A volta de Jesus Cristo

Ninguém, senão Cristo, pode resgatar a terra

“Vi na destra do que estava assentado sobre o trono um livro escrito por dentro e por fora, bem selado com sete selos. Vi também um anjo forte, clamando com grande voz: Quem é digno de abrir o livro e de romper os seus selos? E ninguém no céu, nem na terra, nem debaixo da terra, podia abrir o livro, nem olhar para ele. E eu chorava muito, porque não fora achado ninguém digno de abrir o livro nem de olhar para ele.” (Ap 5:1-4)

O profeta Jeremias estava preso em Jerusalém nos dias do cerco da Babilônia (Jr 32:2). Ele fora preso por Zedequias, rei de Israel porque profetizara que Jerusalém haveria de capitular diante da Babilônia (Jr 32:3). Jeremias iniciara seu ministério no reinado do rei Josias aos 21 anos de idade e continuou pelos quarenta anos seguintes exortando Israel a voltar-se para Deus durante os reinos de Josias, Jeoacaz, Jeoaquim, Joaquim e Zedequias, todos de Judá. Neste ínterim houve a batalha de Megido, na qual o rei Josias foi morto por interpor-se contra o Egito sem ordem de Deus (II Rs 23:29). Jeoaquim assumiu o trono e veio a ser vassalo do Egito (II Rs 24:1), situação que perdurou até a batalha de Carquemis. Nesta batalha os egípcios foram vencidos pela Babilônia (II Rs 24:7) que, em seguida, promoveu a primeira deportação dos judeus para sua terra (II Rs 24:12).  Por fim Jerusalém sucumbiu no reinado de Zedequias, a cidade foi invadida e arrasada, os judeus presos e deportados, fincando apenas os pobres da terra (II Rs 25:8-21). Antes de Jerusalém ser escravizada pela Babilônia, o profeta Jeremias exortou a Judá ao arrependimento, deixando sua idolatria e infidelidade para com Deus nos seguintes termos:

“Vai, pois, e apregoa estas palavras para a banda do norte, e diz: Volta, ó pérfida Israel, diz o Senhor. Não olharei em era para ti; porque misericordioso sou, diz o Senhor, e não conservarei para sempre a minha ira. Somente reconhece a tua iniqüidade: que contra o Senhor teu Deus transgrediste, e estendeste os teus favores para os estranhos debaixo de toda árvore frondosa, e não deste ouvidos à minha voz, diz o Senhor.” (Jr 3:12,13)

A mensagem de Jeremias ecoou por ano após ano, sem ter sido ouvido. Ele estava preso por causa da mensagem que pregou. Na cadeia recebeu uma estranha ordem da parte de Deus: Jeremias deveria comprar as terras de seu primo Hanamel, filho de seu tio Salum. Feita a compra Jeremias fez saber às testemunhas que a compra representava sua confiança que, apesar do jugo babilônico, ainda os judeus haveriam de exercer atividade econômica naquela terra (Jr 32:15). Todavia o próprio Jeremias ficou surpreso com a proposição divina e clamou diante do Senhor compreensão sobre a finalidade da compra daquela terra, pois sua atitude entrava em contradição com tudo quanto profetizara até então, visto ele próprio ter mencionado que o cativeiro haveria de perdurar por 70 anos (Jr 25:11). Foi quando o Senhor lhe revelou que Deus permitira o cativeiro por conta da infidelidade de Israel (Jr 32:31), contudo o Senhor haveria de trazer novamente Israel para a sua terra (Jr 32:37), fazendo com eles um pacto eterno para que nunca mais se afastem de Deus (Jr 32:40). Então o Senhor assegurou a Jeremias que do mesmo modo que trouxera o mal sobre Israel, haveria de trazer o bem como havia prometido (Jr 32:42). Assim aquela escritura de compra feita por Jeremias era a representação profética do resgate de Israel do cativeiro da Babilônia. Do mesmo modo o livro escrito por dentro e por fora diante do trono de Deus, bem selado com sete selos (Ap 5:1) nos assegura que a terra também será resgatada do cativeiro imposto pela queda do primeiro casal no jardim do Éden.

Quando João postou os olhos naquele livro que estava à destra do trono de Deus, ouviu concomitantemente o brado do anjo forte questionando a total impossibilidade de alguém romper os selos daquele livro. Naquela hora toda criatura no céu, na terra e embaixo da terra se furtou, sequer, de olhar para o livro, envergonhados com tudo quanto se passara até aquele instante. Os anjos não poderiam abrir porque o primeiro anjo criado, Lúcifer, caíra diante de Deus por causa de seu orgulho, sendo lançado nas profundezas do inferno (Is 14:12-15). Os homens também não poderiam abrir porquanto o primeiro casal comeu do fruto proibido, ficando despidos diante de Deus, tendo que se esconder envergonhado (Gn 3:6,7). Todos os outros seres criados, por conta das escolhas dos homens e dos anjos, também foram entregues ao cativeiro da corrupção (Rm 8:20), portanto nenhum ser criado poderia abrir aquele livro por conta das escolhas que fizeram. O próprio João desandou em choro compulsivo pelo impacto daquela cena e por causa da extensão do estrago que a queda causou no relacionamento entre as criaturas e Deus, porquanto está escrito:

“mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados esconderam o seu rosto de vós, de modo que não vos ouça.” (Is 59:2)

João chorava seus pecados e de toda humanidade quando foi consolado por um dentre os anciãos. Os anciãos são seres representativos dos vencedores que hão de herdar a coroa da vida (Ap 2:10), coroa esta que haverá de ser lançada diante do trono de Deus em adoração e reconhecimento que o poder pertence a Deus (Ap 4:4,10). O ancião disse a João, confortando-o:

“Não chores; eis que o Leão da tribo de Judá, a raiz de Davi, venceu para abrir o livro e romper os sete selos.” (Ap 5:5b)

Glorias a Deus! A redenção provida por Cristo Jesus é completa. Muitos crêem que Cristo precisava morrer porque os homens se tornaram servos de Satanás, necessitando que o Senhor comprasse os homens deste jugo terrível. Esta tese não subsiste porque, em que pese o fato do diabo ter enganado o primeiro casal no jardim do Éden (Gn 3:1), na verdade o homem quebrara um mandamento divino – comer o que lhe fora proibido (Gn 2:17). Portanto a redenção provida por Cristo Jesus pressupõe Deus sendo aplacado em Sua ira pela morte de Seu Filho, reconciliando-se com o mundo por não mais imputar-lhe suas transgressões (I Co 5:19). Assim Jesus Cristo entregou-se a Si mesmo em nosso lugar, morrendo por nós por oferecer um sacrifício substituto (Is 53:5, Mt 10:45). Esta salvação é extensiva tão somente àqueles que crerem na obra da cruz, apesar de ser um convite extensivo a todo o mundo (Jo 3:16). Paulo sintetizou esta verdade nos seguintes termos:

“Àquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus.” (II Co 5:21)

A redenção por meio da expiação, ou seja, do sacrifício de Jesus Cristo na cruz, nos proporcionou a completa reconciliação com Deus. Por ela nós fomos libertos da escravidão do pecado. Por conseqüência fomos libertos de Satanás porque ele usava do medo da morte para nos escravizar (Hb 2:14). Como a morte é o salário do pecado do qual fomos resgatado, passamos da morte para a vida (Jo 5:24), portanto não há mais cativeiro, fomos convertidos “das trevas à luz, e do poder de Satanás a Deus”, sendo remidos e santificados pela fé (At 26:18). A obra da cruz tem seu efeito pleno, contudo se desenvolve em duas etapas: as almas são resgatadas por meio da graça mediante a fé, findo o tempo da dispensação da igreja, a terra será resgatada do poder do cativeiro da corrupção, processo este que se inicia logo após o arrebatamento da igreja, com a abertura do livro selado com os sete selos. Paulo fez menção desta hora nos seguintes termos:

“Pois tenho para mim que as aflições deste tempo presente não se podem comparar com a glória que em nós há de ser revelada. Porque a criação aguarda com ardente expectativa a revelação dos filhos de Deus. Porquanto a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa daquele que a sujeitou, na esperança de que também a própria criação há de ser liberta do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. Porque sabemos que toda a criação, conjuntamente, geme e está com dores de parto até agora; e não só ela, mas até nós, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, aguardando a nossa adoção, a saber, a redenção do nosso corpo.” (Rm 8:18-23)

pensador

    http://cezarazevedo.com.br/plano-de-salvacao-por-pergunta/

    http://cezarazevedo.com.br/estudo-para-novo-convertido-0110/

    http://cezarazevedo.com.br/estudo-para-batismo-0110/

    http://cezarazevedo.com.br/ministracao-para-libertacao-interior-e-perdao/

“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Rm 6:23)

Leave a Comment