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Os bastidores da história humana

Ouvindo isto, unânimes, levantaram a voz a Deus e disseram: Tu, Soberano Senhor, que fizeste o céu, a terra, o mar e tudo o que neles há; que disseste por intermédio do Espírito Santo, por boca de Davi, nosso pai, teu servo: Por que se enfureceram os gentios, e os povos imaginaram coisas vãs? Levantaram-se os reis da terra, e as autoridades ajuntaram-se à uma contra o Senhor e contra o seu Ungido; (At 4.24-26)

A igreja primitiva, nos seus primeiros dias, abalou as estruturas de poder do mundo antigo. Naquela época havia o entendimento que o rei e os deuses eram intimamente mancomunados, o poder de um respaldava o de outro. Esta conexão podia ser inferida a partir dos títulos conferidos ao imperador romano. Uma de suas designações correspondia a titulação que o contemplava como sendo o Pontífice máximo por ser considerado o sacerdote supremo do colégio de sacerdotes, portanto a mais alta dignidade da religião romana. Esta designação era dada ao imperador por considera-o construtor de pontes entre deuses e homens.

Esta associação entre os poderosos e o ocultismo tem suas raízes na queda, quando Adão, o representante legal da humanidade, por se deixar enganar, transferiu o governo da terra ao Príncipe deste mundo, também conhecido como o Diabo e Satanás. Este poder maligno nos foi revelado em sua completitude quando da tentação de Jesus Cristo. Em uma das tentativas de Satanás em demover Jesus de sua posição, ofertou-lhe “… todos os reinos do mundo e a glória deles…” (Mt 4.8). Esta interação entre Satanás e os poderosos do mundo impõe aos governantes das nações sujeição aos princípios satânicos de modo a criar um curso próprio para este mundo cuja jornada resulta em morte e destruição. Seu propósito final é plenamente exposto na palavra de Deus:

Ninguém, de nenhum modo, vos engane, porque isto não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniquidade, o filho da perdição, o qual se opõe e se levanta contra tudo que se chama Deus ou é objeto de culto, a ponto de assentar-se no santuário de Deus, ostentando-se como se fosse o próprio Deus. (II Ts 2.3,4)

Este filho da perdição diz respeito a um determinado homem que fará o maior pacto maligno jamais concebido na história humana em prol do estabelecimento definitivo do império das trevas no planeta terra. Se este plano pudesse ser bem sucedido Satanás seria capaz de extirpar da memória humana qualquer resquício que um dia o Deus dos céus e da terra tenha criado e governado o planeta terra.

Paulo, ao fazer menção ao evento do novo nascimento, ele faz questão de ressaltar que todo indivíduo que entra no reino de Deus está sendo liberto destes poderes malignos que influenciam e controlam a história humana segundo os desígnios naturais. Paulo faz menção da ruptura entre ambos os reinos das trevas e da luz nos seguintes termos:

Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência; entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais. (Ef 2.1-3)

Por esta exposição de Paulo muita coisa se pode extrair do reino das trevas. Primeiro todo individuo nascido naturalmente de mulher pertence a esta esfera de governo. Em que pese do ponto de vista da vida natural o indivíduo nasce, cresce, se desenvolve, amadurece, ao final de sua existência ele morre. O fato dele passar naturalmente pela experiência de morte demonstra que toda sua vida foi feita sob a égide do pecado, porquanto o salário do pecado é a morte (Rm 6.23). Paulo, em outro lugar, faz saber que basta ter a evidência da morte para saber que o homem é em si um pecador. Paulo fez esta inferência a partir da análise do drama da queda no jardim do Éden:

Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram. (Rm 5.12)

É porque todo ser humano descende de Adão que faz de sua natureza estar sob a égide da morte. Do ponto de vista divino ele está morto em seus delitos e pecados, para Deus este indivíduo é contado entre os submetidos em sua ira. Precisamos entender bem este ponto, Deus não ficou irado porque o homem pecou, Deus apenas executou sua sentença por causa do pecado, pois no Éden, enquanto perfeito o homem era, Deus o havia advertido que se comesse do fruto proibido haveria de morrer (Gn 2.17). Portanto, uma vez comido este fruto a sentença foi executada e o primeiro casal foi expulso do jardim do Éden para que não pudesse em tempo algum se alimentar da árvore da vida e, por meio dela, pudesse perpetuar sua vida (Gn 3.24). Desde então, a primeira estirpe dos homens podiam viver próximo a 1.000 anos, então vinha a morte ceifava a vida deles. Depois do dilúvio a segunda estirpe de homens teve sua longevidade reduzida para 120 anos (Gn 6.3) e, mais tarde a terceira estirpe de homens teve sua jornada existencial reduzida ainda para menor tempo de vida, entre 70 e 80 anos, poucos passando deste limite (Sl 90.10).

O drama da morte entre os humanos foi resultante da separação divina por causa do pecado, o homem perdeu a glória de Deus, sendo mesmo destituído dela (Rm 3.23). Entenda neste contexto a glória de Deus como sendo a vida eterna, porquanto é Deus quem “… a todos dá vida, respiração e tudo mais (At 17.25)”. Se por um lado é Deus quem concede a vida natural, no grego, vida psique, vida da alma, aos nascido de novo Deus concede vida espiritual, no grego, vida zoe, vida que procede de Deus, vida eterna. Assim o homem tem vida natural provida por Deus, mas não tem em si mesmo vida espiritual, precisando alcançar esta graça da parte de Deus. O fato é que o Diabo e Satanás aproveitou desta vantagem obtida no jardim do Éden para conseguir muito mais por meio da morte, ele se tornou por um tempo o senhor da morte, usando esta possibilidade como meio de domínio tirano:

“… aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo, e livrasse todos que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida. (Hb 2.14,15)

A morte se tornou o meio pelo qual o Diabo e Satanás obrigava os homens executarem seus planos malignos. Sua capacidade de influenciar o homem até obter do ápice do pecado, um pacto maligno com um deles para tentar obter domínio absoluto do planeta terra foi revelado ainda no jardim do Éden, quando Deus revelou que a serpente teria na terra uma descendência que se oporia contra a descendência santa (Gn 3.15). Nós precisamos entender este bastidor da história mundial, caso contrário muito dos rumos que a história toma ficará complemente sem sentido. O que estamos a dizer é que por traz dos bastidores dos poderosos da terra há contatos malignos onde estes mesmos poderosos adquirem instruções para se opor contra o reino de Deus na terra. O salmista expos esta intenção oculta dos poderosos nos seguintes termos:

Os reis da terra se levantam, e os príncipes conspiram contra o SENHOR e contra o seu Ungido, dizendo: Rompamos os seus laços e sacudamos de nós as suas algemas. (Sl 2.2,3)

Este foi o texto profeticamente pinçado para os apóstolos explicarem os bastidores da história nos dias de Jesus e a razão de sua crucificação. Todas as ameaças sofridas pela igreja primitiva por parte destes poderes decorrida do fato da compreensão destes mesmos poderes em perceber que seus interesses imperiais estavam ameaçados pela presença de Jesus Cristo entre os homens. A morte de Jesus foi a derradeira tentativa de impedir a manifestação da glória de Deus na terra. Só que o plano naufragou à partir da ressurreição de Jesus Cristo, quando o Senhor tomou para si “… a chave de Davi, que abre, e ninguém fechará, e que fecha, e ninguém abrirá” (Ap 3.7). Desde então a morte foi plenamente derrotada ao ponto do apóstolo Paulo proclamar:

Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão? O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. Graças a Deus, que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo. (I Co 15.55-57)

Por que é importante entendermos todo este contexto por traz dos bastidores da história? Os poderosos deste mundo continuam com seu plano de impor o governo mundial com o propósito de extirpar a glória de Deus da face da terra. Estes poderosos estão atuando objetivamente para romper com todas as leis divinas (Sl 2.3). Estamos vivendo a explosão da iniquidade cumprindo a advertência de Jesus de que este tipo de comportamento inevitavelmente teria consequências: “… por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos. (Mt 24.12). As consequências continuariam, porquanto por causa deste tipo de atitude o Senhor executaria juízos na terra:

É por este motivo, pois, que Deus lhes manda a operação do erro, para darem crédito à mentira, a fim de serem julgados todos quantos não deram crédito à verdade; antes, pelo contrário, deleitaram-se com a injustiça. (II Ts 2.11,12)

Esta é a descrição do tempo em que vivemos, quando a verdade é apequenada, relativizada, desprezada, zombada e proscritas dos espaços públicos, das escolas e, de muitos, de suas consciências. Então chega o tempo da ira de Deus se manifestar:

Vai, pois, povo meu, entra nos teus quartos e fecha as tuas portas sobre ti; esconde-te só por um momento, até que passe a ira. Pois eis que o SENHOR sai do seu lugar, para castigar a iniquidade dos moradores da terra; a terra descobrirá o sangue que embebeu e já não encobrirá aqueles que foram mortos. (Is 26.20,21)

Nós precisamos entender que o governo que, por um lado parece querer nosso bem, adotar políticas púbicas que buscam nos dar o melhor estilo de vida possível, é o mesmo governo influenciado pelos poderosos deste mundo, cujo objetivo final é entronizar o homem do pecado para transferir o governo da terra de forma definitiva para o príncipe deste mundo. O que vemos hoje é uma batalha em dimensões cósmicas por detrás do avanço invisível do coronavírus. Os juízos divinos estão cumprindo seus desígnios frustrando planos malignos. Este é mais um capítulo deste embate cósmico. O que cabe ao povo de Deus é conhecer a palavra profética para ter discernimento em cada um destes embates, permanecendo debaixo dos cuidados divinos por confiar absolutamente em Deus, ainda que não consiga compreender de todo, os embates nos bastidores da história.

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