Miscelâneas

Julho-Dezembro de 2008: O mundo mergulha no coração da fase de impacto da crise sistémica global

Por GEAD

Por ocasião deste número 26 do Global Europe Anticipation Bulletin (GEAB), a equipe do LEAP/E2020 decidiu lançar um alerta sobre o período Julho-Dezembro de 2008. Com efeito, doravante nossa equipe está convencida de que este período será caracterizado por um mergulho do conjunto do planeta no coração da fase de impacto da crise sistémica global. Os seis meses que vem aí vão portanto constituir o verdadeiro núcleo da crise em curso. As turbulências dos últimos doze meses não foram senão uma fraca premissa.

Com efeito, é no decorrer do próximo semestre que todas as componentes da crise (financeira, monetária, económica, estratégica, social, política…) irão convergir com a intensidade máxima [1] . Sem entretanto rever em pormenor as diferenças sequências já antecipadas nos números anteriores do GEAB, nossos investigadores escolheram apresentar as evoluções das diferentes grandes regiões do planeta nos próximos seis meses. Para fazer isto, optaram por desenvolver oito fenómenos principais que irão marcar os próximos seis meses de maneira decisiva e orientar duradouramente os anos de 2009 e 2010, a saber:

1. O dólar em perdição (1 Euro = 1,75US$ no fim de 2008): Um medo pânico do afundamento da divisa e da economia dos EUA atormenta a psique colectiva americana.

2. Sistema financeiro mundial: A ruptura por causa da impossível manutenção sob a tutela de Washington.

3. União Europeia: A periferia afunda na recessão ao passo que o núcleo da zona Euro diminui de velocidade.

4. Ásia: O duplo "golpe de bambu" inflação/afundamento das exportações.

5. América Latina: Dificuldades em aumento mas um crescimento mantido para grande parte da região, com o México e a Argentina em crise.

6. Mundo árabe: Os regimes pro-ocidentais à deriva / 60% de riscos de explosão político-social no eixo Egipto-Marrocos.

7. Irão: Confirmação de 70% de probabilidade de um ataque daqui até Outubro de 2008.

8. Bancos/Bolhas especulativas: A colisão das bolhas.

Paralelamente, a equipe do LEAP/E2020 apresenta neste GEAB Nº 26 cinco conselhos estratégicos destinados a bancos centrais, governos e instituições de controle que elaborou nestes últimos meses e cujo objectivo é limitar e canalizar as graves consequências da fase de impacto da crise.

Para investidores privados, o LEAP/E2020 desenvolve igualmente neste GEAB Nº 26 uma série de oito conselhos operacionais a fim de evitar que comentam erros fatais nos próximos seis meses.

Neste comunicado púbico, o LEAP/E2020 optou por apresentar sua antecipação acerca da próxima ruptura do sistema financeiro mundial.

A decisão de Washington de fazer subir os lances em termos de retorno ao "Dólar forte", obrigando Ben Bernanke a intervir, lança as sementes de uma aceleração do processo de ruptura do sistema financeiro mundial [2] .

Com efeito, Ben Bernanke é a última muralha antes da tomada de consciência definitiva por parte dos principais detentores de divisas americanas e de activos denominados em Dólares de que Washington já não tem os meios de sustentar a sua moeda. Aquilo que, no princípio de 2006 (com o fim da publicação do M3 pelo Fed), correspondia a uma política deliberada de baixa do dólar a fim de tentar reduzir o défice comercial americano e limitar o valor real (para os Estados Unidos) do seu endividamento mundial (que é denominado em dólar), voltou-se contra os seus iniciadores e transforma-se numa fuga generalizada para fora dos Estados Unidos (fuga de capitais, estabilidade dos défices comerciais, aumento da inflação, …). A carta "Bernanke" é a última carta "psicológica" que Washington pode jogar. O facto de utilizá-la mostra que os dirigentes americanos atingiram os maiores extremos par tentar reter seus parceiros no sistema criado após 1945, fundado sobre a economia dos Estados Unidos e na sua divisa [3] .

Quando, dentro de algumas semanas (após as reuniões do G8 e de outras instâncias), for confirmado que é impossível organizar a menor acção com amplitude para estabilizar duradouramente a divisa americana (e não evocamos sequer a ideia lunática de fazê-la subir outra vez) uma vez que a economia americana afundará cada vez mais profundamente na recessão e que o mundo já está "entulhado" de Dólares US dos quais não há quem saiba como se desembaraçar, então o sistema financeiro mundial explodirá em diferentes sub-sistemas a tentarem sobreviver como puderem, aguardando que um novo equilíbrio financeiro mundial se organize [4] . Ao empenhar-se neste caminho que não leva a parte alguma, consciente ou inconscientemente, voluntariamente ou não, Ben Bernanke acaba de assinar o fim do actual sistema financeiro. O retorno ao "Dólar forte" é um pouco como a "libertação do Iraque", um voto piedoso que se transforma em pesadelo.

Aliás, se porventura Washington tivesse realmente a intenção de tentar estabilizar o Dólar ou, mais ambicioso, de fazê-lo subir outra vez face às principais moedas mundiais, não haveria senão um único método [5] , compreendendo dois aspectos: uma forte alta das taxas de juro do Fed e uma baixa drástica da criação monetária. Se as autoridades americanas decidissem executar esta política, a economia americana (real e financeira) pararia nas semanas que se seguissem: o mercado imobiliário cairia a zero sem créditos abordáveis e devido a uma explosão dos juros sobre as famílias endividadas a taxas variáveis, o consumo americano tornar-se-ia negativo (ou seja, recuaria mês após mês), as falências de empresas multiplicar-se-iam de maneira exponencial, Wall Street entraria em colapso sob o peso das suas dívidas múltiplas e sucumbiria à implosão imediata do mercado do CDS devido aos incumprimentos generalizados dos co-contratantes…

Estes acontecimentos, absolutamente certo no caso de uma acção voluntarista de Washingtn em favor do Dólar forte, são sem dúvida inaceitáveis para as autoridades americanas. Portanto, além de falar, e de se desacreditar ainda mais, elas nada farão. O método tradicional destas últimas décadas não é mais encarável: ninguém mais aceitará comprar Dólares maciçamente para salvar a divisa americana sem uma acção muito voluntarista (aquela descrita anteriormente) por parte de Washington. Como este não intervirá, o resto do mundo tirará as conclusões necessárias: cada um por si doravante. E não se pode esquecer em meados de Agosto de 2008, Pequim estará aliviada do constrangimento de fazer a todo o custo com que os Jogos Olímpicos tenham êxito. Portanto um grande número de opções "brutais" [6] , postas em fila de espera até os Jogos Olímpicos, vão retornar à superfície [7] .

15/Junho/2008

Notas:

(1) Para um calendário mais pormenorizado destas tendências, ver GEAB N° 18 .

(2) Aliás, o Banque des Règlements Internationaux já se inquieta com os risco de uma Grande Depressão Mundial. Fonte: Banking Times , 09/06/2008

(3) Fonte: Euro Pacific Capital , 23/05/2008

(4) Ver a respeito, neste GEAB N°26, os conselhos de LEAP/E2020 aos bancos centrais, governos e instituições de controle.

(5) Afastámos o segundo método que consistiria em bombardear o BCE, o Banco da China e o Banco do Japão.

(6) Fonte: ContreInfo , 21/04/2008

(7) E com a Rússia a impor-se doravante como o primeiro produtor mundial de petróleo, diante da Arábia Saudita, as relações de força no mercado petrolífero também estão em vias de mudar rapidamente. Fonte: Times of India , 12/06/2008

O original encontra-se em http://www.leap2020.eu/

Este comunicado público encontra-se em http://resistir.info/ .

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