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Nossa sensação de bem-estar pode trazer o inferno à terra

Não apagueis o Espírito. (I Ts 5.19)

Caro amigo! Dileta amiga! O tema de hoje diz respeito ao nosso relacionamento íntimo com o Espírito Santo. E começo fazendo observar a advertência do apóstolo Paulo. Ele exorta a não apagarmos o Espírito em nós, reduzindo-o a um apêndice em nossas vidas. Esta advertência se encontra em uma sequência de boas instruções, ao final de sua carta aos Tessalonicenses, isto depois de tratar de muitos assuntos delicados. Neste momento, ao fim da carta, Paulo se volta a cada um daqueles que leem esta epístola e os instrui a alegrar-se com constância, orar sem cessar, dar graças por tudo para, em seguida, faz a exortação para que o Espírito não seja apagado. Então é de se perguntar: – Por que Paulo muda subitamente de assunto e faz tal advertência? Como alguém pode estar alegre, orando e sentindo-se agradecido e, ainda assim, apagar o Espírito? Para entender esta advertência vou trazer a memória uma palavra do sábio Salomão:

Os néscios são mortos por seu desvio, e aos loucos a sua impressão de bem-estar os leva à perdição. (Pv 1.32)

O sábio Salomão nos adverte que podemos facilmente ser enganados por nossa sensação de bem-estar e que, se não tomarmos cuidado, este tipo de impressão nos levará à perdição. Observe que Salomão, neste caso, vai além da morte, faz-nos perceber que este tipo de impressão de bem estar pode nos trazer o próprio inferno a terra. E, se considerarmos o que Paulo menciona antes da advertência, perceberemos claramente que Paulo, ao final de sua carta aos Tessalonicenses, está se referindo a esta sensação de bem-estar que pode facilmente nos enganar. Não é estar bem consigo mesmo se alegrando? Não é estar bem consigo mesmo, orando? Não é estar bem consigo mesmo, sendo grato por tudo que vive e tem? No entanto Paulo adverte que, por traz deste senso de bem-estar, algo terrível está preste a abater sobre sua vida de forma irremediável, ao ponto que de ter por consequência o apagar o Espírito Santo dentro de você.

Que situação terrível não é esta. Imagine você considerando sua vida, pensando que tudo lhe vai bem, transbordando de alegria, multiplicando suas orações, sendo realmente grato por tudo que está acontecendo com você para, no dia seguinte, perceber que era tudo uma grande ilusão, que tais sensações estavam, na verdade, amordaçando o Espírito Santo dentro de você e, quando mais precisa do Senhor, descobre que ele não está mais lá, se retirou e você nem percebeu. Quão terrível e trágico não é este dia. Leia o sentimento da Sulamita quando descobriu esta terrível ilusão.

Levantei-me para abrir ao meu amado; as minhas mãos destilavam mirra, e os meus dedos mirra preciosa sobre a maçaneta do ferrolho. Abri ao meu amado, mas já ele se retirara e tinha ido embora; a minha alma se derreteu quando, antes, ele me falou; busquei-o e não o achei; chamei-o, e não me respondeu. (Ct 5.5,6)

A Sulamita ouviu a voz do seu Senhor, levantou-se para ir ao seu encontro e, para sua surpresa, Ele não estava mais lá, tinha se retirado. Ela não percebera, mas antes disso acontecer, ela apagara a presença do amado dela de seu coração. É terrível porque ela tinha consigo que ele estava lá, ela ouvira a voz do amado dela, tudo lhe parecia ir bem, mas quando de fato o procurou, não mais o encontrou. Mas o que tinha acontecido de tão grave que fez a Sulamita apagar seu amado do coração dela? Vamos retornar um pouco o texto:

Eu dormia, mas o meu coração velava; eis a voz do meu amado, que está batendo: Abre-me, minha irmã, querida minha, pomba minha, imaculada minha, porque a minha cabeça está cheia de orvalho, os meus cabelos, das gotas da noite. Já despi a minha túnica, hei de vesti-la outra vez? Já lavei os pés, tornarei a sujá-los? (Ct 5.2,3)

O tempo todo a Sulamita estava ouvido à voz do seu amado. De fato ele a chamava com muita insistência, convidava ela para vir ao seu encontro, contudo ela não o fez. Era início da manhã, era hora dela se retirar de seus aposentos para acompanhar seu amado, mas ela não o fez. Era hora dela de vestir, de gastar a sola de seus sapatos, caminhar junto com o seu amado, mas ela não o fez? E por que não fez? Porque ela se tornou prisioneira de sua própria sensação de bem-estar. Ela estava cheirosa, deitada em seu leito, totalmente nua. Na visão dela seu amado deveria vir para usufruir aquele momento com ela, dar prazer a ela, amá-la, contudo o amado dela sabia quão perigoso era o lugar em que ela se encontrava. Seu amado tinha absoluta noção que ela tinha de sair de si mesma para voltar-se para seu amado, que a única forma de desfazer-se daquela ilusória sensação de bem-estar seria palmilhar as dificuldades da vida.

Não foi assim que a serpente afastou a mulher do jardim do Éden. Não fez ela perceber que o único fruto que ela não podia pegar, deveria ser exatamente aquele que ela se aferraria em seu desejo? Deus não havia dado de todo tipo de fruto para a mulher comer? Não era abundante tudo que havia no jardim para deleite dela? O que fez a serpente senão cegar ela para uma única faceta da vida que a mataria, aquela que faria a Sulamita restringir toda sua existência ao que se passava no seu leito. E, porque a Sulamita se deixou cegar pela sensação de bem-estar no seu leito nupcial, ela perdeu de vista tudo quanto Deus tinha preparado para ela, restando tão somente a perdição, algo pior do que a própria morte. Eis a sequência do texto:

Encontraram-me os guardas que rondavam pela cidade; espancaram-me e feriram-me; tiraram-me o manto os guardas dos muros. (Ct 5.7)

Note que a Sulamita estava nua em seu leito nupcial, contudo ainda assim perdera seu amado. Agora que fora obrigada a se vestir para iniciar sua busca aterrorizante, a própria roupa que a cobria lhe fora tirada, não lhe restando outra coisa senão a vergonha, sendo exposta a pancadaria, sendo ferida por aqueles que antes lhe era proteção. Agora os guardas, que antes lhe dava segurança, se voltam contra ela para a espancar, tudo porque ela, sem seu amado, não era mais ninguém senão alguém submetida a vergonha, a desonra e ao sofrimento.

Ao advertir a igreja de Tessalônica nestes termos, Paulo demonstra que nosso coração não pode servir de base para nortear nossa vida, ainda mais quando ele está anestesiado por sensações de bem-estar. Esta mudança de foco, quando deixamos de ouvir a voz de Deus para dar voz ao nosso coração nada mais é que apagar o Espírito de Deus em nosso interior. E por que isso acontece? Qual é o papel do Espírito Santo em nosso interior?

Primeiro Jesus nos instruiu que enviaria o Espírito Santo para habitar conosco (Jo 14.17). E o que isso significa? Creio que a maioria de nós mora com alguém mais. Geralmente, por mais ampla que seja a casa, há momentos que nos incomodamos por ter de dividir o espaço com alguém. Por exemplo, queremos sentar em nosso lugar preferido, mas alguém chegou primeiro e está comodamente instalado naquele lugar. A vontade é de tirá-lo a tapas, não o fazemos, mas gritamos nosso direito, incomodando-o até que ele saia para sentarmos no lugar de nosso desejo. O almoço está posto na mesa, movemos a mão com velocidade para ter a maior e melhor colherada, pouco se lixando para o outro que foi mais lento que nós. Lembro-me de um dia, na casa de meu tio, quando vi um grande bife a minha espera. Tão logo foi dada a ordem para servir, lá estava o bife no meu prato. Minha prima pegou um menor. Não demorou, meu tio disse a minha prima: – como você pega o maior pedaço para você e não leva em conta os outros na mesa? Eu sabia que a repreensão feita a ela era dirigida a mim. Muitos fazem assim com o Espírito Santo, sabe que Ele habita em no seu interior, contudo faz coisas que o desagrada, sem nenhuma preocupação em honrar o Espírito Santo por seu lugar de direito. Não dar honra ao Espírito em seu corpo como templo dele é apagar o Espírito.

Jesus nos instruiu que o Espírito Santo veio para que pudéssemos aprender de Cristo e lembrar de Suas benditas palavras (Jo 14.26). Isto significa que cada faceta de nossa vida precisa necessariamente dos conselhos do Senhor. Mas quem se ocupa em dar este lugar ao Espírito Santo? A não ser questões de menor relevância, que seja eminentemente espiritual, nenhuma outra é levada a apreciação do Senhor. No domingo de manha alguém pergunta ao Espírito: – devo ir ao culto matinal ou assistir a corrida de formula 1? Depois de avaliar suas dúvidas por alguns segundos, conclui que o Senhor o quer no culto e sai lamentando perder aquela corrida. Por outro lado, qualquer coisa feita de segunda até sábado é por sua conta e risco. Perguntar ao Senhor? Nem pensar! A não ser que a tribulação seja tão grande que a pessoa sente ser hora de clamar ao Senhor. Mas se houver o menor traço de bem-estar, por que falar com Deus? Vai que O Senhor aponte algo que precise ser mudado, que exige algum grau de arrependimento. Neste caso, ignorar o Senhor é muito melhor que consulta-lo e descobrir que é hora de mudar de atitude. Não levar em conta os conselhos do Senhor é apagar o Espírito.

Jesus nos instruiu que o Espírito Santo veio para revelar Cristo em nós (Jo 15.26). Vamos entender a situação em que nos encontramos. O Espirito Santo habita em nós com o propósito de nos instruir em todas as coisas e nos fazer lembrar da palavra do Senhor. Por certo que os conselhos dados pelo Espírito Santo estão em absoluta concordância com a Bíblia, a palavra de Deus. Então ele nos exorta algo do tipo: – mulher seja submissa ao seu marido; – marido ame sua mulher; – pais tratem bem seus filhos; – filhos obedeçam seus pais; – empregados sujeitem a seus empregadores; – empreendedores tratem seus empregados com justiça. Todas estas instruções estão no capítulo 5 e 6 da carta de Paulo aos Efésios. Todas estas instruções exigem mortificar o ego para evidenciar a conduta. Todas estas instruções são oportunidades para que Cristo em nós se manifeste como cheiro suave ao outro. E o que fazemos? Rejeitamos nos deixar moldar pelo Espírito na imagem de Cristo. Preferimos aquilo que cultivamos para nós em nosso leito, determinando nosso futuro e nossa conduta, antes a dar voz ao Espírito Santo. Contudo são nos papeis que nos cabe cumprir ao longo do dia que surge a oportunidade de nos deixar moldar pelo Espírito de Deus. Recusar o papel que Deus nos deu, por pior que seja nossa dificuldade em nos adaptar a ele é um modo de apagar o Espírito.

Por fim Jesus nos instruiu que o Espirito veio para nos revelar as coisas que ainda hão de vir (Jo 16.13). Esta é parte mais terrível de todas, porque se o salário do pecado é a morte, o fim das coisas diz respeito aos juízos de Deus. Ainda que possamos levar em conta que a palavra do Senhor nos revela novos céus e nova terra, é fato que antes de chegar este dia, uma série de juízos hão de abater a terra até expurgar todo pecado. Vejamos como o Espírito de Deus trata esta questão de mostrar o que há de vir e, se não dermos ouvido, qual será a atitude do Espirito para conosco. É bom se preparar para ler o texto todo, pois a advertência é muito séria para deixar algo de fora:

Atentai para a minha repreensão; eis que derramarei copiosamente para vós outros o meu espírito e vos farei saber as minhas palavras. Mas, porque clamei, e vós recusastes; porque estendi a mão, e não houve quem atendesse; antes, rejeitastes todo o meu conselho e não quisestes a minha repreensão; também eu me rirei na vossa desventura, e, em vindo o vosso terror, eu zombarei, em vindo o vosso terror como a tempestade, em vindo a vossa perdição como o redemoinho, quando vos chegar o aperto e a angústia. Então, me invocarão, mas eu não responderei; procurar-me-ão, porém não me hão de achar. Porquanto aborreceram o conhecimento e não preferiram o temor do SENHOR; não quiseram o meu conselho e desprezaram toda a minha repreensão. Portanto, comerão do fruto do seu procedimento e dos seus próprios conselhos se fartarão. (Pv 1.123-31)

Quão terrível é esta hora, quando alguém percebe que o Espírito de Deus se apagou dentro de si. De tanto o Espírito exortar, de tanto Ele repreender, de tanto aconselhar sem ser ouvido, tudo que restou a esta pessoa é a sensação de bem-estar, que da parte de Deus não veio, pois é fruto do seu procedimento e dos seus próprios conselhos. O resultado é como chamar o inferno na terra. Foi assim que a Sulamita se viu quando saiu do seu leito de bem-estar. Suas vestes fora incapaz de cobrir sua vergonha e, aqueles que deviam lhe dar proteção, agora lhes virara as costas, não sem antes bater nela, ferindo-a, magoando-a e expondo-a a vexação por não ter mais o Seu amado com ela.

Este texto é uma advertência para cada um de nós. Ele basicamente diz que nosso coração não serve de parâmetro para declarar nossa verdadeira condição espiritual diante de Deus. Nós só podemos confiar na palavra do Senhor e se esta mesma palavra não estiver moldando nossa conduta, nos tirando de nosso comodismo, o resultado pode ser desolador. Que estejamos vigilante para não apagarmos o Espírito de Deus em nos por estarmos acomodados na presunção de bem-estar.

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