Comentários em aos Hebreus

Jesus Cristo nos instrui e nos socorre

Por isso, santos irmãos, que participais da vocação celestial, considerai atentamente o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão, Jesus, o qual é fiel àquele que o constituiu, como também o era Moisés em toda a casa de Deus. Jesus, todavia, tem sido considerado digno de tanto maior glória do que Moisés, quanto maior honra do que a casa tem aquele que a estabeleceu. Pois toda casa é estabelecida por alguém, mas aquele que estabeleceu todas as coisas é Deus. (Hb 3.1-4)

Caro amigo! Dileta amiga! Nosso tema é a fidelidade de Jesus Cristo a Deus, o Pai. Antes disso temos de considerar nossa posição e propósito de vida diante de Deus desde o dia em que recebemos a Cristo como Senhor e Salvador. Nós temos a tendência de nos ver como filhos de Adão, não de Deus. Isto porque, observando nossas falhas, erros e pecados cometidos, nos identificamos com muita facilidade a estes distúrbios do ser, esquecendo a real identidade que passamos a ter por sermos filhos de Deus. Se antes de conhecermos a Cristo éramos pecadores, destituídos da glória de Deus, agora somos vistos aos olhos de Deus como santos.

Creio que você deve se perguntar: – O que faz mudar nossa condição de ser? Como podemos continuar sendo imperfeitos, contudo ainda assim sermos santos? Devo chamar sua atenção para o fato de sermos agora templo do Espirito Santo, dEle habitar dentro de nós e é Sua bendita presença em nós que nos torna santos diante de Deus. Permita-me lembrar de Pedro andando sobre as águas. Enquanto Pedro permanecia com o olhar fixo no Senhor, o mar pareceu-lhe uma imensa calçada, contudo quando voltou seus olhos para mirar a força do vento, começou a afundar. Assim somos nós, enquanto tentarmos encontrar significação acerca das experiências que passamos com base em nossas fraquezas, então haveremos de nos ver como pecadores, mas se tão somente descansarmos nossos olhos na obra completa realizada por Cristo na cruz, então haveremos de nos ver como santos, que é o que de fato somos.

Não somente somos santos, mas agora participamos da vocação celestial. Permita-me colocar deste modo. Sabemos que a morte física, se não formos arrebatados antes para o trono de Deus, haverá de nos ceifar a qualquer tempo. A razão porque temos de cruzar ainda por ela é porque “último inimigo a ser destruído é a morte” (I Co 15.26). Agora, tendo isto em mente, consideremos a seguinte promessa feita por Jesus Cristo: “Quem crê em mim, ainda que morra, viverá” (Jo 11.25). Com isso quero evidenciar que já temos posse da vida eterna, independente do que aconteça conosco nesta vida. Portanto, tudo quanto fazemos reflete em dimensões eternas. Por certo alguém dirá: – que importância tem eu estar trabalhando em um mísero emprego neste mundo, sendo mal pago e, ainda por cima, explorado? Deixe Paulo demonstrar como ele percebia a relação entre nossos afazeres neste mundo, nossas aflições e dores, com as dimensões eternas:

Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação, (II Co 4.17)

É-nos impossível compreender como nossas experiências nesta era refletirão na eternidade, contudo a cruz tem este poder de transformar morte em ressurreição, portanto haveremos de conhecer na eternidade futura o resultado das coisas que vivenciamos nesta era, por isso nós somos portadores de vocação celestial. Feita estas considerações, voltemos agora para considerar Jesus Cristo, o cerne de nossa fé. Alias o autor aos Hebreus nos conclama a considerar atentamente a Jesus, que é o Apóstolo e Sumo Sacerdote de nossa confissão.

A primeira consideração diz respeito a Jesus enquanto Apóstolo. Esta expressão no original grego tem por significado “enviado” ou “mensageiro”. Creio que você se lembra de que no início desta carta o autor aos Hebreus declarou que Deus hoje nos fala pelo Filho. E em João 3.16 Jesus mesmo declarou que Deus amou o mundo de tal maneira que enviou Seu Filho unigênito. Portanto se nós queremos conhecer a vontade de Deus precisamos conhecer a Jesus e Sua obra, centrar todos nossos esforços em meditar na palavra de Deus, extraindo dela diretrizes para todos os aspectos de nossa vida. Isto porque Jesus é “a verdadeira luz, que, vinda ao mundo, ilumina a todo homem” (Jo 1.9).

Deixe-me dizer uma coisa a você: o chamado divino nos chama a um discipulado. E isso exige uma mudança na forma como pensamos. E por que temos de proceder esta mudança? É que desde nosso nascimento, como filhos de Adão, fomos ensinado a pensar e agir de acordo com os ditames deste mundo. Contudo uma das instruções de Jesus é que podemos escolher entre construir nossa casa na rocha ou na areia, tendo consciência que as tribulações virão sobre nós, provando o tipo de fundamento que escolhemos. O único fundamento que resiste a toda e qualquer provação é aquele constituído sobre as palavras de Jesus, o enviado de Deus, nosso Apóstolo.

Por outro lado, como temos a tendência de agir por nossa conta e risco, achando que nossas escolhas não vão nos prejudicar, acabamos por vivenciar experiências terríveis, com grandes possibilidades de nos atormentar, nos prejudicar, trazer derrotas, decepções, opressões. Em situações como esta alguém diz: -errar é humano. Sabemos disso, mas depois que o erro se instaura, o medo chega junto e somos assaltados por todo tipo de pressentimentos e emoções perturbadoras. É nesta hora que devemos olhar para Jesus como nosso Sumo Sacerdote. Entenda isso, pois é fundamental para nossa fé. Temos um Apóstolo que nos conduz em pastos verdejantes e águas de descanso, mas como somos cabeça dura, podemos optar em dado momento por andarmos no vale da sombra da morte. Nesta hora o Apóstolo já não pode mais nos ajudar, porquanto dada a instrução, nos desviamos dela. É quando podemos olhar para Jesus como nosso Sumo Sacerdote, aquele que se compadece de nós, aquele que, sem pecado, em tudo foi tentado, estando agora pronto a nos socorrer, nos restaurando, curando, sarando, renovando, transformando pelo poder de Deus em Sua própria imagem.

Então surge uma pergunta: – será que de fato podemos confiar em Jesus Homem? Ele de fato é Apóstolo e Sumo Sacerdote apto a cumprir os papeis que lhe coube da parte de Deus? É neste ponto que o autor aos Hebreus traz Moisés por referência. Moisés foi um dos maiores personagens do Antigo Testamento. Sua posição singular como profeta e responsável pela implantação da Antiga Aliança é inigualável. Os feitos grandiosos por mão de Moisés, tirando o povo de Israel do Egito, depois de impressionantes dez pragas, praticamente dizimando aquele país, aliado com a abertura do Mar Vermelho, foram provas eloquentes que Moisés era homem de Deus, que falava cara a cara com Deus. Este próprio Moisés havia profetizado que após ele viria um profeta semelhante a ele, que este profeta deveria ser ouvido. Natanael, quando encontrou-se com Filipe, disse-lhe:

Achamos aquele de quem Moisés escreveu na lei, e a quem se referiram os profetas: Jesus, o Nazareno, filho de José. (Jo 1.45)

E é tendo em mente esta anunciação de Moisés, que apontava como sendo Jesus o profeta que haveria de vir, o Messias, o Salvador, é que o autor aos Hebreus comparou Jesus com Moises, mostrando que Jesus é superior a Moisés. E como esta comparação é feita? O primeiro quesito foi o da fidelidade, porquanto assim como Moisés foi fiel em tudo quanto o Senhor lhe ordenou, muito mais foi Jesus obediente até a morte e morte de cruz. Jesus Cristo, o Verbo esvaziado que se fez homem, cumpriu toda a justiça de Deus para qualificar-se como o Cordeiro de Deus. Enquanto Moisés liderava o povo em direção à terra prometida, Jesus caminhava pelas sendas do calvário para, na cruz, se fazer pecado por todos os homens. Enquanto Moisés celebrava com o povo a páscoa do Senhor, Jesus mesmo se fez o Cordeiro Pascal, oferecido pelo povo para o salvar de seus pecados. Assim, se Moisés foi fiel, muito mais o foi Jesus, razão porque podemos considera-lo como nosso Apóstolo para nos guiar e Sumo Sacerdote para nos socorrer.

O segundo ponto de comparação era que Moisés fora constituído sobre toda a casa de Deus, sobre todo o povo de Israel. Então eu faço uma pergunta a você: – se Moisés foi constituído sobre a casa de Deus que era Israel, Jesus foi colocado sobre qual casa? Creio que você deve estar lembrado que somos chamados de templo do Espírito Santo, que o Espírito Santo habita em você. Portanto se Moisés foi constituído sobre a casa de Deus, Jesus foi posto sobre você, como sendo a casa que Ele tem de cuidar. E a glória do Senhor Jesus é em muito superior a de Moisés, porque nenhum homem foi cheio do Espírito nos dias de Moisés, mas Jesus prometeu que nos enviaria o Consolador, outro igual a Ele, que ficaria conosco para sempre, portanto Jesus tem maior glória que Moisés.

O terceiro ponto nem é uma comparação, porquanto Moisés nem mais poderia ser referencial nisso. Eu lhe pergunto, quem tem maior glória, quem é posto como mordomo em uma casa ou quem é dono e responsável pela construção desta mesma casa? O autor nos faz lembrar que aquele que estabeleceu todas as coisas é Deus. Ocorre que está aqui sendo evidenciado o Deus trino, porquanto cada uma das pessoas da Trindade desenvolve papeis específicos, sendo Jesus, enquanto Verbo de Deus, responsável por criar todas as coisas. Então pense no seguinte. Devemos atentar em Jesus como sendo o nosso Apóstolo, aquele que nos guia, por outro lado devemos atentar em Jesus como sendo nosso Sumo Sacerdote, aquele que nos socorre, mas também devemos atentar em Jesus como sendo nosso Criador, aquele que conhece nossa estrutura e sabe que somos pó, que conhece nosso destino final e sabe para onde está nos conduzindo. Por todas estas coisas podemos assegurar que todas as nossas experiências existenciais, por maior que seja a tribulação que passemos, podemos contar com Cristo Jesus, o Apóstolo e Sumo Sacerdote de nossa confissão.

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