Mensagens

O valor de um mau testemunho cristão

Tudo faço por causa do evangelho, com o fim de me tornar cooperador com ele. Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis. (I Co 9.23,24)

Ora, irmãos, não quero que ignoreis que nossos pais estiveram todos sob a nuvem, e todos passaram pelo mar, tendo sido todos batizados, assim na nuvem como no mar, com respeito a Moisés. Todos eles comeram de um só manjar espiritual e beberam da mesma fonte espiritual; porque bebiam de uma pedra espiritual que os seguia. E a pedra era Cristo. Entretanto, Deus não se agradou da maioria deles, razão por que ficaram prostrados no deserto. (I Co 10.1-5)

Caro amigo! Dileta amiga! Vamos tratar de uma questão que divide opiniões entre os cristãos. Vamos tecer comentários sobre o papel que nossa conduta cristã exerce na ministração do evangelho. E quero iniciar com uma observação. Todo aquele que recebe a Jesus como Senhor e Salvador, este é justificado em Cristo Jesus e nasce de novo. Esta obra o torna qualificado para ressuscitar, se vier a morrer, ou ser arrebatado, se trombeta soar chamando os salvos para o encontro com o Senhor nos ares. E porque basta receber a Cristo para ter a vida eterna? Isto acontece porque somos salvos mediante a fé, não intervindo no processo nenhuma obra humana. Cristo alcançou esta vitória por nós na cruz, ao morrer e, depois, ao ressuscitar. Todos os méritos de Cristo são atribuídos ao que está justificado e regenerado.

Ocorre que entre o receber a Cristo e o início da vida eterna, há uma vida terrena para ser usufruída. Esta é a razão de Jesus categorizar a vida eterna em vida e vida abundante (Jo 10.10). Por vida entende-se o fruto contínuo, perpétuo, ininterrupto desta emanação de vida que se perdura no tempo e no espaço. E, mesmo que ela seja interrompida pela morte, ainda assim aguarda o momento da ressurreição, quando receberá corpo glorificado para adentrar na vida eterna. Por outro lado a vida abundante diz respeito a intensidade do momento em que esta vida se realiza. Da intensidade que esta vida pode usufruir em dadas condicionantes em termos de paz, alegria, longanimidade, justiça e assim por diante. A pergunta que devemos então fazer é: – como podemos viver no tempo presente os efeitos da vida eterna? E qual sua influência na pregação do evangelho?

Tem um ditado que é usado com frequência para demonstrar a importância do testemunho na pregação do evangelho. Diz-se de forma corrente: – sua vida fala tão alto que não ouço o que prega. Se assim fosse, o evangelho estaria na dependência direta do testemunho do cristão. Será isso verdade? Deixemos Paulo responder.

Alguns, efetivamente, proclamam a Cristo por inveja e porfia; outros, porém, o fazem de boa vontade; estes, por amor, sabendo que estou incumbido da defesa do evangelho; aqueles, contudo, pregam a Cristo, por discórdia, insinceramente, julgando suscitar tribulação às minhas cadeias. Todavia, que importa? Uma vez que Cristo, de qualquer modo, está sendo pregado, quer por pretexto, quer por verdade, também com isto me regozijo, sim, sempre me regozijarei. (Fl 1.15-18)

Paulo está a considerar a intenção daquele que ministra a palavra de Deus. Ele apresenta dois grupos de pessoas, aquele que prega o evangelho com seriedade, bom testemunho cristão e de boa vontade e outro grupo, inconsequente, interesseiro, birrento, que mais promovem dissensões que a paz. E qual a conclusão do apóstolo Paulo? É que seja de um modo ou de outro, pessoas poderão ser alcançadas pelo evangelho. Ou seja, para uma vida ser alcançadas pela palavra de Deus, basta que esta mesma palavra seja apresentada, porquanto há poder em sua mensagem para transformar uma vida. O evangelho não depende do testemunho de ninguém para alcançar vidas, ele tem poder em si mesmo. Paulo escreveu a este respeito:

Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego; (Rm 1.16)

O evangelho é o poder de Deus que salva todo aquele que nele crê e, neste sentido, tanto faz se quem o apresenta tem ou não testemunho condizente. O poder que salva não está em sua vida, mas no evangelho. Paulo tinha tanta consciência desta verdade que ele próprio foi repreendido diretamente pelo Senhor Jesus para não incorrer neste erro. Leia por você mesmo esta história.

Tendo eu voltado para Jerusalém, enquanto orava no templo, sobreveio-me um êxtase, e vi aquele que falava comigo: Apressa-te e sai logo de Jerusalém, porque não receberão o teu testemunho a meu respeito. Eu disse: Senhor, eles bem sabem que eu encerrava em prisão e, nas sinagogas, açoitava os que criam em ti. Quando se derramava o sangue de Estêvão, tua testemunha, eu também estava presente, consentia nisso e até guardei as vestes dos que o matavam. Mas ele me disse: Vai, porque eu te enviarei para longe, aos gentios. (At 22.17-21)

Paulo testemunha de um fato que aconteceu nos primeiros anos após sua conversão. Ele tinha fugido de Damasco e agora estava em Jerusalém. Ele pretendida permanecer nesta cidade apresentando como credencial seu impactante testemunho de conversão. Ele entendia que bastava tão somente contar sua história e as pessoas viriam correndo para Cristo. O Senhor, contudo, foi incisivo dizendo que Jerusalém iria rejeitar o testemunho de Paulo, portanto era hora de partir. Paulo se retirou para Tarso ficando muitos anos em sua terra natal antes de ser chamado para ministrar em Antioquia. Se um bom testemunho não é suficiente para levar alguém a Cristo, o mau testemunho também não tem o poder de afastar alguém de Cristo. Desde que a palavra de Deus seja anunciada, ela tem em si o poder de Deus para salvar.

Se por um lado tiver ou não ter testemunho não faz diferença para a palavra de Deus salvar alguém, por outro o bom testemunho corrobora o poder salvítico da palavra de Deus. Para fazer esta distinção Paulo faz referência aos jogos olímpicos de sua época. Todos correm, um alcança o prêmio. Paulo está demonstrando por este exemplo que Deus jamais se esquecerá de todo sacrifício, disposição de vontade, amor a obra de Deus, que alguém empreende para levar o evangelho. Neste caso o indivíduo se torna como o bom perfume de Cristo. Deus pode fazer do testemunho deste uma poderosa mensagem do poder transformador de Cristo no âmago do ser.

Nós precisamos entender a distinção entre o poder intrínseco da palavra de Deus e nosso testemunho associado a ela. Como Paulo afirma, mesmo que muitos pregam a Cristo por inveja ou por contenda, ainda assim pessoas estarão sendo convertidas por esta pregação, mas isto não significa que Deus está validando o comportamento do pregador. Chamo esta situação de chegar no céu como pintinho depenando. A pessoa, na terra, a luz dos homens, parece ter um ministério exemplar, todos admirando a envergadura do pregador, contudo ao chegar no céu, passando as obras deste pelo fogo, não sobra nada senão tão somente sua alma. Creio que você deve estar se perguntando de onde tiro a ideia do pintinho depenado. Vou lhe mostrar:

Contudo, se o que alguém edifica sobre o fundamento é ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, manifesta se tornará a obra de cada um; pois o Dia a demonstrará, porque está sendo revelada pelo fogo; e qual seja a obra de cada um o próprio fogo o provará. Se permanecer a obra de alguém que sobre o fundamento edificou, esse receberá galardão; se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele dano; mas esse mesmo será salvo, todavia, como que através do fogo. (I Co 3.12-15)

Com base nesta revelação do apóstolo Paulo, cada um de nós seremos testados pelo fogo diante de Deus. Se nossa obra foi feita por meio do Espírito Santo, não pela força da carne, mesmo que seja em algum grau, esta obra se revelará, senão, tudo será queimado, restando a este tão somente sua salvação porque ela não dependeu de nenhuma obra que este tenha feito, mas tão somente com base no sacrifício de Cristo no calvário. Por isso disse no início que basta tão somente alguém crer em Cristo para ser salvo, agora, para ter suas obras em Cristo reconhecidas, tudo depende desta mesma obra passar pelo critério do fogo naquele dia.

É por isso que Paulo usa da travessia do deserto para demonstrar que no percurso para a nova Canaã cada um é tratado em conformidade com sua fé, ainda que todos participem do mesmo alimento espiritual, que é Cristo. Quem é salvo tão somente por sua justificação e regeneração (este ato é concomitante com a justificação), está salvo pelos méritos de Cristo. Quem acrescer a sua justificação e regeneração o andar em Espírito, acrescentará obras à sua salvação, contudo, como feita pelo Espírito, não por força da carne, esta obra é reconhecida diante de Deus segundo o grau em que ela se apresenta (que se observa pelos diferentes tipos de pedras preciosas mencionadas por Paulo.

Agora, para você compreender o valor das coisas que queimam como madeira, feno e palha, imagine o seguinte diálogo nos céus, diante do trono de Deus. Deus chama Paulo, o apóstolo para apresentar o conjunto de suas obras na terra. Como ele já passara pelo fogo, tudo que ele apresenta ao Senhor é o ouro, fruto de suas obras na terra. Deus fica deveras admirado com o valor do testemunho de Paulo, pois ele é como a estória do rei Midas, tudo que toca vira ouro. Paulo fora um homem tão cheio do Espirito Santo que em dadas circunstâncias tinha o discernimento de dizer: – agora digo eu, não o Senhor. Se alguém tiver obras que retratam ouro, este é o apóstolo Paulo.

Finda a apresentação de todo o ouro, Deus diz assim a Paulo: – estou admirado com suas obras, você teve um grande ministério, eis aqui o seu galardão. Agora, para que você possa comemorar este resultado alcançado como pelo Espírito do Senhor, traga para diante de mim madeira, palha e feno para que um grande fogo se erga em minha presença. Paulo, cuja obra toda fora transformada em ouro, começa a pensar onde conseguiria madeira, feno e palha para levantar este fogo diante do Senhor. Então Paulo se lembra de todos aqueles cujo testemunho fora tão fraco que a única coisa que contava era com a misericórdia de Deus para ser salvo, pois não tinham obra alguma a apresentar. Então ele chama todos estes fracos, relapsos e preguiçosos crentes que ele ganhara para Cristo pelo poder da palavra de Deus. Então uma grande fogueira é erguida diante do Senhor, porquanto estas vidas só tinham a misericórdia de Deus para serem salvos, somente a obra de Cristo na cruz e nada mais. Este foi um diálogo imaginário, mas Paulo deixou esta percepção escrita para nós. Leia por você mesmo:

Pelo contrário, os membros do corpo que parecem ser mais fracos são necessários; e os que nos parecem menos dignos no corpo, a estes damos muito maior honra; também os que em nós não são decorosos revestimos de especial honra. Mas os nossos membros nobres não têm necessidade disso. Contudo, Deus coordenou o corpo, concedendo muito mais honra àquilo que menos tinha, para que não haja divisão no corpo; pelo contrário, cooperem os membros, com igual cuidado, em favor uns dos outros. (I Co 12.22-25)

O que Paulo está a afirmar é que haverá muitos que chegarão aos céus tão somente com obras convertidas em madeira, feno e palha, contudo ainda estes demonstram a grandiosidade da graça divina, porquanto não tendo obra, não tendo testemunho, ainda assim foram salvos única e exclusivamente pelos méritos de Cristos. Este é eu e você, que isso sirva de incentivo para termos também um testemunho condizente com quem somos diante de Deus.

Comente este texto, compartilhe com seus amigos e amigas. Vejo você no próximo texto.

Leave a Comment