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Pastores pleiteando cargos eletivos

Publicado originalmente em 08/07/2006

“Sofre comigo como bom soldado de Cristo Jesus. Nenhum soldado em serviço se embaraça com negócios desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra.” (II Tm 2:3,4)

Foi dada a largada, os candidatos aos cargos de Presidente da República, Governador, Senador e Deputado Federal estão na rua, devidamente autorizados pelas convenções de seus partidos, a preitearem uma vaga junto ao eleitor.

Estes candidatos, no mínimo, devem ter uma plataforma de governo, proposições, bandeiras ou delegação para representar algum interesse específico. Mediante um esforço conjugado da mídia eletrônica e contato direto com lideranças e eleitores, esperam alcançar o quociente eleitoral necessário para serem eleitos.

Um candidato, raras exceções, não surge da noite para o dia, antes ele deve estar respaldado pelos serviços que já tenha prestado ou pela influência de sua liderança, pois conseguiram sua indicação por meio da aprovação de algum tipo de referendum.

Muitos pastores deixaram seus rebanhos para serem candidatos por entenderem que fazem mais pelo reino de Deus (ou para seus interesses pessoais) com um cargo eletivo que levando o evangelho.

É preciso considerar toda a conjuntura da igreja brasileira para compreender este conflito de interesse existente entre a igreja e o Estado. Um pastor só devia ser ordenado se fosse manifesto sua vocação para o ministério.

O Apóstolo Paulo concebia este ministério sendo exercido em tempo integral ou concomitantemente com o exercício de alguma profissão, como ele próprio deu exemplo sendo fazedor de tendas (At 18:3). Estratégias missionárias são concebidas usando como ponto de contato o exercício da profissão, como é o caso de jogadores cristãos em países de maioria mulçumana.

Observando sob este ângulo nenhuma crítica poderia ser feita aos pastores que optaram por um cargo eletivo. Agora, uma coisa lhes é exigida, não só a eles, como a todos os cristãos, de modo geral, que tenham postura cristã.

Paulo, aconselhando Timóteo, pediu que este não se embaraçasse de modo algum com os negócios deste mundo para que pudesse levar o evangelho com toda liberdade. Não se embaraçar pode ser visto tanto no aspecto de dedicação exclusiva como também na irrepreensibilidade no exercício de uma profissão. E é esta irrepreensibilidade que se espera de todo pastor que se proponha a exercer cargo eletivo.

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