Comentários em aos Hebreus

Jesus Cristo nos libertou da morte

Visto, pois, que os filhos têm participação comum de carne e sangue, destes também ele, igualmente, participou, para que, por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo, e livrasse todos que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida. Pois ele, evidentemente, não socorre anjos, mas socorre a descendência de Abraão. (Hb 2.14-16)

Caro amigo! Dileta amiga! O nosso tema é nossa humanidade. Pode parecer estranho abordar este assunto, porquanto nos parece tão óbvio o que somos. Contudo gostaria que lesse com atenção o texto supra citado. O autor começa afirmando que os filhos têm participação comum de carne e sangue. E de quais filhos trata o autor? Estes são os filhos de Deus citado em Hb 2.13, os irmãos adotados de Jesus Cristo.

E qual a importância de ter consciência que os filhos de Deus são participantes comum da carne e do sangue? Nós temos nestes dois elementos a representação da constituição humana. A carne, por sua própria natureza, tende a decomposição, o sangue, por sua vez, simboliza a vida que dá sustentação à carne. Extraímos o entendimento que a vida da carne está no sangue em Lv 17.11. Se recuarmos no tempo haveremos de nos lembrar da morte de Abel, ao que o Senhor confrontou Caim nestes termos: “A voz do sangue de teu irmão clama da terra a mim” (Gn 4.10). Mas não só Deus requer o de Abel, como o Senhor Jesus acrescentou dizendo: “… que sobre vós recaia todo o sangue justo derramado sobre a terra, desde o sangue do justo Abel até ao sangue de Zacarias, filho de Baraquias…” (Mt 23.35).

Estamos fazendo ênfase ao sangue derramado daqueles que tiveram suas vidas ceifadas porque o autor aos Hebreus associa a carne com o sangue à morte que se segue. Com isso ele está dizendo que todos os filhos de Deus estavam sujeitos à morte irremediavelmente. Permita-me dar um testemunho pessoal. Certo dia entrei em meu quarto com uma Bíblia e uma instrução. Se eu não compreendesse a necessidade de receber a Cristo como Salvador e Senhor, devia ler a Primeira Epístola de João. Na leitura me deparei com esta citação:

Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça. (I Jo 1.8,9)

Não me pergunte como, mas conhecia algumas poucas coisas da palavra de Deus para conseguir pensar objetivamente neste verso. Eu o li e fiz a seguinte reflexão, questionando o Senhor:

Eu acho que não tenho pecado: não mato, não roubo, não adultero. Mas se eu disser que não tenho pecado estou mentindo, a verdade não está comigo. Se eu sou pecador, então o salário do pecado é a morte, logo preciso de Jesus como Senhor e Salvador.

Então resolvi que devia fazer a seguinte oração que contava na última página da Bíblia que eu ganhara dos Gideões Internacional, em algum tempo anos antes, em uma escola. Li e assinei, fazendo do que estava escrito a minha oração:

Confesso a Deus que sou um pecador, e crendo que o Senhor Jesus Cristo morreu na cruz do Calvário por meus pecados e que ressuscitou para a minha justificação, aceito-O e confesso-O como meu Salvador pessoal.

O que quero enfatizar com você nesta experiência, que se deu comigo aos 18 anos de idade, é a noção que eu tinha da morte e como ela foi determinante para tomar a decisão por Cristo. Em minha adolescência eu sonhava muito. Isto decorria do fato de ler centenas e centenas de romances. Cheguei a uma situação tal que, em não tendo romance para ler, tomava a última estória e minha mente e desenvolvia novos enredos para ela. Com esta prática comecei a sonhar com meu futuro profissional.

Lembro-me que, naquela época, em minha adolescência, sonhava por exemplo, em ser médico. Na sequência me via descobrindo, por exemplo, a cura do câncer, ficando tão famoso que não havia mais doença que eu não encontrasse a cura. Então eu sonhava com a alegria destas pessoas curadas, delas prosseguindo com suas vidas, casando-se, tendo filhos, netos e, vindo a morrer.

Então percebia que ser médico não era suficiente, troquei de profissão. Sonhava em ser engenheiro. Pensava em construir os melhores e maiores prédios do mundo. Descobria que tinha como erradicar a falta de moradias nas grandes cidades. Via as pessoas felizes, com suas famílias no seio dos seus lares. O tempo passava e, quando menos esperava, a terra era acometida de terremoto e tudo que eu construíra caia por terra.

Então sonhei em ser detetive de polícia. Eu desvendava todos os crimes. Chegou um tempo que a cidade vivia em paz, pois ninguém seria capaz de fazer algo que, em eu investigando, não descobrisse quem fosse. Mas logo minha vida correu e eu mesmo vim a falecer, voltando a cidade as condições de outrora com aumento de criminalidade.

Então sonhei ser presidente da república. Concebi um sistema econômico que permitia tirar todos que estavam abaixo da linha de pobreza para uma vida profissional gratificante. Logo percebi que podia exportar as políticas púbicas de meu país, levando o mundo a um tempo de paz e prosperidade sem precedente. Isso perdurou até minha morte, então o caos se instalou.

Em todos estes sonhos eu percebera que, por mais que realizasse neste mundo, era incapaz de vencer a morte. Ela ceifava todas as boas intenções, todas os tipos de curas, todas as grandes obras, todas as boas políticas públicas. Então eu percebera que se eu não vencesse a morte, de nada adiantaria realizar qualquer coisa que fizesse neste mundo. Foi carregando em minha mente este drama que entendera que o salário do pecado era a morte, que eu era pecador e que precisava de Jesus como meu Salvador e Senhor.

Na época que aceitei a Cristo eu não conhecia este trecho acima da Carta aos Hebreus. Mas é precisamente este o ensino que este trecho precioso das escrituras nos transmite. Todos nós somos filhos de Adão, todos nós herdamos a morte dele. Leia como Paulo expressa esta verdade:

Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram. (Rm 5.12)

Muitos de nós temos dificuldade de entender que pecamos diante de Deus, pensam como eu, ou como o jovem rico que disse a Jesus. Leia o diálogo completo:

E ele lhe perguntou: Quais? Respondeu Jesus: Não matarás, não adulterarás, não furtarás, não dirás falso testemunho; honra a teu pai e a tua mãe e amarás o teu próximo como a ti mesmo. Replicou-lhe o jovem: Tudo isso tenho observado; que me falta ainda? (Mt 19.18-20)

Observe que este jovem não tinha noção que era um pecador. A luz do que Paulo escreveu o raciocínio é simples isto porque não preciso me perguntar que pecado cometi, basta ter consciência que um dia eu vou morrer. Se a morte vai ceifar a minha vida então eu sou um pecador, pois o salário do pecado é a morte (Rm 6.23). Esta é a razão de Paulo concluir: “também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram” (Rm 5.12).

O que o autor aos Hebreus faz é completar este raciocínio. Ele diz algo do tipo: como todo ser humano estava sujeito a morte, ele ficou irremediavelmente perdido, precisando de alguém que o livrasse da morte. Esta foi a razão da necessidade do Verbo de Deus se fazer carne, se tornando homem, fazendo-se semelhante a nós, contudo sem pecado. Jesus, quando foi transfigurado diante de Seus discípulos, vindo a resplandecer como o sol, demonstrou que não havia pecado nEle e que, se Ele assim se determinasse, poderia voltar como Filho do Homem para os céus, pois era sem pecado, nunca tendo pecado em toda Sua existência. Mas o Senhor foi obediente até a morte e morte de cruz para que pudesse morrer em nosso lugar, uma morte substitutiva.

Em Jesus Cristo trilhando pela senda do Calvário como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, Ele estava com isso destruindo o Diabo. E quem é o Diabo? Leia por você mesmo:

“E foi expulso o grande dragão, a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo, sim, foi atirado para a terra, e, com ele, os seus anjos. (Ap 12.9)

O Diabo não é outro senão a antiga serpente, que no jardim do Éden enganou o primeiro homem criado, levando-o a rebelar-se contra Deus, comendo do fruto proibido. Com esta atitude Adão fez o pecado entrar no mundo, com ele a morte. Como todos nós somos descendentes de Adão, portanto participantes da carne e do sangue (até que o sangue se esvai e a vida é ceifada), a morte também fica de espreita, preste a nos abater. O autor aos Hebreus nos revela que este medo instintivo da morte nos leva a uma vida de escravidão.

Eu creio que você já ouviu a expressão: – vamos fazer isso e aquilo porque a morte é certa, precisamos aproveitar a vida. Esta é uma forma negativa de expressar o medo da morte, porquanto não há nenhuma preocupação em buscar a vida eterna. Se nos lembrarmos do jardim do Éden, traremos a memória que de fato lá tinha de toda árvore frutífera, mas também da árvore da vida, que nada mais é que uma alusão a Jesus Cristo, porquanto Ele próprio dissera ser a ressurreição e a vida. Esta foi a obra que o Senhor realizou na cruz, nos livrar da morte, nos dando vida eterna. Esta promessa é para todos os que creem, como fiz naquele quarto, aos 18 anos de idade. Assim, Jesus veio para nos socorrer, nós que somos herdeiros das promessas de Abraão, conhecido como o pai da fé.

Comente este texto, isto me ajudará desenvolver outros aspectos do texto que não me foram percebidos. Compartilhe com seus amigos e amigas. Vejo você no próximo texto.

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