Comentários em aos Hebreus

Jesus assentado no trono em íntima conexão com a cruzar

Ora, a qual dos anjos jamais disse: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos por estrado dos teus pés? Não são todos eles espíritos ministradores, enviados para serviço a favor dos que hão de herdar a salvação? (Hb 1.13,14)

Caro amigo! Dileta amiga! A posição de exaltação do Senhor Jesus é o texto chave para compreendermos a carta aos Hebreus. O texto de Hebreus 1.13 repete o dito em Hb 1.3. Vamos encontrar esta mesma afirmação em Hb 8.1, em Hb 10.12 e em Hb 12.2, portanto a posição que Jesus Cristo ocupa assentado à destra do trono de Deus é vital para a compreensão do propósito do autor aos Hebreus em escrever esta carta.

Creio que devemos começar nos perguntando qual a razão da necessidade de Deus, o Pai, dirigir estas palavras a Seu Filho Jesus Cristo. Digo isto destacando a primeira palavra do convite “assenta-te”. Se Jesus é convidado a assentar-se, isto significa que passou um tempo ausente do trono de Deus. No entanto, sabendo quem Jesus é, como isso poderia acontecer? E que razão teria Deus para voltar a convidar Jesus para ocupar o lugar que outrora fora seu? E quais as implicações deste convite sobre nós enquanto nascido de novo, crentes em Cristo Jesus?

Primeiro vamos ater a quem Jesus é. E, para isso, precisamos nos colocar como seres humanos que somos, limitados em nossa capacidade de compreender a revelação divina. Digo isto porque hoje, a luz do que sabemos, parece tudo muito simples, contudo por não vermos conexões de prioridades entre o que sabemos, não conseguimos compreender como a verdade impacta em nós. Pense no seguinte: imagine você chegando a uma sorveteria, com todos os sabores disponíveis. Geralmente você sai pegando um de cada, sem se preocupar muito com qual deva estar em cima ou embaixo, do lado ou não, afinal, tudo é sorvete. Agora se você entrasse em uma padaria, onde houvesse a mesma quantidade de sorvete, por certo você haveria de hierarquizar os alimentos, talvez indo primeiro nos salgados para depois nos sorvetes. Assim é a teologia, ela não é como uma sorveteria, tudo tem o mesmo nível de prioridade de entendimento, antes é como uma padaria, assim para dar sentido a nossa compreensão teológica, precisamos iniciar por um dado lugar. Portanto, para conhecer a Jesus por onde começamos?

Nos posicionando hoje, no século XXI, como homens naturais, nosso primeiro contato com Jesus Cristo diz respeito a imagem de um homem crucificado em uma cruz. Mesmo o incrédulo e ateu sabe que houve este homem, viveu entre nós, foi crucificado e morreu. Por mais estranho que seja, este é o ponto de partida de toda a revelação que temos nas escrituras, lembrando que estamos nos posicionando no século XXI. E talvez você me pergunte porque digo isso. Primeiro porque morrer na cruz (ainda que esteja implícito a ressurreição) foi a razão de ser da vinda de Jesus enquanto homem. Isto porque assim que Jesus se deu a conhecer em Seu ministério terreno, houve uma voz que o anunciou dizendo: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (Jo 1.29). Desde então Jesus separou doze discípulos para Si, desenvolveu intenso ministério e, em dado momento, percebendo que seus discípulos estavam prontos para entender o mistério referido por João Batista cerca do Cordeiro de Deus, Jesus revelou sua missão. Vamos ler como isso se deu.

Então, advertiu os discípulos de que a ninguém dissessem ser ele o Cristo. Desde esse tempo, começou Jesus Cristo a mostrar a seus discípulos que lhe era necessário seguir para Jerusalém e sofrer muitas coisas dos anciãos, dos principais sacerdotes e dos escribas, ser morto e ressuscitado no terceiro dia. (Mt 16.20,21)

Precisamos ter isso muito claro em nosso entendimento. Jesus veio para morrer na cruz depois de passar por grande sofrimento. Mas quem é este que está nesta condição de humilhação? Lembra que eu disse que a cruz é o início da revelação que temos acerca de Jesus? Permita-me mostrar de onde tiro esta afirmação. Leia o que Jesus disse:

E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo. Isto dizia, significando de que gênero de morte estava para morrer. (Jo 12.32,33)

Entenda: nós só estamos aqui aprendendo acerca de Jesus porque fomos atraídos pela cruz de Cristo, maior demonstração do amor de Deus por nós, que nos levou a nos arrepender de quem éramos, a crer que Jesus como Cordeiro de Deus que morreu por nossos pecados e, por meio deste sacrifício, fomos reconciliados com Deus, nos permitindo ser regenerados, nascendo de novo. Por certo que, para compreendermos esta obra, outra revelação foi concomitante a esta, revelação esta tida pelo apóstolo Pedro e comum a todos quantos creram em Cristo:

Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. Então, Jesus lhe afirmou: Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus. (Mt 16.16,17)

Não há como crer em Jesus como o Cordeiro de Deus sem saber que este mesmo homem que está a morrer na cruz é o próprio Filho de Deus. As duas revelações são necessárias para compreendermos o drama da cruz. Conforme aprendemos de João, o apóstolo: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” (Jo 1.1), para depois acrescentar: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai” (Jo 1.14). Então temos duas verdades impressionantes e necessárias para compreender a cruz: Jesus é Deus e Jesus é Homem. Agora qual a distância entre uma verdade e outra? Como o Deus, que é o Verto, pode conseguir a proeza de se tornar homem? Paulo expõe para nós como se deu este pré-requisito:

pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz. (Fl 2.6-8)

Aqui está o cerne da questão. Jesus Cristo, para ocupar o lugar de Cordeiro de Deus, para ir à cruz morrer pelos pecadores, passou por um terrível processo de humilhação que começou bem antes de assumir a forma humana, quando esvaziou-se de Sua deidade. Ora, qualquer que entenda o que de fato está ocorrendo aqui deverá ter uma pergunta em mente: – Se Jesus se humilhou a este ponto, haveria Ele de voltar a ocupar Seu lugar de proeminência? Como Jesus resgataria Sua deidade? Ele poderia fazer por um ato de vontade própria? A resposta é não. Desde que Jesus optou por humilhar-se teria de confiar inteiramente em Deus, o Pai para reocupar Sua eterna posição. E será que o próprio Senhor Jesus tinha consciência desta condição em que se colocou? Vamos ler juntos como Jesus tratou a questão.

Tendo Jesus falado estas coisas, levantou os olhos ao céu e disse: Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que o Filho te glorifique a ti, assim como lhe conferiste autoridade sobre toda a carne, a fim de que ele conceda a vida eterna a todos os que lhe deste. E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste. Eu te glorifiquei na terra, consumando a obra que me confiaste para fazer; e, agora, glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo. (Jo 17.1-5)

Aqui vemos o Senhor Jesus em Sua mais importante oração diante de Deus. Ele pede ao Pai voltar a reocupar a glória da qual se esvaziara porquanto Sua determinação prosseguia firme em caminhar para a cruz como o Cordeiro de Deus. Jesus haveria de cumprir cabalmente Seu destino traçado pelo Pai e estava confiante que o Pai voltaria a conceder-lhe o mesmo lugar de direito que Ele tinha antes de esvaziar-se. Foi com base neste contexto que ouvimos o convide de Deus, o Pai, ao Senhor Jesus dizendo-lhe:

Ora, a qual dos anjos jamais disse: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos por estrado dos teus pés? (Hb 1.13)

Esta posição de exaltação de Jesus traz consigo a Sua obediência cabal as ordenanças do Pai que culminou em Sua morte de Cruz. É o consequente do Seu clamor na cruz: “Está consumado” (Jo 19.30). Com este grito o Senhor Jesus estava a declarar que tudo quanto fora necessário para salvar o homem, havia sido feito, nada mais restando a fazer senão assentar-se em Sua posição de glória até que todas as coisas viessem s se realizar, até ser instaurado novos céus e nova terra, até adentrarmos de modo definitivo, na perspectiva humana, na eternidade futura. E, nesta posição gloriosa que o Senhor se encontra, como Ele é visto? Vamos ler juntos:

Então, vi, no meio do trono e dos quatro seres viventes e entre os anciãos, de pé, um Cordeiro como tendo sido morto. Ele tinha sete chifres, bem como sete olhos, que são os sete Espíritos de Deus enviados por toda a terra. (Ap 5.6)

Atente para a expressão “um Cordeiro como tendo sido morto”. A descrição da visão é como se aquele instante da morte de cruz fosse eternizado, como nos dando a entender que os benefícios da cruz são eternos, que quando nos socorremos deste precioso sangue do Cordeiro para pedir perdão por nossos pecados, podemos crer na eficácia deste sangue porque é como se ele estivesse sendo derramado de contínuo, como uma fonte transbordante e superabundante de graça da parte de Deus. Assim é por causa desta íntima conexão entre a cruz e o trono de Deus que Jesus Cristo é apresentado como superior aos anjos.

Comente este texto, isto me ajudará desenvolver outros aspectos do texto que não me foram percebidos. Compartilhe com seus amigos e amigas. Vejo você no próximo texto.

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