Reflexões

Reparai na vossa vocação

Irmãos, reparai, pois, na vossa vocação… (I Co 1.26)

Paulo nos convoca a reparar nossa vocação. O termo em grego é “blépō” e tem como significado observar atentamente, ser possuído por uma visão, ter o poder de perceber pelo uso dos olhos, ter percepção dos resultados espirituais no mundo físico, atentar para as realidades espirituais e imateriais para, por meio delas, tomar medidas necessárias em sua existência, conhecer por experiência, ver com os olhos da mente (biblehub.com e studylight.org).

A luz deste termo me permita compartilhar rapidamente minha experiência de conversão. Eu entrara em meu quarto com a Bíblia dada pelos Gideões e o livro de Tim LaHaye – “Como Estudar a Bíblia Sozinho”. Por orientação de LaHaye, comecei a ler I João, me deparando com os seguintes versos:

Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça. (I Jo 1.8,9)

Refletindo sobre estas palavras pensei comigo:

– não sou pecador, pois não mato, não roubo, não adultero, contudo se eu disser que não tenho pecado, estou me enganando. Se aceitar que tenho pecado, seu salário é a morte. Diante desta constatação percebo minha necessidade de ser salvo, então confesso que sou pecador e recebo Jesus como meu Salvador e Senhor.

Feita a oração, quero chamar atenção a um detalhe. Naquela noite me levantei e, nos dias seguintes, continuei minha existência. Nada de diferente parecia ter ocorrido. Nem naquele instante, nem depois eu fora emocionalmente impactado, não sentira nada de especial, nenhum senso de alegria ou paz. Eu apenas fizera a oração e, mesmo não tendo nenhuma percepção de diferença, algo extraordinário tinha ocorrido naquele exato instante da oração. Eu só viera a saber um ano depois deste momento, quando, tendo passado por uma grande tribulação, resolvera considerar a luz das escrituras o que de fato se passara ao receber a Jesus Cristo como meu Senhor e Salvador. E por que chamo atenção a este fato? Porque a salvação é alcançada mediante a fé como está escrito:

Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; (Ef 2.8)

O ato de exercer fé é uma operação inicialmente de cunho eminentemente espiritual. Isto porque Deus é Espírito (Jo 4.20) e toda sua comunicação com o homem se dá nesta esfera, ainda que o Senhor tenha demonstrado sua redenção por meio da encarnação de seu Filho Unigênito Jesus Cristo. Como sabemos disso? Consideremos uma conversa ocorrida entre Jesus e Pedro. Jesus havia perguntado aos seus discípulos o que diziam o povo a respeito dele, várias fora as respostas. Então Jesus perguntou o que pensavam seus discípulos, ao que Pedro respondeu: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt 16.16). Então Jesus declarou o modo como Pedro obtivera aquele conhecimento, dizendo:

“Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus” (Mt 16.17

Observe que Pedro concluíra aquela verdade mediante a revelação. Ele não dissera que sentira algo, que intuíra aquele fato, que aprendera de algum humano. Não, nem ele próprio tinha consciência de como se procedera aquele entendimento, senão depois de Jesus ter explicado a ele como se processara, fora mediante uma revelação transmitida pelo próprio Deus, o Pai ao espírito humano de Pedro, fazendo-o declarar ser Jesus o Cristo, o Filho do Deus vivo.

Feita esta explanação, podemos voltar a Paulo Quando ele conclama os cristãos de Corinto a reparar em sua vocação, o que de fato ele está pedindo é que aqueles crentes buscassem obter da parte de Deus revelação sobre a redenção para a qual foram alcançados com tal magnitude que refletisse em todas as dimensões de sua existência. E há dois meios básicos para alcançar esta revelação. Leiamos:

Bem-aventurados aqueles que lêem e aqueles que ouvem as palavras da profecia e guardam as coisas nela escritas, pois o tempo está próximo. (Ap 1.3)

Podemos conhecer das coisas de Deus por meio da leitura ou, então, pela audição, ou por ambos, como de fato acontece. É importante enfatizar estes dois aspectos, porquanto não há como conhecer de Deus por qualquer meio natural. Isto porque seja pela leitura ou audição, o objeto de compenetração são “as palavras desta profecia”, neste texto em particular, o livro do Apocalipse, contudo de modo mais abrangente, as escrituras, a Bíblia sagrada. E, para qualificar ainda mais a leitura ou a audição, consideremos o que Pedro falou dos escritos de Paulo. Leiamos:

e tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor, como igualmente o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada, ao falar acerca destes assuntos, como, de fato, costuma fazer em todas as suas epístolas, nas quais há certas coisas difíceis de entender, que os ignorantes e instáveis deturpam, como também deturpam as demais Escrituras, para a própria destruição deles. (II Pd 3.15,16)

Pedro assevera que há doutrinas na palavra de Deus que não são de fáceis entendimentos, antes é preciso ter constância para extrair dela seu verdadeiro significado. E, quem é por si mesmo ignorante ou instável, não consegue ter este devido entendimento da palavra de Deus Instável no grego “astḗriktos” tem a acepção de uma pessoa que não tem ninguém com quem possa apoiá-la, cujo conhecimento não tem como ser levado em conta.

 O que se observa em grande parte dos cristãos é esta falta de constância para aprender de Deus seja por ler ou ouvir. Quando se ouve, é uma audição passiva, sem nenhuma anotação, muito menos como se fazia antigamente, pela memorização do que fora dito. Com isso o que se pensa saber na verdade é muito tênue, pouco ajudando no desenvolvimento da fé cristã. Para fazer um teste faça o seguinte exercício, tome uma doutrina qualquer das escrituras e tente fazer uma redação a respeito. Temos, por exemplo, livros de 500 páginas sobre a doutrina da justific

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