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Pinceladas sobre o radicalismo a luz da Bíblia

Não podemos fazer isso, dar nossa irmã a um homem incircunciso; porque isso nos seria ignomínia. Sob uma única condição permitiremos: que vos torneis como nós, circuncidando-se todo macho entre vós; (Gn 34.14,15)

Deus chamou Abraão para ser uma benção para todas as famílias na terra, esta ali iniciando uma extraordinária jornada para estabelecer a glória de Deus por todo este planeta. A história seria simples olhando sob a ótica de hoje, pois Abraão haveria de gerar Isaque, que geraria Jacó, que teria doze filhos, formando as doze tribos de Israel. Da tribo de Judá haveria de nascer Davi, deste em sua descendência, nasceria o Rei dos reis, Jesus Cristo, o Senhor e Salvador. O Senhor Jesus haveria de estabelecer Sua igreja, que viria a ser Sua noiva, isto após Sua morte na cruz, ressurreição e ascensão aos céus. Então Ele voltará para buscar Sua igreja e, juntos, o Senhor vem ao monte Sião para entronizar-se sobre Israel, instaurando Seu reino milenar. Neste reino, ano após ano, todas as nações da terra hão de vir a Jerusalém para ali adorar ao Senhor. Findo mil anos, o Senhor estabelecerá o juízo final, depois dele adentraremos na eternidade futura para todo o sempre. Neste resumo da história da redenção desde Abraão não vemos nenhuma forma de obstrução, de desencontro, de conflito. Estamos apenas dizendo o que Deus fez e fará, independente do que os homens façam ou deixem de fazer.

Ocorre que, concomitante ao propósito divino, o homem também tem suas iniciativas e, muitas delas, no seu entendimento, têm o propósito de ajudar o próprio Deus a realizar Seus planos divinos. Sara, por exemplo, vendo-se incapaz de ter filhos, achou por bem dar sua serva a Abraão, vindo a nascer Ismael, do qual os árabes de hoje descendem. Podemos dizer que grande parte do conflito existente hoje no Oriente Médio é decorrente desta decisão de Sara. Deus, contudo, manteve firme a linha da aliança, vindo a própria Sara dar um filho a Abraão, Isaque, ainda que o Senhor prometera a abençoar grandemente Ismael (Gn 17.20).

Anos mais tarde Isaque tivera dois filhos, Esaú e Jacó. Deus rejeitou Esaú, escolheu a Jacó para, por intermédio dele, continuar com a linha da aliança. Grande foi o conflito entre os irmãos com Esaú prometendo matar Jacó. Com o tempo ambos se reconciliaram. Esaú seguiu sua trajetória se aparentando com a família de Ismael (Gn 28.9). Podemos dizer que o ódio de Esaú contra Jacó ficou impregnado também no DNA da descendência de Ismael. Mas o que quero chamar atenção diz respeito a própria história de Israel e como ele percebeu, em determinado tempo, a circuncisão dada por Deus como sinal da aliança para com Israel.

Deus chamou Abraão de Ur dos Caldeus e o levou a Canaã. Ali prometeu dar-lhe a terra, como também um herdeiro. Abraão creu em Deus e sua fé lhe foi imputada por justiça (Gn 15.6). Ao renovar a promessa, o Senhor exigiu que Abraão circuncidasse toda sua casa (Gn 17.10) e assim ele fez (Gn 17.23). Anos mais tarde Isaque foi circuncidado (Gn 21.4) e, mais tarde, Jacó, bem como seus filhos (Gn 34.15,22). A circuncisão era extensiva, inclusive sobre o escravo comprado de qualquer estrangeiro (Gn 17.12) e era considerada pelo judeu como um símbolo exterior que liga o menino à fé judaica, confirmando que esta criança, nascida judia, por este rito, dava demonstração de sua lealdade à fé israelita.

É nesta perspectiva da circuncisão como elemento de fé que se insere a história de Diná quando esta foi violentada por um dos príncipes da tribo de Siquém. Após o fato, o pai do príncipe foi negociar com a família de Jacó o casamento de Diná com seu filho, ao que recebeu por proposta que o evento só poderia acontecer caso toda a tribo se circuncidasse. Feito o procedimento, com muitas dores, todos os homens da tribo foram mortos por Simeão e Levi (Gn 34.25). Jacó, como não poderia deixar de ser, ficou profundamente preocupado com a situação toda, porquanto sentiu-se ameaçado pelos povos da região com a atitude dos filhos dele (Gn 34.30). Nenhuma palavra foi trocada sobre o papel da circuncisão nos planos de Deus. O fato é que, findo este evento todo, Deus se revela a Jacó e lhe diz para habitar em Betel e edificar-Lhe um altar (Gn 35.1).

Esta situação toda é uma das mais difíceis de ser explicada a luz da religião e dos planos de Deus. Como pode um povo que foi chamado para abençoar todas as famílias da terra agir de forma tão ardilosa, levando toda uma tribo a morte usando como estratagema a palavra de Deus? E por que o Senhor Deus nada disse a respeito dos fatos, dando continuidade aos Seus propósitos eternos como se nada tivesse acontecido? A religião tem sido dada como justificativa para os mais terríveis atos e a tendência é das pessoas é atribuírem a Deus os atos praticados pelos homens que não têm compreensão dos propósitos divinos.

Para compreendermos estas justaposições de vontades, de Deus e dos homens, precisamos entender que as coisas de Deus só são discernidas espiritualmente como podemos ler: “o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (I Co 2.14). Podem ser dadas muitas explicações sobre estas questões, mas três são básicas: a primeira, o agir do homem não explica necessariamente os propósitos de Deus; segundo, o juízo final só acontecerá no fim dos tempos, portanto a palavra de Deus acerca das escolhas dos homens ainda não foram dadas; terceiro, os homens pecam por natureza, mas são aceitos por Deus com base no sacrifício vicário de Jesus Cristo, sendo transformados por esta fé. Entender cada um destas questões permitem lançar luzes sobre o que é o caminho do homem e a vontade de Deus. Quem assim o desejar, tem toda a Bíblia para estudar com diligência e entender.

pensador

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“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Rm 6:23)

 

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