreição para a vida eterna; quem não preenche este requisito também haverá de ressuscitar, só que, neste caso, para o juízo final e condenação eterna. Em ambos os casos, eles estão totalmente a mercê da convocação divina, nada podem fazer por si mesmo. Este fato demonstra que o morto está totalmente dependente do poder de Deus para mudar sua condição, seja no que diz respeito a morte espiritual em que todo nascido de mulher incorre, seja da morte física, aguardando o desfecho final que lhe será dado por meio da ressurreição – ou para a vida eterna ou para a condenação eterna.

Voltando a questão do espiritualmente morto, se ele nada pode fazer por si mesmo para mudar seu estado do ser, que papel nos cumpre na evangelização? Nós precisamos ser especialistas em ressurreição. Com isso quero dizer que a evangelização depende, muito menos de quem lhe é objeto, e muito mais, praticamente tudo, do evangelista. Por que é importante entender que a governabilidade da salvação está nas mãos do crente, não dos perdidos? Porque se compreendermos o método divino vamos focar muito mais no que nos cabe realizar que nas desculpas daqueles que não querem ouvir o evangelho, vamos estar mais atento nas instruções divinas que nos fiarmos nas aparências das circunstâncias existenciais.

O Senhor nos ensina o modo como devemos proceder na evangelização. Ele foi claro em Sua instrução, Ele declarou: “E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo. Isto dizia, significando de que gênero de morte estava para morrer” (Jo 12.32,33). Observe nesta declaração que, para não ficarmos em dúvida sobre o que significa atrair alguém para Cristo, o próprio apóstolo João fez a interpretação em que condição história Jesus haveria de atrair alguém para Ele – a morte de cruz, sua crucificação. Com este ensino o Senhor Jesus demonstra que a evangelização do perdido deve, necessariamente, começar com a história da cruz, jamais pelo apontamento do pecado. Se nosso objetivo é atrair as pessoas para Cristo, não nos cabe pegar nas mãos dela e puxar em direção a este objetivo, antes apresentar Jesus Cristo, e este crucificado, de tal forma e com tal propriedade, que ela própria se sinta atraído pela mensagem da cruz.

Em síntese, o que estamos a afirmar é que a evangelização começa com a história da cruz, nunca com o pecado. Primeiro precisamos mostrar ao perdido como o próprio Deus se envolveu no problema do homem, dando Seu próprio Filho para que pudéssemos ter a vida eterna. Se nós invertermos esta ordem e começarmos com o pecado, como o seu salário é a morte, o que na verdade estamos fazendo é demonstrar a esta pessoa que ela está em estado desesperador, não havendo esperança para ela. Isto porque primeiro queremos que ela encare a morte de frente, sem antes ela própria ter conhecimento e esperança da solução de Deus: a ressurreição dos mortos. Começar a evangelização do pecado é matar a pessoa duas vezes, a primeira, fazendo-a reconhecer que não há salvação para ela, pois já está espiritualmente morta, a segunda porque tornamos ela própria consciente desta morte espiritual, sem antes termos demonstrado o plano de Deus para a redenção do homem pela morte e ressurreição de Jesus Cristo. Quem assim não procede demonstra não amar seu semelhante por causa de sua abordagem na evangelização, pois quer primeiro mostrar que esta pessoa é pecadora. Quem assim evangeliza, o faz de uma posição de orgulho, pois este tipo de evangelista pensa que o segredo da evangelização é fazer o outro conhecer ou ser convencido que ele é pecador.

Nós precisamos aprender a evangelizar como Jesus Cristo ensinou, começando não pela condenação, antes pelas boas novas do evangelho. Paulo resumiu esta perspectiva com as seguintes palavras, demonstrando que sua meta não era apontar pecados, mas apresentar a Cristo: “Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado” (I Co 2.2). 

pensador

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“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Rm 6:23)

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