Reflexões

Obediência decorrente de relacionamento

Porém Samuel disse: Tem, porventura, o SENHOR tanto prazer em holocaustos e sacrifícios quanto em que se obedeça à sua palavra? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar, e o atender, melhor do que a gordura de carneiros. Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e a obstinação é como a idolatria e culto a ídolos do lar. Visto que rejeitaste a palavra do SENHOR, ele também te rejeitou a ti, para que não sejas rei. (I Sm 15.22,23)

Esta afirmação feita por Samuel pode induzir a diferentes conclusões se o leitor não levar em conta o contexto bíblico. Determinado grupo de pessoa entende a lei divina como imposição a ser cumprida a ferro e fogo, todo aquele que não comungar com o posicionamento deste grupo está condenado a perdição. Outro grupo é mais ameno, perdido a pessoa não está, mas santificada não é por não cumprir as ordens divinas. Um terceiro grupo entende que a obediência a palavra de Deus é condição para ser cooperador de Deus, qualquer atitude personalista impede que a vontade do Senhor seja manifesta entre os homens. Por fim, um último grupo entende que tudo é relativo, não há o que se falar em obedecer a Deus, pois a graça foi manifesta, agora a pessoa é livre para ser quem bem entender.

Para compreendermos a obediência à palavra de Deus à luz da história de Israel precisamos recuar no tempo. Israel vivia escravo no Egito quando Deus o libertou. Falando com Moisés acerca de Sua bendita intenção, Deus dissera: “Apareci a Abraão, a Isaque e a Jacó como Deus Todo-Poderoso; mas pelo meu nome, O SENHOR, não lhes fui conhecido” (Ex 6.3). Observe que Deus faz um contraste entre ser conhecido como Todo-Poderoso e como Senhor. Este contraste é estabelecido em relação a um relacionamento existente entre Deus e Seu povo fundamentado no diálogo no qual o próprio Deus toma a iniciativa de fazê-lo. Ele chama Abraão, faz-lhe uma promessa condicionada à obediência de Abraão de sair de onde estava para um lugar que seria mostrado por Deus. Não havia nenhuma ameaça embutido nesta promessa. Se Abraão concordasse, Deus cumpriria Sua parte na promessa, se não, a oportunidade seria transferida a outro ser humano, porquanto o propósito final do Senhor era gerar um relacionamento pessoal com aquele a quem a promessa estivesse sendo dirigida.

O poder de Deus foi manifesto de forma direta em muitas ocasiões, como por exemplo, assegurar que Abraão, Isaque e Jacó permanecessem na terra de Canaã; a cura da esterilidade de Sara e Rebeca para propiciar o nascimento de Isaque e Jacó; a intervenção no reino do Egito e de Abimeleque, impedindo que Sara e Rebeca viesse a serem desposadas de seus maridos Abraão e Isaque. Tendo sido Israel feito escravo no Egito, Deus tirou seu povo lançado sobre aquela nação dez pragas terríveis, que obrigou Faraó a deixar Israel partir. Em todos estes atos Deus demonstrou ser o Todo Poderoso sem nada exigir em troca de Israel senão a manifesta opção de Abraão em obedecer a primeira ordem divina, sair de sua terra e dirigir-se a Canaã. Desde esta libertação Deus propôs um avanço neste relacionamento, agora não mais somente Ele agindo unilateralmente, mas aprofundando este relacionamento com Israel por Seu povo aceitar o Senhorio de Deus como condicionante para conduzir sua existência na terra.

Precisamos entender que seja Deus agindo como Todo-poderoso ou como Senhor, em ambos os casos fica claro a suprema autoridade divina. Como Todo-poderoso, por exemplo, Deus foi inflexível com o Egito, destruindo completamente seu exército no mar Vermelho. Como Senhor Deus rejeitou Saul como rei porque este o desobedecera. A diferença consiste que na condição de Senhor, Deus chama Seu povo a aceitar de forma proativa a submeter-se a direção divina no curso de Sua existência e, por meio desta escolha voluntária este indivíduo cresce no conhecimento e na confiança em Deus, entregando todos os seus caminhos a este direcionamento divino. O fundamento deste ato voluntário está no reconhecimento que Deus propõe a vida em detrimento da morte, a eternidade em troca da efemeridade desta existência. Somente quem compreende a profundidade da opção de submeter-se ao Senhorio divino pode entender que a desobediência a Deus enseja tudo que se correlaciona a morte, tanto em termos de rebelião contra a autoridade divina como também o não reconhecimento da superioridade de Deus sobre todas as demais criaturas. Nestes termos, rejeitar a Deus é tolher em sua vida todo o fluxo da benção vinda dos céus pela simples razão que não lhe restou outra escolha senão comungar com o espírito deste mundo que veio senão para matar, roubar e destruir. Compreendida a dramaticidade da escolha em desobedecer a Deus, fica o entendimento que submeter-se ao Senhorio divino corresponde a dispor relacionar-se com Deus em um processo interativo onde podemos ouví-Lo, submeter-se a Sua vontade e provar quão boa, agradável e perfeita é esta mesma vontade para cada um de nós. Está disposto a experimentar este nível profundo de relacionamento? Obedeça e gozará de todos os seus benefícios.

pensador

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“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Rm 6:23)

 

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