Destaques, Reflexões

Nós somos retratados no tabernáculo

“Ora, o essencial das coisas que temos dito é que possuímos tal sumo sacerdote, que se assentou à destra do trono da Majestade nos céus, como ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo que o Senhor erigiu, não o homem. (Hb 8.1,2)
 
“Mas até hoje, quando é lido Moisés, o véu está posto sobre o coração deles. Quando, porém, algum deles se converte ao Senhor, o véu lhe é retirado. Ora, o Senhor é o Espírito; e, onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade. E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito.” (II Co 3.15-18)
 
Israel festejou a páscoa, prenúncio da libertação que estava por vir. Naquela noite saíram do cativeiro do Egito em direção à Canaã, a terra que manava leite e mel. Antes o mar Vermelho se abriu, Israel atravessou as águas partidas, o exército de Faraó foi destruído nela. Seguiram então para o monte Sinai, onde Moisés recebeu as tábuas contendo os 10 mandamentos escritas pelo próprio dedo de Deus. Logo depois Moisés recebeu de Deus a incumbência de levantar um tabernáculo no deserto conforme o modelo que lhe fora passado em visão. A instrução fora precisa: “Vê, pois, que tudo faças segundo o modelo que te foi mostrado no monte” (Ex 25.40), que eram figura e sombra das coisas celestes (Hb 8.5), pois o Senhor tinha um propósito em vista para o tabernáculo como podemos ler: “E me farão um santuário, para que eu possa habitar no meio deles” (Ex 25.8). Por tabernáculo entenda-se uma tenda portátil que servia como local para a manifestação da presença do Deus santo para um povo pecaminoso mediado por objetos sagrados e consagrados, por divisórias definidas e sacerdotes ungidos. O tabernáculo no deserto apontava profeticamente para o próprio Filho de Deus. Ao fazer-se carne (Jo 1.14) Jesus Cristo tornou-se o próprio tabernáculo portátil de Deus, pois Lhe foi preparado um corpo (Hb 10.5) feito à nossa semelhança, mas sem pecado (Hb 4.15). Quem olhasse Jesus feito Homem por meio da fé via nEle o  resplendor da glória e a expressão exata de Deus (Hb 1.3), razão porque Jesus dizia de Si mesmo: “… Quem me vê a mim vê o Pai…” (Jo 14.9).
 
Como o propósito do tabernáculo era Deus habitar no meio dos homens e, em sendo o próprio Jesus Cristo o tabernáculo portátil de Deus, Ele, em Si mesmo, se tornou a expressão absoluta, completa e perfeita do propósito da criação do homem, feito a imagem e semelhança de Deus (Gn 1.26). Para compreendermos como o Homem feito carne é o próprio Deus, precisamos analisar o tabernáculo nos seus detalhes mais proeminentes, o que nos faz questionar que coisas celestes são representadas no tabernáculo. Antes de respondermos a esta questão, vamos examinar a arca da aliança, o mais sagrado dos objetos do santuário. Esta arca foi descrita pelo autor aos Hebreus como: “… totalmente coberta de ouro, na qual estava uma urna de ouro contendo o maná, o bordão de Arão, que floresceu, e as tábuas da aliança; e sobre ela, os querubins de glória, que, com a sua sombra, cobriam o propiciatório…” (Hb 9.4,5). O maior propósito da arca era de fazer ouvir a voz de Deus por sobre os querubins de glória como podemos ler: “Ali, virei a ti e, de cima do propiciatório, do meio dos dois querubins que estão sobre a arca do Testemunho, falarei contigo acerca de tudo o que eu te ordenar para os filhos de Israel” (Ex 25.22). Se uma das formas de Deus falar no Antigo Testamento era deste modo, no Novo Testamento nos fala por meio do Seu bendito Filho (Hb 1.2), sendo que esta voz do Senhor é ouvida por nós através da palavra de Deus (II Tm 3.16), por meio do Espírito Santo (Ap 2.7) e do bom Pastor, que é o próprio Senhor Jesus Cristo (Jo 10.3). Não nos esquecendo de que a arca da aliança é o modelo de coisas celestes, examinemos agora as tábuas que foram colocadas dentro dela. Nestas tábuas tinha escrito os 10 mandamentos pelo próprio dedo de Deus, que as entregou a Moisés no monte Sinai (Ex 31.18).
 
As tábuas da aliança tinham dupla representação: por um lado apontava a imutabilidade divina, porquanto a lei inscrita nela “é santa; e o mandamento, santo, e justo, e bom” (Rm 7.12). Por outro retratava o coração humano na antiga dispensação, endurecido pelo pecado (Ex 36.26), contudo, ainda assim, objeto do testemunho divino, pois Paulo escreveu que os gentios, portanto, generalizando, todos os seres humanos de todas as épocas “mostram a norma da lei gravada no seu coração, testemunhando-lhes também a consciência” (Rm 2.15). Fizemos ressalva que esta é a visão da antiga dispensação porque na nova aliança, em razão da justificação por meio da fé (Rm 5.1), graças ao sacrifício vicário de Jesus Cristo (Jo 1.29), o crente experimentou o milagre da regeneração, vindo a nascer de novo (Jo 3.5). Ao nascer de novo foi o crente dotado de um novo coração e um novo espírito, com isso o coração de pedra se tornou em carne (Ez 36.26). Neste processo Deus ainda fez duas coisas fundamentais: tornou o espírito humano na própria habitação do Espírito de Deus (Ez 36.27) e imprimiu na mente e no coração a Sua lei, tornando-se Deus do crente (Hb 8.10).
espírito, alma, corpo
 
Consideremos agora como se relaciona a alma com o espírito humano recriado no novo nascimento observando a figura ao lado. Podemos esquematizar linearmente esta relação com a seguinte notação matemática: espírito humano [.identidade – intuição – (.consciência.)] <> [(.mente.) – vontade – emoções.] alma. Desta notação podemos delimitar a esfera do coração, que é formado pela consciência, um dos compartimentos do espírito humano, mais a alma, incluindo, portanto, a mente, a vontade e as emoções. Note como no centro desta equação a consciência e a mente interfaceiam uma na outra, intercambiando impressões que procedem do espírito humano e moldam diretamente a vontade e as emoções do crente. As impressões do espírito humano procedem dos compartimentos que denominamos identidade (lugar da habitação do Espírito Santo) e intuição (instrumento que recebe as revelações divinas). O conjunto desta obra é nos tornamos casa em que habita o próprio Filho de Deus (Hb 3.6). Agora temos como comparar esta casa com o tabernáculo em seus detalhes proeminentes.
 
O tabernáculo de Moisés era formado por três partes: o átrio exterior, o santo lugar e o santo dos santos. Nesta representação temos respectivamente o corpo, a alma e o espírito. No átrio exterior temos o altar de holocaustos e a bacia de cobre. No altar se é oferecido os sacrifícios pelos pecados e por meio da bacia se lavavam as mãos e os pés para entrar no santo lugar. Como este espaço representa nosso corpo, que é o invólucro de tudo quanto somos, o ato de crer em Jesus nos justifica diante de Deus porquanto “Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras” (I Co tabernáculo e o ser15.3), Ele “foi entregue por causa das nossas transgressões e ressuscitou por causa da nossa justificação” (Rm 4.25). Uma vez justificado, temos nossas mentes renovadas pela palavra de Deus, representado pela bacia de água atrás do altar. Com isso nossos olhos são iluminados para sabermos da esperança de nosso chamamento, da riqueza da glória de nossa herança nos santos e da suprema grandeza do poder de Deus para nós, que cremos (Ef 1.18-20). Na figura ao lado direito a relação do tabernáculo com o espírito (identificação, intuição e consciência), com a alma (mente, vontade e emoções, com o coração (consciência e alma) e com o corpo (junta, medula e ossos.
 
Orientados pela palavra de Deus para com as insondáveis riquezas de Cristo (Ef 3.8), adentramos no lugar santo onde se encontra o altar de incenso, a mesa dos pães da proposição e o candelabro de ouro. Respectivamente cada um destes objetos representam nossa intercessão, nosso relacionamento com o Filho de Deus e com o Espírito Santo. Como o lugar santo se constitui na representação de nossa alma, nosso alvo nesta instância é o de conhecermos a palavra de Deus para sermos transformados pelo poder de Deus, como está escrito: “E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito” (II Co 3.18). Para que esta transformação possa ser processadas, precisamos adentrar no santo dos santos, passando pelo véu, onde se encontram a arca da aliança com seu propiciatório. Este lugar é completamente escuro, pois o véu impede de entrar luz nele, razão porque tudo que existe neste ambiente só pode ser enxergado pela fé. Este é o ambiente do espírito humano, local da própria habitação de Deus, onde Ele fala em mistério com o crente. 
 
Agora que temos o mapeamento do ser humano por meio do tabernáculo, conseguimos entender a exortação feita por meio do sábio Salomão: “Dá-me, filho meu, o teu coração, e os teus olhos se agradem dos meus caminhos” (Pv 23.26). Como o coração é formado pela consciência e a alma, sendo a consciência a porta do espírito humano, por esta exortação somos conduzidos à presença de Deus para sermos transformados por Ele à Sua imagem, pois em nossa conversão o véu que separava a alma do espírito foi retirado (II Co 3.16) e agora, por meio de Jesus Cristo temos acesso ao Pai em um Espírito (Ef 2.18). Adentremos pois, na presença de Deus, Ele espera por nós e nos chama a esta íntima comunhão.

 

pensador

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“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Rm 6:23)

 

 

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