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Jesus como pedra angular e sua aplicação na existência humana

Este Jesus é pedra rejeitada por vós, os construtores, a qual se tornou a pedra angular. E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos. (At 4.11,12)

Caro amigo! Dileta amiga! Nosso tema é Jesus enquanto pedra angular. Vamos primeiro buscar o significado desta pedra na construção. Antigamente as construções eram feita de pedras talhadas, hoje de tijolos. Para evitar que as paredes sejam levantadas tortas, o pedreiro deve usar o prumo caso contrario a porta não fecha, o piso fica com reborda, os móveis não se encaixam e, dependendo do desvio, pode ocasionar até problemas estruturais na obra. Para evitar estes tipos de problemas o pedreiro deve usar do prumo, do esquadro e do nível.

Um dos procedimentos é o pedreiro esticar um fio de náilon desde o primeiro até o último tijolo para acompanhar o alinhamento. Por outro lado o pedreiro deve assegurar que a parede esteja alinhada no sentido vertical conferido pelo prumo, no sentido horizontal verificado com o nível e no ângulo com base no esquadro, assegurando que esteja com 90 graus. Este tipo de alinhamento deve ser feito no mínimo umas três vezes, no começo, no meio e ao final e, de preferencia, sob a supervisão do proprietário.

Antigamente, quando as construções eram feitas de pedra, a pedra angular substituía a função do prumo, do nível e do esquadro. A pedra angular era colocada no canto da parede, apontando o prumo para cima, dando o sentido do nível para o horizonte e formando o ângulo correto entre as paredes perpendiculares. Se é certo que a pedra angular faz o papel do prumo, nível e esquadro, ela tem correlação também com o alicerce da obra, porquanto é o alicerce que define a formatação de sua estrutura, garantindo que a obra permaneça de pé. Neste caso a função do alicerce é impedir que o peso da obra possa fazer com que o solo ceda, podendo, inclusive, comprometer as estruturas do imóvel.

Aplicado às escrituras, a pedra angular está diretamente associado ao modo como cada indivíduo conduz sua vida, porquanto a existência é equiparada a um edifício em construção. Um dos textos mais conhecidos deste tipo de comparativos é aquele que se encontra no Sermão do Monte, onde lemos:

Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica será comparado a um homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha; e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, que não caiu, porque fora edificada sobre a rocha. E todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica será comparado a um homem insensato que edificou a sua casa sobre a areia; e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, e ela desabou, sendo grande a sua ruína. (Mt 7.24-27)

Depois de expor todo o sermão Jesus conclui que Suas palavras se assemelham ao homem que edificou sua casa ou na rocha ou na areia. São as vicissitudes da vida que hão de provar o tipo de alicerce em que estas casas estão edificadas. Se ligarmos as palavras do Senhor com o exposto pelo autor aos Hebreus, haveremos de compreender que existem duas casas edificadas por Deus sob diferentes supervisões. A primeira casa foi edificada por Moisés (Hb 3.5), a outra, que somos nós, a igreja, é edificada por Cristo Jesus (Hb 3.6). Quanto a casa do ímpio, seja ele judeu ou gentio não convertido, não importa sua nacionalidade, todo e qualquer indivíduo que não tenha Jesus por Redentor, este edifica sua casa sob areia, portanto Deus não é diretamente interveniente neste processo senão pelo exercício de Sua soberania sobre todo ser vivente.

Vamos considerar primeiro a casa do ímpio que é edificada sobre areia. No texto em epígrafe Pedro adverte que a salvação só é possível em Cristo Jesus e em nenhum outro nome mais. Neste aspecto temos Jesus Cristo como o divisor de águas entre a vida eterna e a morte eterna. Todo ser humano que não tiver seu nome inscrito no Livro da Vida, portanto que não recebeu a Cristo como Senhor e Salvador, será julgado segundo suas obras constantes nos Livros das Obras e, ao final, será lançado no lago de fogo eterno (Ap 20.12,15). Para o ímpio Jesus é a pedra angular que define entre a vida terrena, secular e transitória e a vida eterna. Se ele não colocar Jesus no vértice de sua vida, haverá de sofrer este terrível juízo. Se o fizer será justificado em Cristo Jesus e regenerado por obra do Espirito Santo. É da consciência que temos deste quadro tão terrível e da graça inerente ao evangelho que urge pregar o evangelho a toda criatura.

A segunda casa que temos é a casa de Israel. Devemos nos lembrar que Deus edificou a casa de Israel por mão de Moisés, o grande líder que tirou este povo do cativeiro do Egito para o conduzir a Canaã, terra que manava leite  e mel. A história de Israel é retratada na profecia de Daniel quando faz menção das setenta semanas (Dn 9.24-27). Segundo expos Daniel nesta profecia, em dado momento da história os judeus haveriam de rejeitar o Messias até a consumação de todas as coisas. Neste texto não está dito explicitamente o que virá depois, contudo Daniel faz menção em outras profecias da pequena pedra que haveria de demolir todas as nações e constituir para o Filho do Homem um reino eterno. Expondo em miúdos, Israel haveria de rejeitar a Jesus quando de Sua crucificação, seria espalhado pelo mundo, o que ocorreu nestes dois mil anos de história, então retornaria a sua pátria, como de fato ocorreu em 1948.  Paulo dá continuidade neste cenário escrevendo:

Porque não quero, irmãos, que ignoreis este mistério (para que não sejais presumidos em vós mesmos): que veio endurecimento em parte a Israel, até que haja entrado a plenitude dos gentios. E, assim, todo o Israel será salvo, como está escrito: Virá de Sião o Libertador e ele apartará de Jacó as impiedades. (Rm 11.25,26)

Paulo faz menção a plenitude dos gentios, dizendo que findo este tempo, Israel será salvo, sendo esta a razão principal da segunda volta de Jesus visivelmente manifesta, quando o Senhor colocar Seus pés sob o monte das Oliveiras. Retornando o tempo, quando os judeus rejeitaram a Jesus, eles estavam rejeitando a pedra angular como podemos ler: “A pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, angular” (Sl 118.22). Assim, os judeus rejeitaram a Cristo, por conseguinte o templo foi destruído e eles foram espalhados entre as nações até 1948, quando se tem o marco da reversão deste quadro que se consuma com a segunda vinda visível de Jesus Cristo.

A igreja, por sua vez, que também é comparada a uma casa, sendo esta edificada pelo próprio Senhor Jesus Cristo, também se depara com a pedra angular. Paulo expõe esta verdade escrevendo:

Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor, no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no Espírito. (Ef 2.19-22)

Neste contexto não estamos mais falando em justificação, porquanto todo membro da igreja, pertencente a família de Deus já é justificado e regenerado, estando portanto garantida sua salvação primária, podemos assim dizer. Dizemos primária porque a salvação é pela graça mediante a fé, não por obras para que ninguém se glorie (Ef 2.8,9). Todavia depois de salvos somos santificados e, neste processo haveremos de receber galardão em conformidade com as obras feitas no Espírito Santo e sob a liderança do Espírito Santo. Acerca destas obras Paulo escreve na continuação do texto em que trata do modo como somos salvos:

Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas. (Ef 2.10)

E aqui entra o contexto em que a pedra angular se torna basilar para o que realizamos depois que fomos alcançados por Cristo Jesus. Moisés já escrevera que nem todos nossos dias são contados, mas tão somente aqueles que nos dão sabedoria (Sl 90.12). E a sabedoria faz a seguinte advertência:

Atentai para a minha repreensão; eis que derramarei copiosamente para vós outros o meu espírito e vos farei saber as minhas palavras. Mas, porque clamei, e vós recusastes; porque estendi a mão, e não houve quem atendesse; antes, rejeitastes todo o meu conselho e não quisestes a minha repreensão; também eu me rirei na vossa desventura, e, em vindo o vosso terror, eu zombarei, (Pv 1.23-26)

A repreensão da sabedoria está em conformidade com a carta aos Hebreus capítulo 12, quando nos instrui acerca das disciplinas divinas que nos faz ser participantes da santidade de Deus (Hb 12.10), produzindo com isso “fruto pacífico aos que têm sido por ela exercitados, fruto de justiça”(Hb 12.11). O que a repreensão da sabedoria nos instrui é que se não dermos ouvido a palavra de Cristo, se não edificarmos nossa vida em todos os aspectos com base na palavra de Deus, se Cristo não for a pedra angular em qualquer faceta espiritual que edifiquemos, esta parte de nossa vida não suportará a prova, haverá de ser demolida, nos trará aflições, ou seja, deixaremos de recebermos galardãos quando estivermos diante do tribunal de Cristo. Neste tribunal "cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo" (II Co 5.10)

Por fim, podemos considerar Jesus como a pedra angular na interface de tudo com o que nos relacionamos em nossa existência. Jesus é como a liga entre os subconjuntos de um sistema. Entenda: somos formados de corpo, alma e espírito, o outro que é nosso próximo também é formado da mesma matéria que nós o somos. Não podemos nos relacionar com esta outra pessoa se não o fizermos mediado pela pedra angular, que é Jesus. Esta é a razão de muitos relacionamentos não se sustentarem ao longo do tempo, porquanto não convidam o Senhor para fazer parte dela. Do mesmo modo nenhuma de nossas obras poderia ser executada sem que o Senhor fosse nela interveniente enquanto pedra angular, razão do apóstolo Paulo nos dar o seguinte conselho:

E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai. (Cl 3.17)

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