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Não emita juízos de valores, antes ame

Se alguém ouvir as minhas palavras e não as guardar, eu não o julgo; porque eu não vim para julgar o mundo, e sim para salvá-lo. (Jo 12.47)

Uma das marcas destes dias é a intransigência. As pessoas estão se sentindo ofendidas umas pelas outras, algumas com razão, outras não. O fato é que situações como estas repercutem nos meios sociais, criando acaloradas discussões, estimulando aqueles que não foram participantes diretos dos eventos, assumirem posições a favor e contra. Todos que se envolvem neste clima de intransigência, sejam os próprios ou a torcida, se obrigam a emitir juízos de valores. E é neste ponto que mora o perigo.

Julgar significa avaliar para, então, emitir opinião; pronunciar um parecer sobre o certo e o errado; desempenhar o papel de árbitro em questões da vida comum; julgar atos e palavras dos outros; e decidir dado litígio na qualidade de juiz. Se nós atentarmos para cada uma destas definições haveremos de notar que elas estão em consonância com a proposta da serpente à mulher, antes dela ceder e rebelar-se contra Deus. Leiamos a proposta:

Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal. (Gn 3.5)

A emissão de juízos, hábito muito comum entre os mortais, traz consigo o íntimo desejo do homem se igualar a Deus. O indivíduo se julga apto a decidir sobre o certo e o errado, o bem e o mal, o branco e o preto. Junto com estes juízos de valores emitidos há um ambicioso desejo que seu parecer seja aceito como lei imperial. A pessoa entende que seu ouvir e ver é de todo suficiente para decidir a sorte de quem quer que seja. Quando emite tais juízos, não mede as consequências de suas palavras, o peso que elas trazem para aqueles que são objeto de suas considerações. Como disse certa feita grande homem de Deus, ele não percebe que todo ponto de vista é, na verdade, um ponto cego, porquanto exclui todos os demais. E este cegamento é uma das maiores artimanhas do diabo, porquanto “o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus” (II Co 4.4). O diabo nada mais faz do que executar sua proposta maligna ao induzir o indivíduo a emitir juízos de valores, não importa em que circunstâncias.

O Senhor Jesus nos ensina que não nos cabe sermos consciência do mundo perdido. Cada indivíduo é responsável por suas ações e vai responder, como também ser julgado no juízo final, em conformidade com estas mesmas obras, como está escrito: “os mortos foram julgados, segundo as suas obras, conforme o que se achava escrito nos livros” (Ap 20.12). A missão da igreja não é ficar emitindo juízo de valores, julgando o certo e o errado de cada um, mas pregar-lhe o evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, porquanto está escrito: “e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Jo 8.32). Alguém pode se perguntar: – mas se não devemos clamar contra a impiedade, condenando-a, não estaríamos sendo coniventes? Ah! Como precisamos conhecer nossos privilégios diante de Deus! Tudo quanto compreendemos estar em desarmonia com o reino de Deus, o que devemos fazer não é levantar o dedo da acusação, mas dobrarmos os joelhos, intercedendo, clamando, derramando lágrimas por aqueles que estão perdidos, distantes do evangelho. Habacuque já nos ensinava, ao ver tudo de injusto que estamos enxergando neste mundo:

Tenho ouvido, ó SENHOR, as tuas declarações, e me sinto alarmado; aviva a tua obra, ó SENHOR, no decorrer dos anos, e, no decurso dos anos, faze-a conhecida; na tua ira, lembra-te da misericórdia. (Ha 3.2)

Muitos cristãos não estão adotando esta atitude de interceder por um mundo que caminha a passos largos para a perdição. Antes prefere acusar, dizendo estar defendendo os valores do reino de Deus, como se o Senhor precisasse de alguém para defender Sua própria glória. Há um caso no Antigo Testamento que demonstra este estado de coisas. Israel fora atacado pelos filisteus e perdera uma batalha, então trouxe para o meio do acampamento a arca da aliança. Com a presença deste objeto religioso, achavam que podiam obrigar Deus agir em favor deles. Não só foram derrotados pela segunda vez, como a arca da aliança levada pelos filisteus para a terra deles. Resultado, em cada cidade que ela esteve na Filístia, os habitantes daquela cidade se viam enfermos, levando-os a concluir que era melhor devolver a arca da aliança a Israel a continuar padecendo daquele tipo de doença. A igreja hoje tem feito isso, grita bravatas em praça pública, contudo não dobra seus joelhos em intercessão. Pensam que por emitir juízos de valores, Deus haverá de lhes atender, fazendo cair raios na cabeça dos ímpios. Ledo engano!

Consideremos isso, Jesus, ao explicar Sua missão, declarou: “o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido” (Lc 19.10). Se a nossa missão é a mesma dele, o de buscar e salvar o perdido, como poderemos declarar que o amamos se passamos a maior parte do tempo ofendendo-o sob o argumento do certo e do errado? Leia a declaração dos pastores midiáticos, por exemplo, veja com que dureza eles se dirigem a certos grupos sociais, então se pergunte: estas pessoas que foram condenadas publicamente por qualquer coisa que seja, haveria de sentar à mesa com estes mesmos pastores e ouvir as palavras de graça saindo de suas bocas? Faz sentido bater para, só então, amar?

Alguém ainda pode dizer: mas se a pessoa está fazendo algo absolutamente errado, contrario a palavra de Deus, cabe-nos condenar? Então o que disse Jesus acerca de Sua missão: “eu não vim para julgar o mundo, e sim para salvá-lo” (Jo 12.47). Se Ele, que tinha a capacidade de sondar o íntimo de todo homem, absteve de emitir juízos de valores, porque nós estamos adotando este comportamento? Creio que alguma coisa perdemos na caminhada, precisamos nos humilhar diante de nossos detratores, como fez Jesus e aprender a amá-los sem qualquer emissão de juízo de valores. Aprendamos, pois, a aceitar as pessoas como elas são, para termos o direito de sermos ouvidos por elas. Amemo-las, antes de julgarmos.

pensador

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“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Rm 6:23)

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