Reflexões

Gente como a gente: Jacó

Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará. Porque o que semeia para a sua própria carne da carne colherá corrupção; mas o que semeia para o Espírito do Espírito colherá vida eterna. (Gl 6.7,8)

Caro(a) amigo(a), é bom encontrar você para refletirmos as escrituras juntos. Vamos considerar Jacó, um personagem interessantíssimo do Antigo Testamento e, acima de tudo, gente como a gente. Creio que você sabe que podemos classificar Jacó, na primeira fase de sua vida como um religioso. Isto porque na etimologia básica do termo religião está o respeito pelo sagrado, trazendo a ideia da disposição humana em se religar com Deus.

Você há de convir comigo que se estamos falando sobre religação, isto significa que em algum momento a humanidade se desconectou com Deus. Esta verdade permeia tanto as relações humanas que você deve ouvir muito a expressão “fica ligado”. Todos buscam se conectar uns com os outros, ação esta que perdeu sua naturalidade depois que o primeiro homem rompeu seu relacionamento com Deus ainda no jardim do Éden.

E por que Jacó seria um religioso em sua infância e adolescência? Não sei se você sabe, Jacó era gêmeo de Esaú. E eles viviam em pé de guerra. Deixe-me explicar. Os pais de Jacó tiveram uma profunda experiência com Deus. Isaque e Rebeca herdaram a mesma fé viva de Abraão. E a fé de seus pais influenciou profundamente Jacó, tanto é que ele fazia seus planos futuros contando com Deus e isto ao ponto, veja só, de roubar o direito de herança de seu irmão mais velho.

Creio que você concorda que isto não parece em nada com uma atitude cristã, sob qualquer ótica que se olhe. E ainda hoje tem gente que pensa que grana leva para o céu, que pode comprar seu passe para a vida eterna mesmo com um coração duro, fazendo tudo por interesse. Se lermos o texto de Paulo acima, podemos facilmente tipificar esta atitude de Jacó como quem semeia para a sua carne.

Pense um pouco, Jacó queria herdar as bênçãos de seu avô Abraão, mas o fez por sua sagacidade, comprando o direito da herança com um prato de lentilha. Contudo, fazer as coisas para Deus sem amor, como escreveu Paulo, é ser “como o bronze que soa ou como o címbalo que retine” (I Co 13.1). O resultado é trazer a ira de seu irmão contra ele. Esaú intentou matar Jacó obrigando Rebeca a enviar Jacó para terras distantes.

Quero que você note uma coisa, crer em Deus não faz alguém em si melhor ou pior. Para que isto aconteça, esta fé precisa tomar conta a inteireza do ser de tal modo que você mude o eixo de sua vida. Faça um teste consigo mesmo: das coisas que você fez no dia de hoje, quais foram aquelas que você fez objetivamente em benefício do outro? Difícil, não é?

Nós somos por natureza seres operosos, queremos resolver tudo do nosso jeito, ainda que no íntimo saibamos que tínhamos de buscar sabedoria. Faça uma pergunta a si mesmo: – quantas coisas você faz ou fez com base em algum aprendizado adquirido? Somos ensinados em praticamente tudo quanto fazemos, o problema é que nos desconectamos com nossos mestres e orgulhosamente queremos erigir estátuas ao nosso ego.

O resultado deste comportamento é que nos assemelhamos a um porco espinho, todos que tocam em nós se machucam. É em decorrência desta consequência que Paulo declara estar o indivíduo semeando para a sua carne e colhendo corrupção. Pense um pouco em todos os conflitos nos quais você está envolvido.

Creio que você tem consciência daquele momento que pensava consigo: – não vou dizer isto, nem aquilo e, quando menos esperava, as palavras saiam em borbulhões, jorrando forte, ofendendo, machucando, irritando, perturbando. Não é à toa que em certos momentos as pessoas fogem da companhia de quem age deste modo. Creio que agora você percebe quão fácil é diagnosticar quando estamos semeando para a nossa carne.

Não podemos nos esquecer que nossa conversa gira em torno de Jacó. Nós o encontramos de novo caminhando no deserto. Ele vinha acabrunhado. Tinha o que tanto buscou, mas o preço havia sido alto. À medida que se afastava de seu lar, sentia o remorso aumentar a corrosão de seu coração. Devia perguntar a si mesmo: – como podemos fazer a obra de Deus sem causar uma devastação em volta?

Em dado lugar, com sono, Jacó resolveu dormir com a cabeça apoiada em uma pedra em pleno deserto. Foi quando ele teve um sonho impressionante. Não sei se você já sonhou com tal realidade que se pôs de pé, assustado com o que viu. Eu já tive um sonho assim, foi terrível. Jacó sonhou com uma escada, cujo topo atingia o céu e ninguém menos que o Deus de Abraão e Isaque no mais alto dos altos.

Jacó chamou aquele lugar de Betel, que significa “casa de Deus”, mas ele não disse Betel baixinho. Ele urrou este nome, um som que partiu do âmago do seu ser até explodir em sua boca. Na verdade ele disse: “Quão temível é este lugar! É a Casa de Deus [é aqui que lemos Betel, em hebraico], a porta dos céus” (Gn 28.17). Quem tem uma experiência como esta deixa de ser religioso imediatamente. Jacó passou a ter uma fé viva. Tanto é que depois a Bíblia passa a nominar o Deus criador dos céus e da Terra como sendo o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó.

Será que você poderia acrescer seu nome a esta lista? Eu creio que meu nome deve estar na casa dos bilhões. E eu digo o porquê, leia este relato: “cujo número era de milhões de milhões e milhares de milhares” (Ap 5.11). Esta é uma descrição de uma adoração celestial, que se dará logo depois do arrebatamento da igreja. Surpreso? Quero aproveitar e marcar um encontro com você neste lugar. Eu penso que vou estar de pé na terceira fileira, no terceiro lugar. Gosto desta posição, pois me faz lembrar Daniel, o terceiro no reino de Nabucodonosor (Dn 5.16).

Conhecer a Deus por meio de uma fé viva não é tão simples assim. Jacó que tanto fez para enganar seu irmão e comprar dele o direito de primogenitura, agora estava sendo engado por seu sogro. Você acredita que o sogro de Jacó chegou a mudar o salário dele umas dez vezes? (Gn 31.7). Acho que era porque em Canaã, naquele tempo, não havia a justiça trabalhista como há hoje.

A cada novo engano a que Jacó era submetido, seu coração era quebrantado. Muitas vezes, você e eu precisamos ser duramente golpeados pelas circunstâncias que vivenciamos para adquirirmos consciência de que precisamos mudar de atitude. E Jacó pode descobrir a extensão da transformação pela qual passou no seu retorno para o lar. No meio do caminho, ele se encontrou com seu irmão. Leia por você mesmo como Jacó  agiu com seu irmão:

Perguntou Esaú: Qual é o teu propósito com todos esses bandos que encontrei?

Respondeu Jacó: Para lograr mercê na presença de meu senhor.

Então, disse Esaú: Eu tenho muitos bens, meu irmão; guarda o que tens.

Mas Jacó insistiu: Não recuses; se logrei mercê diante de ti, peço-te que aceites o meu presente, porquanto vi o teu rosto como se tivesse contemplado o semblante de Deus; e te agradaste de mim. Peço-te, pois, recebe o meu presente, que eu te trouxe; porque Deus tem sido generoso para comigo, e tenho fartura. E instou com ele, até que o aceitou. (Gn 33.8-11)

Como você se sentiria se falasse deste modo com aquele a quem você anda de birra? Para brotar palavras como esta de seus lábios, você teria que estar semeando para o Espirito de Deus. Por certo que quem assim faz dá prova de ter um coração transformado e aufere benefícios por toda a eternidade. Deixe dizer uma coisa: quer façamos bem ou o mal, vamos colher o que plantamos, porque Deus é o Criador e o Soberano de todo o universo. Não temos escolha, precisamos refletir acerca de nossas atitudes. Concorda? Que tal compartilhar este texto, penso que seria uma boa pedida. Até a próxima na paz do Senhor.

1 Comentários
  • Edgard J.C.Menezes
    abril 26, 2018Responder

    Gostei muito do texto. Edificante. Os errinhos de português eu sei que são propositais para ver quem só elogia…
    Hoje compreendi (tomei consciência) o que significa “investir na carne’. Obrigado pelo teu empenho Cezar!

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