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O tipo de cosmovisão em nossas transações comerciais

Disse Davi a Ornã: Dá-me este lugar da eira a fim de edificar nele um altar ao SENHOR, para que cesse a praga de sobre o povo; dá-mo pelo seu devido valor. (I Cr 21.22)

Davi deu a Ornã por aquele lugar a soma de seiscentos siclos de ouro. Edificou ali um altar ao SENHOR, ofereceu nele holocaustos e sacrifícios pacíficos e invocou o SENHOR, o qual lhe respondeu com fogo do céu sobre o altar do holocausto. (I Cr 21.25,26)

Disse Acabe a Nabote: Dá-me a tua vinha, para que me sirva de horta, pois está perto, ao lado da minha casa. Dar-te-ei por ela outra, melhor; ou, se for do teu agrado, dar-te-ei em dinheiro o que ela vale. Porém Nabote disse a Acabe: Guarde-me o SENHOR de que eu dê a herança de meus pais. Então, Acabe veio desgostoso e indignado para sua casa, por causa da palavra que Nabote, o jezreelita, lhe falara, quando disse: Não te darei a herança de meus pais. E deitou-se na sua cama, voltou o rosto e não comeu pão. (I Rs 21.2-4)

Tendo Jezabel ouvido que Nabote fora apedrejado e morrera, disse a Acabe: Levanta-te e toma posse da vinha que Nabote, o jezreelita, recusou dar-te por dinheiro; pois Nabote já não vive, mas é morto. (Tendo Acabe ouvido que Nabote era morto, levantou-se para descer para a vinha de Nabote, o jezreelita, para tomar posse dela. (I Rs 21.15, 16)

Caro amigo! Dileta amiga! Dois reis, duas aquisições de terra, dois modos de agir diametralmente oposto. Nós precisamos considerar estas discrepâncias de comportamentos entre o Rei Davi e o Rei Acabe, porquanto como ambos eram reis de Israel, eles retratam as duas facetas de nossa personalidade. Ou nós nos assemelhamos ao rei Davi em sua cosmovisão celestial ou agimos como o rei Acabe, em sua perspectiva mundana, materialista, consumista e secularista.

O rei Davi foi o mais extraordinário rei de Israel. Ele ficou conhecido como sendo um homem segundo o coração de Deus, porquanto desde tenra idade aprendeu a andar com Deus. Davi veio de um lar disfuncional. É provável que era filho de uma mulher discriminada entre outras esposas de Jessé, razão porque, quando de sua escolha para ser rei, o encontramos trabalhando, enquanto todos seus irmãos estavam em torno da mesa do pai deles.

Em que pese o fato de Davi ser segundo o coração de Deus, não impediu que tivesse altos e baixos, grandes vitórias, escolhas terríveis que lhe trouxeram dissabores, decepções e arrependimento. Dentre as más escolhas de Davi encontramos o seu adultério com Bate-Seba, uma das histórias mais conhecidas e comentadas. Contudo há outro momento que, a luz do que acontece usualmente nos dias atuais, ficamos sem entender porque Davi errara em sua escolha.

Nossa dificuldade reside porque conhecemos o trabalho do IBGE, uma fundação de direito púbico responsável por realizar censos periódicos, organizando as informações obtidas neles, tornando-as públicas, para atendimento de múltiplas finalidades. Em sua época Davi também reconheceu a necessidade de fazer um censo entre o povo. Acerta da fonte que inspirou Davi a mandar contar o povo, temos dois relatos:

Tornou a ira do SENHOR a acender-se contra os israelitas, e ele incitou a Davi contra eles, dizendo: Vai, levanta o censo de Israel e de Judá. (II Sm 24.1)

Então, Satanás se levantou contra Israel e incitou a Davi a levantar o censo de Israel. (I Cr 21.1)

No II livro de Samuel é dito que a ira do Senhor induziu Davi a realizar o senso, já no de I Crônicas, a fonte desta inspiração fora o próprio Satanás. Em que pese as versões serem contraditórias, podemos compreender facilmente estas discrepâncias se lermos o primeiro capitulo da história de Jó. No caso de Jó, encontramos Satanás pedindo permissão a Deus para infringir sucessivos golpes malignos contra Jó e sua integridade. Somente depois da permissão divina Satanás empreende seus terríveis desígnios. Isto demonstra que nenhum poder do mal pode atentar contra nossa vida sem a devida permissão do Senhor. Demonstra também que esta permissão é dada para provar nosso coração, prova esta que Davi passou com louvor.

Por outro lado encontramos o rei Acabe em um contexto completamente diferente do de Davi. Acabe fora rei em uma nação que viera da separação entre as tribos de Israel. Este fato ocorreu logo após a morte do rei Salomão, quando dez tribos não reconheceram o neto de Davi como seu rei. As dez tribos, da região Norte de Israel, fundaram seu próprio governo, sob a égide do bezerro de ouro. Isto porque se continuassem adorando a Deus em Jerusalém, cidade escolhida por Deus para fazer conhecido o Seu nome, Israel entendia que o coração do povo voltaria naturalmente para Jerusalém, reunificando a nação.

O rei Acabe persistiu na mesma idolatria de seus compatriotas, agravando-a ainda mais. Esta é a descrição que as escrituras dão acerca da índole deste rei: “Fez Acabe, filho de Onri, o que era mau perante o SENHOR, mais do que todos os que foram antes dele” (I Rs 16.30). Foi no reino de Acabe que surgiu o profeta Elias, fazendo cessar a chuva por três anos, buscando trazer a nação ao senhorio divino.

A história de Davi e Acabe tem um ponto de convergência com atitudes diametralmente opostas, na compra de um pedaço de terra. Ambos tiveram a necessidade de o fazer, contudo por motivos completamente diferentes. Davi fora obrigado a comprar a terra de Orna para, mediante a execução de um sacrifício, fizesse cessar a praga que Deus enviara como castigo por sua má escolha em fazer o recenseamento do povo. A esposa do rei Acabe, Jezabel, mandou matar Nabote para que Acabe transformasse as terras de Nabote em sua horta particular.

A aquisição de terra, fazenda, apartamento é nada mais que uma transação comercial. Generalizando, praticamente toda nossa existência é permeada por transações deste tipo. Diariamente somos levados ou ao mercado, ou ao Shopping, ou as imobiliárias ou ao e-commerce ou a qualquer outro tipo de estabelecimento para realizarmos transações comerciais, atendendo alguma necessidade de nossa vida. Portanto temos farto número de eventos comerciais por meio dos quais podemos validar qual a verdadeira finalidade que temos ao adquirir algo. Esta é a razão porque devemos considerar as intenções tanto do rei Davi quanto de Acabe para aferir nossas transações comerciais e, por consequência, a cosmovisão que nos guia nestas aquisições.

Entende-se por cosmovisão o modo subjetivo como entendemos o mundo e interagimos com ele. Como estou escrevendo para você, meu amigo, minha amiga, direciono este texto aos que assumem para si a cosmovisão cristã. Com isso quero dizer que, uma vez assumindo que cremos em Jesus Cristo, tendo sido justificados e regenerados, o corpo de doutrina que molda nossa fé deveria determinar nosso comportamento neste mundo. Esta é a razão de estarmos comparando o rei Davi com Acabe, porquanto ambos eram provenientes da descendência de Abraão, com promessas divinas para serem uma benção na terra. A fé comum de ambos deveria produzir uma mesma resposta em uma mera transação comercial, contudo não foi assim.

A primeira lição que podemos extrair do contraste entre os dois reis é que tanto a crise quanto a vaidade podem mover nossa vontade em direção a uma transação comercial. E, quando o fazemos podemos partir de uma perspectiva meramente consumista, como fez Acabe, ou então enquadrá-la dentro de um escopo espiritual, exemplificado por Davi. Acabe queria uma horta para si, anexando-a às suas posses. Davi, em meio a uma crise sem precedente, buscou conhecer onde errara diante de Deus e estava naquele momento buscando um modo de estancar o mal por meio do seu arrependimento. Paulo chama este tipo de índole de inclinação. Diante de um evento, mesmo uma transação comercial, qual é a inclinação que temos? Leia por você mesmo para fazer sua devida escolha:

Porque os que se inclinam para a carne cogitam das coisas da carne; mas os que se inclinam para o Espírito, das coisas do Espírito. Porque o pendor da carne dá para a morte, mas o do Espírito, para a vida e paz. (Rm 8.5,6)

Se compararmos a inclinação de cada um dos reis e o resultado alcançado por suas ações, haveremos de encontrar exemplificação literal do que afirma Paulo. Davi correu para comprar a porção de terra para estancar o espírito de morte, porquanto “enviou o SENHOR a peste a Israel, desde a manhã até ao tempo que determinou; e, de Dã até Berseba, morreram setenta mil homens do povo” (II Sm 24.15). Já Acabe, para ter posse da terra, exigiu que Jezabel, sua esposa, matasse um único homem, Nabote.

Nós podemos aferir se o que fazemos resulta em inclinação de morte ou de vida e paz pelo resultado que colhemos dela. Se nossas aquisições estão trazendo desajustes em nosso orçamento, fazendo crescer nosso endividamento, tirando nossa paz de espírito, nos levando a noites insones, fazendo nublar nossa perspectiva de futuro, então estamos cogitando as coisas da carne. Por outro lado, se nossas transações comerciais nos trazem para mais perto de Deus, contribuem para o bem estar espiritual, emocional e físico de nossa família, promovem o reino de Deus sobre a face da terra, então nossa inclinação é de vida e paz. Alias, o profeta fez menção deste tipo de contrate, chamando ao arrependimento, nos seguintes termos:

Ora, pois, assim diz o SENHOR dos Exércitos: Considerai o vosso passado. Tendes semeado muito e recolhido pouco; comeis, mas não chega para fartar-vos; bebeis, mas não dá para saciar-vos; vestis-vos, mas ninguém se aquece; e o que recebe salário, recebe-o para pô-lo num saquitel furado. Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Considerai o vosso passado. Subi ao monte, trazei madeira e edificai a casa; dela me agradarei e serei glorificado, diz o SENHOR. Esperastes o muito, e eis que veio a ser pouco, e esse pouco, quando o trouxestes para casa, eu com um assopro o dissipei. Por quê? – diz o SENHOR dos Exércitos; por causa da minha casa, que permanece em ruínas, ao passo que cada um de vós corre por causa de sua própria casa. (Ag 1.5-9)

 A somatória de nossas transações comerciais pode nos levar a este quadro em que a receita que temos é insuficiente para fazer frente às nossas necessidades e compromissos. O problema é que muitos de nós buscam solução em Brasília, pois entendem que a sorte do indivíduo está irremediavelmente ligado as condições econômico-financeiras da nação. O que as transações feita pelo Rei Davi e Acabe nos faz ver é que o verdadeiro drama que vivemos pode ter sua solução, não em Brasília, mas nos céus, diante da presença de Deus, em revisão de nossos atos, arrependimento e mudança de atitude com foco na cosmovisão crista.

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