Comentários em aos Hebreus

Jesus Cristo é nosso irmão mais velho

Porque convinha que aquele, por cuja causa e por quem todas as coisas existem, conduzindo muitos filhos à glória, aperfeiçoasse, por meio de sofrimentos, o Autor da salvação deles. Pois, tanto o que santifica como os que são santificados, todos vêm de um só. Por isso, é que ele não se envergonha de lhes chamar irmãos, dizendo: A meus irmãos declararei o teu nome, cantar-te-ei louvores no meio da congregação. E outra vez: Eu porei nele a minha confiança. E ainda: Eis aqui estou eu e os filhos que Deus me deu. (Hb 2.10-13)

Caro amigo! Dileta amiga! Somos coirmãos de Jesus Cristo. E isto nos faz lembrar esta notável afirmação feita pelo próprio Senhor nos dias que se seguiram a Sua ressurreição. Leiamos: “Subo para meu Pai e vosso Pai, para meu Deus e vosso Deus” (Jo 20.17). Nesta afirmativa do Senhor encontramos o senso de filiação divina que compartilhamos e, ao mesmo tempo, a distinção de quem é um e outro. Enquanto Jesus Cristo é o Filho unigênito de Deus, nós somos filhos adotados por Deus. Contudo, ainda que haja esta distinção de origem, por mais impressionante que seja não há nenhuma distinção de usufruto da posição gloriosa que ocupamos. Note como o apóstolo Paulo expõe nosso privilégio:

Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo; se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados. (Rm 8.17)

É por esta razão que precisamos atentar na ênfase dada pelo autor aos Hebreus da absoluta necessidade do Senhor Jesus Cristo passar pelas sendas do calvário até culminar em Sua crucificação. E esta ênfase começa por salientar o profundo desejo da parte de Deus em promover a redenção da raça humana. Voltemos um momento para o instante da criação. Qual foi o propósito divino em criar o homem senão fazer dele a conformação com a imagem e semelhança de Deus?

Considere isso: Deus é autoexistente e absolutamente santo, portanto separado de Suas criaturas. É do caráter divino Sua imutabilidade. Em dado instante aprouve a Deus criar o homem com uma única e necessária restrição: – este não poderia ter a mesma substância divina. Em outras palavras, Deus poderia criar um homem em estado de perfeição, mas não poderia jamais lhe conferir o status de impecabilidade, porquanto se o fizesse, Deus estaria criando outro Deus, o que é impossível. Se ao homem não lhe é dado esta faculdade de ser impecável, e se a este homem lhe é dado o livre arbítrio, seria praticamente impossível a este mesmo ser criado sustentar ao longo do tempo sua posição de perfeição criada.

Agora, note uma coisa absolutamente importante. Mesmo Deus incorrendo no risco de ver a coroa de Sua criação cair em estado de rebelião e pecado, ainda assim, Deus confiou, podemos colocar deste modo, que o Seu propósito eterno haveria de ser alcançado. Paulo trata deste assunto em seu primeiro capítulo da carta aos Efésios. Vamos trazer a leitura esta parte do texto que declara a confiança divina em seu propósito eterno. Leiamos:

assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade, (Ef 1.4,5)

A primeira coisa que podemos notar nesta notável declaração é o tempo em que a escolha divina se deu. Foi na eternidade passada, qualquer momento antes do tempo zero da criação, que o Senhor Deus se determinou escolher entre os homens um povo para si. Paulo faz menção a nós, isto é, a igreja. Este foi o povo escolhido, todo aquele que recebeu a Cristo como Senhor e Salvador, justificado e regenerado. Assim, na eternidade passada Deus determinou buscar para si um povo que fosse santo e irrepreensível. Observe que, a luz de nossa cronologia, a meta seria alcançada em um tempo qualquer no futuro. Ou seja, Deus não criou o homem santo e irrepreensível, ainda que o tenha criado perfeito, mas haveria de alcançar este propósito em algum tempo no curso da história da humanidade.

E sabemos que a meta era uma proposta futura porque na sequência Paulo afirma nossa predestinação. Antes vamos reafirmar sobre quem Paulo fala. E quero fazer isso com uma menção feita pelo Senhor Jesus acerca do Espírito Santo. Vamos ler esta extraordinária passagem bíblica, que nos revela o mistério da justificação e da regeneração. Leiamos:

o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós. (Jo 14.17)

Chamo sua atenção para o modo como o Espírito Santo é conhecido por quem quer que seja. Observe que o mundo não conhece o Espirito mas nós conhecemos. Ocorre que o que nos fez conhecer foi o fato dele já estar habitando conosco. A situação poderia ser concebida da seguinte maneira: O Espírito veio até nos para nos convencer do pecado, da justiça e do juízo. Enquanto pudemos, nos recusamos a aceitar arrependermos, aceitando a Cristo. Mas em dado momento o senso de convencimento rompeu nossa incredulidade e, naquele exato instante, simultaneamente fomos justificados, regenerados e o Espírito Santo passou a habitar em nós. A mudança de estado do ser foi tão rápida e fulminante que, quando nos demos conta, já conhecíamos o Espirito Santo à partir de Sua bendita presença dentro de nós. E, é por termos esta bendita presença e esta revelação que tomamos consciência de nossa predestinação

O ser predestinado é uma revelação pretérita de um fato futuro. Entenda, se pudéssemos estar com Deus na eternidade passada, com o livro da vida aberto, haveríamos de ver nosso nome lá. Contudo enquanto o dia em que fomos adotados por filhos de Deus não chegasse, seria-nos impossível e impensável crer que nós pudéssemos ser objeto do amor de Deus. Agora, que temos a consciência que somos filhos de Deus, temos também o senso de revelação que de fato que fomos predestinados para alcançar esta graça por meio de Jesus Cristo.

Uma vez compreendido nossa posição gloriosa, entendamos agora como Deus agiu para alcançar Seu eterno propósito. Para que Deus, o Pai, que nos criou pudesse nos conformar com a Sua imagem e semelhança, Ele mesmo determinou que o Seu Filho unigênito percorresse a mesma senda de sofrimento que nós trilhamos neste vale de sombra de morte. E, como Jesus Cristo assumiu a posição de nosso representante legal, tudo quanto Ele alcançou percorrendo o caminho da morte, nos foi dado em igual liberalidade. Assim como Jesus é a Videira verdadeira, nós somos o ramo enxertados nEle. Do mesmo modo como a vida flui do tronco da Videira para cada um de seus ramos, assim também, aquele que santifica, Jesus, é um só com aqueles que são santificados, nós mesmos, a igreja do Senhor.

E, por ter Jesus Cristo trilhado a mesma senda de sofrimento que nós, ter compartilhado das mesmas humilhações que nós, ainda que a do Senhor Jesus tenham sido infinitamente superior, enfim, por Jesus ter se identificado conosco na senda da morte, o Senhor não tem nenhuma vergonha de nos chamar de Seus irmãos. Pense no que você foi de pior, agora reflita no que Jesus assumiu como sendo de pior, isto é, se fazendo pecado por você, então se pergunte: – Jesus é ou não capaz de compreender minhas fraquezas, tentações e dores?

Jesus nos encontrou no poço de perdição e nos colocou em um alto refúgio. Agora onde quer que Ele esteja, estamos todos reunidos com Ele em um mesmo Espírito Santo. E por que dizemos isso? Porque Jesus Cristo, enquanto Filho do Homem foi gerado pelo Espirito Santo, foi cheio do Espírito Santo e, em morrendo e ressuscitando e ascendido aos céus, nos enviou do mesmo Espírito Santo que habitava nEle para habitar em nós. Assim, não importa onde esteja hoje cada um de nossos irmãos, sejam muitos reunidos em um mesmo lugar, seja aquele que está solitário em algum deserto deste mundo, todos nós estamos ligados pelo mesmo Espirito Santo, portanto somos uma congregação atemporal.

Foi no cenáculo, enquanto Judas, o traidor, saia para vender Jesus, o Senhor confidenciava Seu coração aos seus discípulos dizendo que haveria de ir preparar moradas, que voltaria para que onde Ele estivesse, pudéssemos estar com Ele também. Sabemos que hoje o Senhor Jesus está assentado a destra de Deus. Paulo, por estar consciente desta unidade que temos no Senhor fez uma extraordinária observação sobre o lugar onde de fato estamos espiritualmente. Disse Paulo: “e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus” (Ef 2.6). É como se todo cristão, de todas as eras, de todo os lugares do mundo, estivesse, a um só tempo, sentados no colo do Senhor nos lugares celestiais.

E o que Jesus diz ao Seu Pai celestial, que é também o nosso Pai celestial? O autor aos Hebreus nos revela esta declaração feita pelo Senhor de continuo: “Eis aqui estou eu e os filhos que Deus me deu” (Hb 2.13). Procure entender a profundidade desta revelação. Você está agora, lendo este texto. Dentro de você habita o Espirito Santo de Deus. Neste exato momento, enquanto você lê estas palavras, você está em íntima conexão, pelo mesmo Espírito de Deus com Jesus no trono da graça. E o que o Senhor diz senão dar testemunho de quem você é diante do Pai dizendo: – Pai Celestial, estou aqui assentado contigo e junto de mim está este irmão, esta irmã, que são meus irmãos, dos quais não me envergonho de os chamar irmãos. E qual não é a resultante desta confissão senão que podemos chegar diante do trono da graça com nossas petições sabendo que haveremos de ser prontamente ouvidos porque Jesus, nosso irmão mais velho, está nos assegurando que permanecemos face a face com Deus como Ele próprio está.

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