Reflexões

O vale nosso de cada dia

Mas vieram os filisteus e se estenderam pelo vale dos Refains. Davi consultou ao SENHOR, dizendo: Subirei contra os filisteus? Entregar-mos-ás nas mãos? Respondeu-lhe o SENHOR: Sobe, porque, certamente, entregarei os filisteus nas tuas mãos. (II Sm 5.18,19)

Os filisteus tornaram a subir e se estenderam pelo vale dos Refains. Davi consultou ao SENHOR, e este lhe respondeu: Não subirás; rodeia por detrás deles e ataca-os por defronte das amoreiras. E há de ser que, ouvindo tu um estrondo de marcha pelas copas das amoreiras, então, te apressarás: é o SENHOR que saiu diante de ti, a ferir o arraial dos filisteus. (II Sm 5.22-24)

O que faz um general em uma guerra? Conduz seus exércitos contra seus adversários para vencê-los. Foi o que fez Davi na condição de rei de Israel. Por duas vezes venceu os filisteus no vale dos Refains. O vale dos Refains era uma conhecida rota costeira das colinas da Judéia, localizada ao sudoeste de Jerusalém. Esta fértil planície, conhecida hoje como El-Bukeia, era fechada por todos os lados por cordilheiras, estendendo-se por dois quilômetros. Refains está associado a presença dos gigantes na terra, povos de grande estatura como os emins e anaquins (Dt 2.10,11). O vale dos Refains simboliza este sistema mundano e demoníaco, fortemente sob a influência do maligno, um lugar de desafios e batalhas cruentas, onde os valores bíblicos são contestados, imperando a prevalência da força sobre os mais fracos, lugar de opressão, angústia e dor. As guerras travadas por Davi no vale dos Refains é uma figura das batalhas do dia a dia a que estamos submetidos.

Quando falamos em batalhas, parece que estamos a mencionar uma realidade que não nos diz respeito. Isto porque não vemos, pelo menos no Brasil, nenhum sinal evidente da quebra da ordem pública, senão em lugares pontuais, onde o crime estabeleceu seus domínios férreos, como é o caso de muitas favelas no Rio de Janeiro. Neste lugar o cidadão tem consciência que pode não voltar à noite por conta de uma bala perdida. Ele sabe que o perigo espreita a cada esquina, então sua percepção que habitamos em um mundo inóspito é muito superior ao que nós temos em outros rincões brasileiros. Contudo, quer seja nestes lugares, quer seja no mais idílico, maravilhoso, utópico e fantasioso de todos os lugares da terra, se pudéssemos enxergar por traz das cortinas do mundo visível, haveríamos de contemplar milhões e milhões de hostes malignas nos cercando, pronto a nos tragar. Isto porque este mundo jaz no maligno, há uma guerra real sendo travada nos lugares celestiais, pois, como Paulo escreveu, “nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes” (Ef 6.12).

Tendo esta percepção que o vale dos Refains é uma representação do mundo em que vivemos, as batalhas travadas neste lugar faz um paralelo com toda e qualquer tribulação que nos assalta diariamente. Davi, que vencera a primeira guerra, poderia facilmente sentir-se tentado a aplicar a mesma estratégia no outro embate, pois o inimigo era o mesmo, o lugar o mesmo e ele já tinha consigo uma estratégia vencedora. Como diz o ditado popular, em time que está ganhando não se mexe, Davi poderia ser tentando a replicar sua estratégia bem sucedida, tendo consigo que bastaria repetir seu feito para obter a mesma vitória.

Quantas vezes não cometemos o mesmo erro. Acordamos de manhã, temos diante de nós um dia de vinte e quatro horas como todos os outros que já vivenciamos, nos arvoramos na certeza que replicando nossos feitos do dia anterior por crermos ter suficiente sabedoria para vencer este dia, contudo nos esquecemos que o mundo não gira em nosso derredor. Incontáveis inimigos fizeram seu rearranjo para nos assaltar de surpresa e nos derrotar. Há uma música que bem retrata esta realidade, ela diz: bem de manhã, embora o céu sereno pareça um dia calmo anunciar, vigia e hora oh coração pequeno, um temporal pode abrigar. E assim, saindo desprevenido por acharmos que este dia é igual ao que se passou, não buscamos a Deus em oração pedindo para nos livrar do mal deste dia. Saímos para enfrentar o mundo completamente despreparado e desprevenido e, na primeira esquina, somos assaltados pelas mais variadas formas de angústias, perdemos o bom humor, temos sensações de perdas, sentimos a opressão do medo, tememos ser vítima de gente insensível e inóspita. Todas estas percepções que sobrevém sobre nós deveria nos tornar consciente desta batalha espiritual que se passa no mundo invisível é real e precisa que nós desenvolvamos contra medidas para fazer frente a elas. O fato de não termos condição de enxergarmos estes exércitos malignos não significa que eles deixam de existir, razão porque precisamos nos guiar pela fé na palavra de Deus, isto é, reconhecer a realidade em que estamos inseridos não pelo que vemos, mas pelo que a Bíblia diz como o é.

Davi enfrentou nos textos citados duas batalhas, em ambas ele pediu orientação divina, na primeira o Senhor mandou suas tropas avançar de frente para o inimigo, na segunda o fez dirigir-se por detrás. Esta mudança de estratégia para o mesmo inimigo, no mesmo campo de batalha reforça a necessidade que seguirmos diariamente a orientação dada por Jesus Cristo na oração do Pai nosso, pois o pão nosso deve ser pedido diariamente, como também a proteção contra o mal, o discernimento de como devemos guiar nossos relacionamentos. Nesta mesma oração somos levados a adorarmos a Deus por ser nosso Pai celestial, aquele que supre todas as nossas necessidades, razão porque desejamos ardentemente nos colocar debaixo do Seu senhorio, clamando para que a vontade divina seja feita na terra como no céu. Estas duas batalhas de Davi representa para nós um chamamento para nunca, jamais, ignorarmos as realidades espirituais que estamos inseridos no dia a dia. Vamos, pois, vigiar e orar?

pensador

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“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Rm 6:23)

 

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