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O estilo de vida não importa, o que salva é o evangelho

Acaso, alguém ensinará ciência a Deus, a ele que julga os que estão nos céus? Um morre em pleno vigor, despreocupado e tranquilo, com seus baldes cheios de leite e fresca a medula dos seus ossos. Outro, ao contrário, morre na amargura do seu coração, não havendo provado do bem. Juntamente jazem no pó, onde os vermes os cobrem. (Jó 21.22-26)

Caro amigo! Dileta amiga! Se fossemos diagnosticar o cristianismo atual, o prognóstico seria miopia espiritual. Antes de você me questionar este diagnóstico, precisamos considerar quão importante é termos olhos espirituais sadios.

O evangelho de Marcos nos conta que Jesus encontrou-se com um cego. Retirando-o da aldeia, aplicou-lhe saliva nos olhos e, impondo-lhe as mãos, perguntou se estava a ver alguma coisa. Ao que este homem respondeu: – “Vejo os homens, porque como árvores os vejo, andando” (Mc 8.24). O Senhor impôs as mãos sobre os olhos deste homem e, desde aquele dia ele passou a ver claramente todas as coisas, distinguindo cada detalhe de modo perfeito.

Quem já teve miopia, fez a devida consulta médica, adquiriu óculos de graus para si sabe o que isso significa. Imagine você cruzando um parque com os óculos  na mão, então você para no centro daquele lugar, todo cercado de árvores, com suas belas flores. Então você coloca seus óculos e percorre suas vistas por toda aquela beleza. Por certo você ficaria encantado com a perfeição dos traços das folhas, com a beleza das flores e, depois de passar por esta experiência, diria para si mesmo: – jamais deixarei de usar este óculos, não quero perder o detalhe da beleza.

O apóstolo Paulo, fazendo menção desta capacidade visual que cada crente em Jesus Cristo deve possuir, orou especificamente pela igreja de Éfeso. A importância desta oração é tão vital para nossa saúde espiritual que precisamos ler detidamente, com muita atenção, fazendo um pedido íntimo ao Senhor que ela surta seu efeito em nós. Esta oração demonstra que, ao contrário do mundo natural, em que nossos olhos possuem certa vitalidade que vai se perdendo ao longo do tempo, razão de tantos usarem óculos, no âmbito espiritual a capacidade espiritual dos olhos aumenta, desde que tenhamos intimidade com o Senhor e com Sua bendita palavra. Leiamos, orando, a petição de Paulo:

não cesso de dar graças por vós, fazendo menção de vós nas minhas orações, para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele, iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos e qual a suprema grandeza do seu poder para com os que cremos, segundo a eficácia da força do seu poder; (Ef 1.16-19)

Se atentarmos para a oração, perceberemos que ela se desdobra em três pedidos, todos eles intimamente ligado a quem somos em Cristo Jesus. Primeiro precisamos conhecer a natureza e a esperança de nosso chamado celestial. Segundo, precisamos conhecer a extensão das riquezas espirituais que nos foram concedidas, principalmente aquelas que nos são reservadas por herança, recebidas quando passarmos pela ressurreição dos mortos e arrebatamento da igreja, ao toque da trombeta. Por fim precisamos conhecer a grandiosidade do poder de Deus está sobre nós, os que cremos, poder este que age em estrita eficácia com a bendita presença do Espírito Santo em nós, dai Paulo declarar que o poder de Deus age em conformidade com a eficácia da força do poder de Deus operante no nosso íntimo.

Compreendido a necessidade que temos de, não só termos visão espiritual perfeita, como também de aumentarmos nossa capacidade visual à luz da palavra de Deus, precisamos refletir seriamente sobre as condições espirituais daqueles que não têm a Cristo. E, uma vez compreendida esta realidade, compreender qual nossa verdadeira especialidade para fazer a diferença.

O ímpio, a luz das escrituras, é todo aquele que diz não haver Deus. Ele é incrédulo por natureza. Na verdade, este critério se aplica a todo homem nascido de mulher, em todas as épocas, desde a queda de Adão, no Jardim do Éden. Chamo sua atenção para um detalhe muito importante. Nós temos a tendência de julgar as pessoas pelo que ouvimos e vemos dela, levando em conta nossa forma de pensar. Assim, quando um indivíduo qualquer afirma crer em Deus, temos a tendência de concluir que estamos diante de um crente.

Se o ímpio é todo nascido de mulher, para não nos deixar enganar, precisamos entender que o crente em Jesus Cristo é todo aquele nascido de novo. E, neste aspecto, não estamos falando a experiência do cristão em si, mas de um evento único, singular, que uma vez espiritualmente realizado, jamais se repete. João descreve o modo como se dá este novo nascimento. Leiamos; “a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome” (Jo 1.12). Assim, o novo nascimento se dá quando interage no indivíduo três condicionantes: 1) ele ouve a palavra do evangelho; 2) ele crê nesta palavra em seu coração e 3) ele confessa sua fé por meio de sua boca, fazendo-a conhecida a seus semelhantes.

Feita a distinção entre o ímpio e o crente. Precisamos agora compreender o modo de vida do ímpio e, uma vez atento ao que se passa com ele, não nos deixarmos enganar com a aparência das coisas.

No capítulo 21 de Jó, ele está a responder a Zofar. Seu amigo tinha consigo que a distinção entre um ímpio e o justo estava no modo como Deus o tratava na vida presente. Para Zofar quem pratica o mal colhe o que planta. Assim, a morte precoce de um homem em meio a calamidades que abate sua casa era um sinal evidente do juízo de Deus. Então Zofar conclui:

“Para encher a sua barriga, Deus mandará sobre ele o furor da sua ira, que, por alimento, mandará chover sobre ele” (Jó 20.23). Com isso, “Os céus lhe manifestarão a sua iniquidade; e a terra se levantará contra ele” (Jó 20.27)

Obviamente Zofar estava descrevendo as calamidades que abaterem sobre a casa de Jó, uma forma indireta de dizer que Jó era um homem ímpio, bem ao contrário da declaração feita pelo próprio Deus acerca de Jó, que o considerava “homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desviava do mal” (Jó 1.1).

Jó percebeu, pelas palavras de Zofar, que ele sofria de miopia espiritual, razão porque descreveu como vive ímpio nesta presente era. Para Jó o ímpio experimenta duas realidades diametralmente opostas. Se tão somente considerarmos a primeira de suas observações, jamais haveríamos de considerar estarmos diante de um ímpio. Primeiro Jó declara que as casas dos ímpios têm paz, eles vivem se nenhum temor, e a vara de Deus não os fustiga (Jó 21.9), o que implica dizer que o ímpio pode levar a vida que se determinar, aparentemente Deus não faz caso algum disso.

Não só isso, como também este ímpio demonstra claramente não se importar com Deus, não querer conhecer os caminhos do Senhor de modo algum e ainda dizem consigo mesmo: – “Que é o Todo-Poderoso, para que nós o sirvamos? E que nos aproveitará que lhe façamos orações?” (Jó 21.15). O salmista vai mais longe em seu diagnóstico: “O perverso, na sua soberba, não investiga; que não há Deus são todas as suas cogitações” (Sl 10.4).

Para que não se crie uma regra aqui, pensando que todas as pessoas ímpias são bem sucedidas, têm vida longa e prosperam, Jó faz um diagnóstico contraposto das condicionantes de vida destes ímpios:

“Um morre em pleno vigor, despreocupado e tranquilo …  Outro, ao contrário, morre na amargura do seu coração, não havendo provado do bem. Juntamente jazem no pó, onde os vermes os cobrem.” (Jó 21.23-26)

O que Jó esta querendo dizer é que não há como considerar quem é ímpio ou não com base no seu estilo de vida, pois Deus pode perfeitamente deixar um gozar de toda sua riqueza até o fim da vida, no entanto outro pode sofrer dores e amarguras durante toda sua existência.

Compreendido esta verdade, entendendo que o ímpio não quer absolutamente nada com o evangelho, você me faz a seguinte pergunta: – como fazer então para trazer um ímpio a Cristo? A resposta a esta questão é mais simples do que parece. Paulo, falando acerca dos salvos, fez a seguinte declaração: “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados” (Ef 2.1). Nós antes de nascermos de novo, assim como todo homem nascido de mulher que não conheceu a Cristo, estão mortos em seus delitos e pecados. Sintetizando de forma conclusiva: o ímpio está espiritualmente morto.

Uma vez claro a condicionante do ímpio, temos a resposta de como mudar este estado de coisas. Todo ser que está morto só lhe resta uma alternativa depois disto. Do ponto de vista escatológico os mortos ou vão ressuscitar em Cristo Jesus e ter vida eterna, ou vão ressuscitar para juízo e serem lançados no lago de fogo e enxofre. O que há de comum entre todos é que vão ressuscitar de um modo ou de outro.

Agora, enquanto este quadro escatológico não se cumpre, um ímpio que esteja morto em seus delitos e pecados, para que este estado de coisa mude, ele precisa ressuscitar, nascer de novo e o que leva este indivíduo ao novo nascimento é a pregação do evangelho, pois ele “é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego” (Rm 1.16). Assim, não se deixe enganar pela aparência do ímpio, nem pense que sem conhecer o evangelho ele possa ser salvo. Cabe a cada um de nós fazer conhecido a palavra de Deus para que as condicionantes do ímpios sejam modificadas e eles sejam como nós, salvos em Cristo Jesus. O evangelho é a resposta, não se esqueça disso.

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