Reflexões

Relacionamentos sob o crivo da luz

… portanto, não vos entristeçais, porque a alegria do SENHOR é a vossa força. (Ne 8.10)

Neemias vivenciou um dos períodos histórico de Israel dos mais difíceis. O templo de Salomão havia sido destruído, tudo que restara fora ruínas que precisavam ser reconstruídas. Os recursos eram parcos, o povo em pequeno número, muito por fazer sob pressão dos inimigos. Neemias liderou esta obra e chegara o momento de trazer o povo de volta para Deus a despeito das circunstâncias. Certo dia reunira toda a população com o propósito de ler a lei de Deus. Não fora uma leitura comum, como a que se faz hoje da Bíblia, onde se pega determinada porção das escrituras, se faz um rápido comentário, na maioria das vezes descontextualizado e cada um segue para sua casa como se nada tivesse acontecido. Não, aquela leitura fora distinta, pois dela é dito: “Leram no livro, na Lei de Deus, claramente, dando explicações, de maneira que entendessem o que se lia” (Ne 8.8). Observe que era uma leitura com feedback, quem ensinava se preocupava com o modo como o outro entendia e, enquanto alinhamento entre ambos não houvesse, a explicação não cessava.

Como não poderia deixar de ser, quando o povo tomou consciência do que Deus exigia de cada um, a reação não foi outra senão a de quebrantamento. O povo desandou a chorar copiosamente. Uma das mais profundas obras do Espírito Santo é a de nos convencer do pecado, da justiça e do juízo. Quando damos a Ele a devida liberdade para sondar nossos corações tudo aquilo que contraria a palavra de Deus é trazido a luz e, por conta desta obra somos profundamente envergonhados diante do Senhor. Paulo escreveu que “todas as coisas, quando reprovadas pela luz, se tornam manifestas; porque tudo que se manifesta é luz” (Ef 5.13). Nós somos chamados a andar como filhos da luz e, quando submetidos à palavra de Deus, tudo que é contrastante a esta luz precisa ser abandonada, sejam pensamentos, atitudes ou comportamentos. Fomos feitos a imagem de Deus e somente em Deus encontraremos nossa verdadeira identidade.

Para que possamos compreender em que direção a luz nos conduz, precisamos compreender que o fruto manifesto por ela “consiste em toda bondade, e justiça, e verdade” (Ef 5.9). Se considerarmos cada um destas manifestações do fruto da luz, perceberemos que todos eles têm como pano de fundo o relacionamento, seja com Deus ou com outra pessoa, pois nenhuma destas manifestações se desenvolve sem que haja este tipo de interação. Senão vejamos. A bondade corresponde a prática do bem para com o outro a partir da capacidade de sentir aquilo que a outra pessoa possa estar a sentir, suprindo-a em suas necessidades fundamentais. No quesito justiça precisamos desenvolver o equilíbrio razoável e impessoal entre interesses, riquezas e oportunidades distributivas entre pessoas. E verdade é a capacidade que adquirimos em ser transparentes em nossa comunicação com o outro, fundada na sinceridade, correção, veracidade e ausência de mentiras. Como se pode perceber, todas as manifestações da luz se apresenta no curso do relacionamento que temos uns para com os outros.

O apóstolo Paulo coloca estas qualidades manifestas na luz sob um patamar ainda mais profundo, que é o do amor para com o próximo. Ele cita em outro lugar: “A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, exceto o amor com que vos ameis uns aos outros; pois quem ama o próximo tem cumprido a lei” (Rm 13.8). Em seguida Paulo cita diversos mandamentos na negativa para declarar ao final, sintetizando-os que o “… amor não pratica o mal contra o próximo…” (Rm 13.10). Quando nós conseguimos assumir para nós mesmos que não importa o que façamos, o que queiramos alcançar, qual a vitória que almejamos, todas as coisas são medidas por nenhuma outra coisa senão o modo como nos relacionamos com as pessoas que cruzam nosso caminho. Nós podemos cegar nossos olhos e fazer como o sacerdote e levita que desviaram do homem caído e ferido na estrada, ou podemos nos portar como o bom samaritano que se detém em sua rota para ajudar aquele desconhecido que precisava de socorro Do mesmo modo nós podemos ignorar as pessoas, cegos por alcançar nossos objetivos pessoais ou precisamos nos deter para primeiro considerar a necessidade do outro, só então ajustar o que precisamos à medida que este outro é suprido por nós. A escolha é entre sermos egocêntricos ou altruístas. Qual tem sido sua opção? E quais os resultados desta escolha feita? Se é por fazer prevalecer seu “eu” sobre o outro, por conta dos resultados tem valido a pena?

pensador

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“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Rm 6:23)

 

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