07/11/1996
Morte no vôo 402
por Cezar Andrade Marques de Azevedo

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Morte no vôo 402 é o tema da reportagem de capa da revista Veja desta semana, que trata do terrível acidente que vitimou mais de 100 pessoas: pilotos, tripulantes, passageiros e moradores do bairro do Jabaquara, próximo ao aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

A este acidente somam-se outros, como a explosão do Shopping Center de Osasco, que têm atraído atenção, causado comoção e trazido preocupação com relação a segurança de cada um de nós, ainda que estatisticamente seja improvável que nos atinja.

Houve dois eventos na época de Jesus que guardam, salvo as proporções, certa semelhança a estes: Pilatos assassinou barbaramente muitos galileus, e uma torre em Jerusalém caiu matando dezoito pessoas. Estes fatos causaram grande controvérsia naqueles dias. Alguns pensaram ser indício de juízo divino sobre as vítimas em razão de serem mais culpados diante de Deus que o restante da população. Jesus ao ser argüido sobre isto, contra-argumentou: “Não, eu vos digo; antes, se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis” (Lc 13:5).

A morte sempre é um tipo de juízo sobre o homem, não importando a maneira como ela ocorra, pois nas Escrituras lemos ser ela o salário do pecado (Romanos 6:23). Mas há de se observar que a morte foi uma escolha humana e não uma imposição divina, pois lemos em Ezequiel 18:23,32: “Tenho eu algum prazer na morte do ímpio? diz o Senhor Deus. Não desejo antes que se converta dos seus caminhos, e viva? ... Porque não tenho prazer na morte de ninguém, diz o Senhor Deus; convertei-vos, pois, e vivei”.

A morte encontra seu parceiro implacável na pessoa do Diabo, tendo este o poder de utilizá-la (Hebreus 2:14), sendo ele descrito por Jesus como: “homicida desde o princípio, e nunca se firmou na verdade” (João 8:44).

A atividade deste personagem é descrita no livro de Jó. Após ter se apresentado a Deus recebeu permissão para estender suas mãos contra Jó. Empreendendo suas ações usou dos Sabeus e dos Caldeus, povos da Mesopotâmia, para roubar bois, jumentas e camelos de Jó e matar seus servos; fogo do céu, talvez relâmpagos, para matar as ovelhas e os pastores e um grande vento para derrubar a casa onde estavam seus filhos, matando a todos. Depois atingiu Jó em seu organismo, trazendo-lhe “úlceras malignas, desde a planta do pé até o alto da cabeça” (Jó 2:7).

Neste contexto observa-se que a ação do Diabo, ou Satanás, foi feita com base numa permissão recebida de Deus, concluindo ser seu poder limitado. E pela análise do fim deste ciclo de tragédia, sabe-se que Jó foi abençoado por Deus, recebendo em dobro tudo quanto perdeu, caracterizando de modo veemente que a benção divina é superior a qualquer fatalidade que se abata sobre o homem.

Na seqüência da matéria sobre o Vôo da morte lemos: Vidas cortadas - “Em poucos segundos, o acaso faz com que se espatifem no solo os sonhos, os planos e o futuro dos passageiros do 402” e “se isso serve de algum consolo, o terror durou pouco - 25 segundos”, sendo exatamente este o objetivo do Diabo, pois ele não vem “senão para roubar, matar e destruir” (João 10:10a).

Contudo, Jesus declarou sua missão em total contraste a do milenar inimigo dos propósitos divinos: “eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância” (João 10:10b). E o apóstolo Paulo revela que Cristo Jesus está “muito acima de todo principado, e autoridade, e poder, e domínio, e de todo nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro” (Efésios 1:21).

Dentro dos propósitos divinos chegará o dia em que esta supremacia será evidente a todo olho, e “então virá o fim quando Cristo Jesus entregar o reino a Deus o Pai, quando houver destruído todo domínio, e toda autoridade e todo poder. Pois é necessário que Cristo Jesus reine até que haja posto todos os inimigos debaixo de seus pés. Ora, o último inimigo a ser destruído é a morte” (I Coríntios 15:24-26).

Por ora o convite feito pelo Senhor Jesus é: “em verdade, em verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna e não entra em juízo, mas já passou da morte para a vida” (João 5:24).