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Para ter solução é preciso discernir o problema na tribulação

E a Adão disse: Visto que atendeste a voz de tua mulher e comeste da árvore que eu te ordenara não comesses, maldita é a terra por tua causa; em fadigas obterás dela o sustento durante os dias de tua vida. Ela produzirá também cardos e abrolhos, e tu comerás a erva do campo. No suor do rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, pois dela foste formado; porque tu és pó e ao pó tornarás. (Gn 3.17-19)

Caro amigo! Dileta amiga! Neste texto vamos tratar sobre como equacionar problemas e resolvê-los. E identificar um problema já é, em si, um problema. E digo isto por uma razão: temos a tendência de qualificar toda e qualquer situação danosa, qualquer transtorno pelo qual passamos, qualquer contrariedade, adversidade, contratempo, como um problema. Ademais temos a tendência por concluir que cada dia aparece um problema novo, de forma totalmente imprevisível, tirando completamente a governabilidade que tínhamos naquele dia. Tem gente que vai trabalhar já suspirando fundo, pensando consigo qual problema vai surgir primeiro. Mas será que tudo que abate sobre nós, nosso trabalho, nosso cotidiano pode, por si só, tipificar um problema? O que é problema?

Por definição problema é uma questão que exige solução. Agora temos de definir o que é uma questão. Por definição, questão é uma matéria, um tema, um assunto, que é levado a consideração, ao exame, a análise até se tornar uma pergunta. Portanto podemos redefinir problema como sendo um assunto que, submetido a análise, foi equacionado em uma pergunta que exige solução. Logo problema é uma pergunta bem definida em sua temática que busca respostas. Talvez você esteja se perguntando: – por que é tão importante definir o que seja um problema? E que efeito prático isto traz  em nosso cotidiano?

Creio que o exemplo mais ilustrativo seja o da febre no corpo humano. Quem está passando mal e percebe uma quentura no corpo, logo se socorre do termômetro para medir sua febre. Se está com temperatura superior a 37,5º C então isto pode ser preocupante, se está com febre. Mas a febre em si não é o problema, é um sintoma, um mecanismo de defesa do corpo para anunciar que existe algo errado no organismo. Neste caso a pessoa pode buscar um médico para realizar o diagnóstico. Neste caso o médico considera não só a febre em si, mas outros sintomas que aparecem juntos com ela e, por uma série de análise, pode concluir por esta ou aquela doença, encaminhando o paciente para o tratamento. Neste caso o problema só passou a existir quando o médico reuniu todos os sintomas que acompanharam a febre para, então, definir a natureza da enfermidade. O problema, neste caso, foi a enfermidade diagnosticada. Foi em função desta enfermidade que o médico passou a buscar a cura.

Podemos dizer, a luz do exemplo acima, que a primeira coisa identificada foi uma tribulação decorrente do sintoma da febre. Esta tribulação exigiu uma análise meticulosa para identificar outros elementos que estão presentes juntamente com ela para identificar a natureza do problema. Só com o conhecimento de causa desta tribulação é que se buscou uma solução. Qual nossa tendência? Surgiu a tribulação, tratar da solução sem conhecer o tipo de problema com o qual estamos lidando. A pessoa pensa de forma simplista: – está com febre? Toma um banho quente que passa. Com isso ela trata do sintoma imediatamente e o faz desaparecer, sem sequer conhecer a natureza do problema que estava lidando. Resultado, quando a doença realmente mostrar sua cara, poderá ser muito mais difícil de tratar ou mesmo ser tarde demais. Tudo porque não buscou conhecer o problema, tratou a própria tribulação como um problema, sem nenhuma análise.

Você pode estar me dizendo algo do tipo: – isto é complicado demais para minha cabeça. Como resposta digo que esta pode ser a razão de você estar lidando com tanta tribulação sem saber como sair-se dela, de estar estressado, abatido, cansado, desmotivado por ter a sensação que seus problemas só se multiplicam, sem sequer saber com que tipo de problema de fato você está lidando. Você pode estar dizendo consigo mesmo: – tenho problema com meus filhos, com meus parentes, em meu trabalho, nos meus relacionamentos, com meu carro, são tantos os problemas que nem sei por onde começar. Digo a você, nada do que apontou é, em si, um problema, mas tribulações em múltiplas dimensões. Só se constituirá em problema se você analisar todas estas questões e só encontrará soluções depois de saber com quais problemas de fato está lidando. Febre não é problema, é sintoma. Diversos sintomas podem diagnosticar uma enfermidade. Enfermidade é o problema, o que se busca uma vez tendo identificado a enfermidade é a cura. A cura é a solução da enfermidade que foi identificada por causa da febre e dos sintomas que acompanharam esta febre. Entre a solução e a tribulação exige a necessidade de se equacionar um problema. Só existe solução para problemas, não para tribulações.

Digamos que você chegou cedo à empresa e descobriu que faltou uma matéria prima para você fabricar algo. Isto é uma tribulação, mas qual o problema? Pode ocorrer que não havia dinheiro para comprar aquela matéria prima, então se tem um problema de fluxo de caixa. Pode ocorrer que havia dinheiro, mas não houve tempo de buscar este item, então há um problema de logística. Pode ocorrer que foi feito o pedido, mas não foi entregue, então o problema passa a ser a qualidade de serviço prestado por fornecedor. Pode ocorrer que o fornecedor não tinha a mercadoria para entregar, então quem sabe o problema decorre do desabastecimento que assolou o país. Observe que para cada situação que se configura na falta daquela mercadoria, a natureza do problema mudou, exigindo busca de uma solução mais adequada para resolver.

Você passando por uma tribulação com o seu filho. Qual é o problema? Se a tribulação for que ele está indo mal na escola, com notas baixas, deveres por fazer, é preciso analisar a natureza do problema. Primeiro observe a faixa etária dele, depois considere a influência dos seus amigos, verifique se ele tem dormido bem, considere se ele tem disciplina na execução de suas atividades, analise como foi o histórico escolar dele no último ano, verifique se o conteúdo didático não está além da capacidade de assimilação dele. Para cada uma destas variáveis há um problema distinto, uma solução a ser buscada. Ele pode ter necessidade de aulas de reforço, por exemplo, ou precisa aprender a lidar com seus amigos para não ser influenciados por eles. Ele pode ter de diminuir seu tempo de lazer para se dedicar mais aos estudos ou pode ser que a situação do baixo rendimento seja momentânea por conta de algo que está acontecendo, mas preste a findar.

Geralmente a depressão decorre da tentativa de resolver todos os problemas em um único dia. Na verdade nem são problemas que são os problemas, o que se acontece é que um número muito grande de tribulações, cujos problemas são distintos, cuja solução difere no tempo, estão pressionando a pessoa de tal forma que ela quer viver a utopia de não ter problemas. Neste caso a primeira coisa que é preciso observar foi o que aconteceu com a queda, no jardim do Éden. Antes da queda tudo que o homem viesse a realizar seria bem sucedido inevitavelmente. Depois da queda, toda e qualquer atividade que o homem empreender, antes de alcançar a vitória, irá deparar-se com cardos e abrolhos. Com isso ficou estabelecido que entre o que se faz e o resultado que se colhe, haverá sempre uma tribulação no horizonte. Cardos e abrolhos são tipos de plantas, que possuem ciclo de vida. Neste caso, se não identificarmos que cardos e abrolhos são estes, como eles se comportam, haveremos sempre de pensar que os problemas jamais deviam existir, então como eles são reais e não desaparecem, a tendência da pessoa é entrar em depressão.

Se você está entendendo o que estou a dizer acerca da relação tribulação – problema – solução e se você está vivendo uma situação que as tribulações se multiplicaram além da conta, então lhe dou uma instrução bem simples, para ajudar você a tratar destas tribulações, equacionar elas em problemas e encontrar as devidas soluções. Sente em uma mesa que tenha bastante gavetas. Se não, entre no seu quarto, abra seu armário que tenha bastante gavetas e sente-se diante dele. Anote cada tribulação sua em um dado papel. Digamos que você tem tribulação com seu conjugue, filhos, emprego, finanças, manutenção do veículo, etc. Escreva cada um deles em um papel e coloque em gavetas separadas.

Se você agora observar dentro de si e para as gavetas em sua frente, perceberá que, dentro de si, você fica repassando quase que todas as tribulações de uma só vez, sem saber com qual lidar primeiro. Como eles estão agora anotados dentro de uma gaveta, você pode pensar em qualquer um delas, desde que cumpra a seguinte regra: para pensar em uma dada tribulação terá de abrir a gaveta. Se quer pensar em todas elas terá de abrir e fechar as gavetas tão rápido quanto seja capaz de pensar em tudo.  No começo pode alternar entre elas, mas o ideal é que trate cada tribulação por vez.

Quando estiver analisando uma tribulação, procure observar três coisas importantes: em que área ela afeta você, quais as possíveis soluções e quanto tempo leva para resolver o problema. Se você notar, cada tribulação tem um tempo próprio de resolução, o estresses acontece quando queremos resolver antes da hora. Agora leia por você como Jesus abordou a tribulação de um cego:

Perguntou-lhe Jesus: Que queres que eu te faça? Respondeu o cego: Mestre, que eu torne a ver. Então, Jesus lhe disse: Vai, a tua fé te salvou. E imediatamente tornou a ver e seguia a Jesus estrada fora. (Mc 10.51,52)

Este cego estava a beira do caminho quando soube que Jesus passava. Então passou a clamar em alta voz por ele, mesmo sendo repreendido pelos que estavam ali. Jesus chama o cego para si e lhe pergunta: – o que quer que eu faça com você? O cego avaliou sua situação e fez o único pedido que realmente lhe importava, queria voltar a ver. Ele colocou foco em uma coisa dentre todas as suas necessidades. Esta pergunta do Senhor demonstra que não podemos querer todas as soluções em um único momento, mas precisamos priorizar uma coisa de cada vez. Quando vermos soluções sendo implementadas, vamos adquirir confiança para problemas mais difíceis. Uma coisa é certa, com a sábia escolha do cego, o Senhor disse a ele: – sua fé te salvou. Até para exercermos a fé precisamos saber distinguir uma tribulação de um problema, identificar o problema, só então buscar pela solução. Ela virá e nossa fé será fortalecida.

Comente este texto, isto me ajudará a aprofundar pontos que possam não ter ficado claros para você. Compartilhe com seus amigos e amigas. Vejo você no próximo texto.

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